Não há nenhuma palavra em Apocalipse que seja originaL Elas vêm de outros livros da Bíblia e são entrelaçadas para formar um quadro. O fluxo da história é muito complexo, mas Deus nos deu uma chave para compreendermos este livros.
Quatro professores adventistas contribuíram muito para a compreensão do Apocalipse: Strand, Paulien, C. M. Maxwell, e, Davidson. Strand foi o primeiro dos estudiosos evangélicos a encontrar a chave para abrir o Apocalipse — O SANTUÁRIO. Ele foi o primeiro a ver as 7 cenas do santuário no Apocalipse.. Os outros as elaboraram.
As cenas introdutórias focalizam o trabalho no santuário.
PRIMEIRA LINHA PROFETICA -7 IGREJAS
Há uma cena introdutória (Apoc. 1:1—8): João, prisioneiro religioso (96 AD). Teve uma VISÃO - Jesus falava com ele.
ONDE ESTAVA CRISTO? (Apoc. 1:9—20)
vv. 12-13 - no meio dos 7 candeeiros, com vestes sacerdotais. No santuário terrestre o candelabro se encontrava no Lugar Santo. A palavra usada no VI para referir-se ao ministério relacionado com o candelabro é TAMID.
Portanto, Jesus está ministrando à Sua Igreja, concedendo-lhe luz, e isto é que está sendo representado pelo quadro de Seu andar no meio dos candeeiros.
Nesta seção, João usa imagens do santuário para mostrar a presença viva de Cristo na igreja (Terra):
· Candelabro lembra a tenda do deserto, mas aqui é usado como referência à igreja.
· Paulo e Pedro chama a igreja de NAOS—templo, (1 Cor. 3:16, 17; II Cor. 6:16; Ef. 2:21, 22,1 Pedro 2:4, 5). Eles referem-se à igreja como sendo templo)
· Referência à morte e ressurreição de Jesus, especialmente no verso 18.
SEGUNDA LINHA PROFETICA -7 SELOS -Apoc. 4 e 5
João é chamado pela primeira vez para subir ao santuário celestial.
V. 4:1- PORTA - THURA, mesma palavra usada no Septuaginta para referir-se à porta do santuário israelita.
Cena ao redor do trono no céu - o Pai assentado no trono, os seres viventes ao lado.
— Três pedras são mencionadas: jaspe, sardônica e esmeralda (4:3). Estas pedras faziam parte do conjunto que estava afixado no peitoral do sacerdote (Êxodo 39:10—14).
Quatro ordens de pedras:
1. Sardônica, topázio e carbúnculo
2. Esmeralda, safira e diamante
3. Jacinto, ágata e ametista
4. Berilo, ônix e jaspe.
Estas três pedras fazem referência ao filhos de Israel, do mais novo (jaspe) ao mais velho (sardônica), com ênfase em Judá (esmeralda) — (conf. Gên 49).
Apoc. 4:4—24 ANCIÃOS: referência aos 24 turnos dos sacerdotes.
Apoc. 4:6 MAR DE VIDRO: THALASSA — mesma expressão usada na Septuaginta para Mar de Bronze no Antigo Testamento (a pia do santuário no templo). (II Reis 25:23, 1Crôn. 18:8, Jer. 52:17)
Apoc. 4:6—9: 4 SERES VIVENTES — lembra as quatro bandeiras nas extremidades do acampamento de Israel.
Cap. 5- visão do livro selado e do Cordeiro.
Há uma teologia nos dois capítulos, em particular nos cânticos entoados.
4:11 - “Tu és digno, Senhor e Deus... PORQUE TODAS AS COUSAS TU CRIASTE...”
5:9-10 - “Digno és... PORQUE FOSTE MORTO E COMPRASTE COM TEU SANGUE.
Deus, o Pai, é o CRIADOR; O trabalho de ambos se
Deus, o Filho; é o REDENTOR. encontra nesta cena.
SANGUE — é apresentado como a solução para o problema do pecado. Cap. 5- sete selos - precisam ser quebrados para se abrir o rolo.
Porque o rolo é tão importante?
· Deut. 17:14—20; O Rolo era muito importante para o Rei. O Rei deveria ter sempre em suas mãos um rolo, cópia da lei.
· II Reis 11:12: A palavra hebraica aqui não é testemunho, mas LEI.
O QUE É O ROLO? Três teorias:
a. Livro da vida do Cordeiro (registro dos santos de todas as eras que herdarão o reino);
b. Profecias do resto do livro (esta interpretação não se encaixa);
c. E um testamento, o mundo como propriedade de Cristo em razão de Seu sacrifício.
Comentário de Ellen White acerca do significado do rolo:
1. Em Parábolas de Jesus diz que os líderes da nação judaica veriam a natureza terrível da decisão deles em relação a Cristo, quando o rolo for aberto;
2. Em outro documento ela afirma que ser refere ao livro contendo a história das nações, em todas as épocas.
Os elementos apresentados nesta seção mostram que o que estava acontecendo envolvia todo o santuário, santo e santíssimo. (trono — santíssimo; luz — santo). Há duas ocasiões em que todo o santuário era usado: inauguração e expiação.
TERCEIRA LINHA PROFETICA -7 TROMBETAS - 8:2-5
Visão do altar - 7 anjos - 7 trombetas - Natureza das trombetas: JULGAMENTO. Duas funções no altar:
a. Em direção a Deus: INTERCESSÃO;
b. Em direção à Terra: JULGAMENTO.
Fogo atirado à Terra: julgamentos - -1a, 2a 3a trombetas. O incenso/intercessão continua. Três diferenças principais:
1. Uma pessoa joga o incensário - o anjo atira brasas;
2. Diferença de localidade: o anjo joga brasa para a Terra; Cristo joga o incensário no chão do santuário.
3. Resultados:
a. em um caso temos o fogo/julgamento que se segue;
b. em outro temos o fechamento da porta da graça.
QUARTA LINHA PROFÉTICA - PROFECIASCEI~4TRA1IS- Caps. 12-14
Esta cena é introduzida em 11:19- “Abriu-se o SANTUÁRIO DE DEUS... no CÉU, e foi vista a ARCA DA ALIANÇA NO SANTUÁRIO...”
“ABRIU-SE O SANTUÁRIO” - quando esta parte é aberta vê-se a ARCA que ficava no santíssimo. Em termos terrestres era aberto no dia da expiação, que era um dia de julgamento no antigo Israel. Aqui temos um evento similar ocorrendo rio santuário celestial, portanto vemos aqui um dia celeste de expiação, um início de julgamento. Observe-se que uma parte do céu se abre para ver isto e vê-se o início deste trabalho.
Há aqui uma referência clara ao Santo dos Santos. Estas profecias centrais do livro têm que ver com a guerra entre o dragão, a besta e a mulher.
Transição do livro:
Profecias históricas
{Cartas- Igreja através das eras;}
{Selos- através das eras;}
{Trombetas- através das eras}
Cap. 12- Profecias históricas:
· igreja primitiva
· perseguição na Idade Média
· cena central: guerra - Miguel X serpente
· perseguição na Idade Média
· termina com o remanescente.
Cap. 13 - transição:
a. vv. 1-10 besta que surge do mar- profecia
b. vv. 11-18 besta que surge da terra luta
Cap. 14- as três mensagens angélicas aparecem no fim e vemos a volta de Cristo. Portanto, nesta seção (capítulos 12 a 14) temos a transição entre os dois tipos de profecia:
1º parte: profecias históricas - 12-13:10;
2º parte: escatologia - 13:11-14:20 (e até o final do livro).
QUINTA LINHA PROFÉTICA - Caps. 15 a 18
Cena introdutória estabelecida no templo celestial:
15:5-8-7 anjos com~as 7 taças.
Cap. 16- pragas
Caps. 17 e 18- após as pragas.
A fumaça que toma conta do santuário indica que ninguém pode entrar no templo até que as pragas ocorram. Quando a glória preencheu o santuário no Antigo Testamento, Iniciou-se o ministério. Quando a fumaça o enche no Apocalipse, termina-se o serviço. Deus esconde o santuário com a Sua glória—fim do tempo da graça. (paralelismo com Ezeq. 10:4).
15:5 - “TABERNÁCULO DO TESTEMUNHO” - rio antigo santuário a testemunha do tabernáculo era os DEZ MANDAMENTOS, que estavam na arca, no santíssimo, portanto, temos aqui uma referência ao término do julgamento; o dia antitípico da expiação, e nos referimos a isto como o fechamento da porta da graça: o julgamento está terminado, ninguém mais pode ser salvo.
11:19 - ABERTURA DO JULGAMENTO
15:5-8 - ENCERRAMENTO DO JULGAMENTO
SEXTA LINHA PROFÉTICA - 19:1-10
Esta cena do santuário é um retomo aos capítulos 4 e 5, pois se trata da mesma cena. Mas as canções cantadas aqui são diferentes dos capítulos 4 e 5, pois dizem respeito ao fim do plano da salvação, em particular sobre o casamento do Cordeiro, é uma celebração do casamento, o tempo do casamento chegou, Cristo Se unirá a Sua igreja. Portanto, a cena do santuário é uma cena de celebração à medida que o plano da salvação se encerra.
Segue-se um quadro da segunda vinda da Cristo1 quando Ele sai do santuário, Seguem-se cenas proféticas após a segunda vinda, através do milênio, até a Nova Terra
LINHA DIVISÓRIA:
. Apoc. 21:1-8 - pertence à série de profecias precedentes, assim, a cena da Nova Jerusalém começa no capítulo 21, verso 9. Por quê? Ao se comparar os versos 1 e 10 vemos a Nova Jerusalém vindo para a Terra. Se pensarmos que isto está em ordem cronológica, concluiremos que a Nova Jerusalém vem à Terra duas vezes. E isto não acontece.
21:1-A Nova Jerusalém vem à Terra como final desta série de profecias.
21:9-Começa um quadro da Nova Terra e Nova Jerusalém - uma profecia independente no livro, que é a de número VII
SETIMA LINHA PROFÉTICA - Apoc. 21:9ss - A NOVA JERUSALEM
v. 22- na cidade não há templo - POR QUE? O plano da salvação está terminado.
Analisando as profecias precedentes, vemos que cada uma das seis começa com uma cena do santuário. Isto nos leva à introdução do curso - a doutrina do santuário mostra uma atividade contemporânea de Deus no céu, assim como mostra o santuário como o centro da salvação, o céu em atividade para salvar o homem, onde o Pai, Cristo e os anjos estão trabalhando em função da salvação do homem, e a execução do piano da salvação.
Cada uma das cenas do santuário em Apocalipse mostra onde a atividade do plano da salvação está centralizada; por isto as profecias se iniciam com cenas do santuário.
Ao chegarmos à última profecia, o plano da salvação já terminado, todos os cidadãos do reino reunidos, não há mais necessidade de um plano de salvação.
DESCRIÇÃO DA CIDADE: dimensões em todas as direções, diferentes pedras na fundação. De onde vem esta linguagem?
CHAVE: Apoc. 21:3- Tabernáculo de Deus estará com os homens”.
Construção do santuário: Deus deu as medidas do santuário (assim como dá as medidas da Nova Jerusalém); pedras com o nome das tribos no peito dos sacerdotes levadas à presença do Senhor (agora encontramos os nomes escritos nas portas [tribos] e nas pedras da fundação [apóstolos]).
O que o santuário tinha em uma menor escala, a Nova Jerusalém tem numa escala muito mais ampla, portanto, há uma comparação geral entre a Nova Jerusalém e o santuário do
· Formato de cubo do santíssimo.
· Pedras do alicerce lembram pedras do peitoral.
· Portões em 4 direções lembram os quatro pontos cardeais do santuário.
· Repleta referência à festa do tabernáculo.
· SKENOO — acampar, construir sua tenda ao lado da nossa (Apoc. 21:3 usa a mesma expressão de João 1:14).
· No santuário havia a cerimônia da água— na Nova Jerusalém há a água da vida e o apêlo final está relacionado com água.
· No santuário havia a cerimônia da luz — na Nova Jerusalém Cristo mesmo será a luz.
Assim, toda a cidade é um lugar santo, pois que é o lugar da habitação da Deus (Êxo. 25:8-9 - “E Me farão um santuário.., e habitarei no meio deles”.) Trocando uma palavra no verso teríamos: “E EU construirei uma cidade para habitar no meio- deles.”
Portanto, ao chegar à SÉTIMA LINHA PROFÉTICA, temos um senso da visão da santuário mas envolvendo toda a cidade em si mesma.
Zac. 14:16 - o propósito da velha Jerusalém será cumprido.
v. 20 - “Naquele dia será gravado nas campainhas dos cavalos: Santo ao Senhor; e as panelas na casa do Senhor serão como as bacias diante do altar.”
Tudo na cidade será santo, porque a santidade do Senhor permeará todas as coisas.
A última profecia, portanto, é que a cidade toda é um santuário; não se trata de uma cena introdutória para a profecia, mas é a profecia em si: a cidade é o santuário de Deus.
O Apocalipse é um livro de 7:
7 igrejas
7 selos
7 trombetas
7 pragas
7 linhas proféticas, dadas no dia.
RESUMINDO
Encontramos em Apocalipse, 7 seções, precedidas por um prólogo e encerradas por um epílogo, como segue:
Prólogo:1:1-8
1. 1:9-20 (Terra): 7 igrejas
2. 4:1-5:14: 7 selos
3. 8:2-6: 7 trombetas
4. 11:19: 7 cenas cósmicas: “Eu vi” - “KAI EDON”
5. 15:2-8: 7pragas
6. 19:1—10: 7 cenas cósmicas: “Eu vi”
7. 21:1-8: Nova Jerusalém
Epílogo: 22:6-21
Cada uma das seções é introduzida com uma visão do santuário.
12 de dezembro de 2008
O santuário e o livro do Apocalipse
O princípio dia-ano
A questão é crucial. Se o princípio não for válido, ou, caso não deva ser aplicado a Daniel 7, 8 e 9, nossa mensagem cai por terra. O princípio do dia profético é legítimo, e, caso seja, por que aplicá-lo àqueles três capítulos de Daniel?
Primeiramente, o princípio do dia profético não se originou com os mileritas ou adventistas do sétimo dia. Judeus e cristãos vêm utilizando esse princípio há séculos, muitas vezes aplicando-o aos mesmos textos que os adventistas usam hoje. Clemente de Alexandria (segundo a terceiro séculos d.C.), um dos fundadores da igreja cristã, aplicou o princípio do dia profético às setenta semanas de Daniel 9, assim como tem feito a maioria dos teólogos através dos séculos, tanto judeus como gentios. Um dos maiores teólogos hebreu Rashi (1040-1105 d.C.), traduziu Daniel 8:14 da seguinte maneira: "E ele disse a mim: Até 2300 anos". Esse princípio tem sido reconhecido e aceito em todo o mundo durante séculos. Não é uma inovação adventista.
* Qual, porém, é a evidência bíblica?
Conhecemos o texto de Números 14:34: "Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano." E Ezequiel 4:4 a 7: "Conforme o número dos dias que te dei, cada dia por um ano."
* Embora estes textos possam sugerir a validade desse princípio, que outra evidência existe?
O Antigo Testamento desde há muito tem reconhecido uma relação entre dias e anos, e, em alguns casos, embora a palavra ano apareça no texto, a palavra usada no original hebreu foi dia. A comemoração da Páscoa, por exemplo, era celebrada uma vez por ano. Leia Êxodo 13:10. A tradução da versão Almeida diz: "Portanto, guardarás esta ordenança no determinado tempo, de ano em ano." Mas o original em hebraico diz literalmente, "de dias em dias", embora o texto quisesse dizer de ano em ano.
Primeiro Samuel 27:7 diz: "E todo o tempo que Davi permaneceu na terra dos filisteus foi um ano e quatro meses." O original hebraico diz: "dias e quatro meses", em vez de de "ano e quatro meses". Em hebraico, há uma palavra comum para ano, shanab, mas nestes versos a palavra "dias" é usada, demonstrando uma ligação entre ano e dias na Bíblia. Outros exemplos desse tipo podem ser encontrados. Leia I Samuel 2:19; I Samuel 1:21; I Reis 1:1.
* Todavia, mesmo que estes e outros versos ajudem a provar a idéia de uma relação entre dia e ano, podemos ter a certeza que deveríamos aplicar esse conceito às profecias de tempo de Daniel 7, 8 e 9?
Daniel 9 declara que "desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o Ungido", passaria sessenta e nove semanas. Mesmo que alguém defendesse que a ordem para reconstruir Jerusalém ocorresse numa data com cinqüenta anos de diferença para o ano 457a.C., ainda sobrariam cerca de 400 anos entre aquela data e a vinda de Jesus - "[o] Ungido, [o] Príncipe". Se as sessenta e nove semanas fossem literais, então, desde a ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém (quinto século a.C.) até o Messias (primeiro século d.C.) haveria sessenta e nove semanas - ou seja, um ano, quatro meses e três dias. Ridículo! O princípio do dia profético precisa ser aplicado a essa profecia, ou a mesma se torna sem sentido. Talvez a maior prova da validade do dia profético e sua aplicação em Daniel 9, é o fato que dá certo!
* Por acaso é coincidência que se aplicarmos esse princípio às sessenta e nove semanas, teremos um período de tempo que encaixa perfeitamente nos dois eventos descritos no verso?
Se não usarmos o princípio, a profecia não faz sentido; se usamos o princípio, a profecia cumpre-se com exatidão. Apenas isto já é uma prova irrefutável da validade do dia profético. Fica óbvio que o princípio do dia profético é válido para a profecia das sessenta e nove semanas, que foram "cortadas" da profecia dos 2.300 dias. Portanto, ambas fazem parte da mesma profecia.
* E, se o dia profético funciona para uma parte da profecia, não seria lógico que fosse usado com sucesso na outra parte também? É claro que sim.
Na verdade, não é apenas lógico, mas absolutamente necessário. Aplicando o princípio do dia profético às setenta semanas, temos 490 anos, ou seja, 176.400 dias. Como poderíamos cortar 176.400 dias de 2.300 dias? É impossível. A única maneira de as setenta semanas poderem ser cortadas é aplicarmos o princípio do dia profético aos 2.300 dias também. De outra forma, seria como tentar tirar dois quilômetros de três metros. Portanto, o dia profético precisa ser válido nos 2.300 dias também.
Existem outras evidências a favor do dia profético nos 2.300 dias em Daniel 8:13, que é literalmente a seguinte: "Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?"
Alguns detalhes importantes devem ser notados: A tradução literal é "Até quando" estas coisas aconteceriam? - e não "Quanto tempo?" A ênfase está no término dos eventos. "Até quando" estes eventos acontecerão? Lembre-se de que a palavra para visão, hazon, tem a ver com a visão como um todo, isto é, o carneiro, o bode, etc.
E finalmente, embora a versão King James mencione a palavra concernente, (Quanto tempo durará a visão concernente ao sacrifício diário?), no hebraico não consta essa palavra, nem a própria construção do hebraico exige que ela esteja ali. Definitivamente ela não pertence ao texto.
* O que isto quer dizer?
A questão diz respeito ao término ("até quando") de tudo que foi descrito: hazon, ou visão (que inclui o carneiro e o bode), o "sacrifício diário" e a transgressão assoladora estão incluídos. A pergunta não se refere apenas a visão concernente ao "sacrifício diário", ou às atividades do chifre pequeno, mas a tudo que há na visão, incluindo a parte da hazon a respeito do carneiro e do bode. "Quanto tempo" durarão estas coisas envolvendo o carneiro, o bode e o chifre pequeno? A resposta é literalmente: "Até 2300 tardes e manhãs."
Portanto, os 2300 dias envolvem todos os eventos listados na pergunta, ou seja, o carneiro, o bode e o chifre pequeno. Logo, o período de tempo inclui a Média-Pérsia, a Grécia, bem como a Roma pagã e papal. Todos esses fatores estão contidos no período de tempo da pergunta "Até quando?" e devem cumprir-se em 2300 dias.
Se tomados literalmente, 2300 dias somam seis anos, três meses e vinte dias. Como poderia esta profecia ser literal e incluir todos esses eventos? Impossível. Só a Média-Pérsia durou de 539 a 331 a.C. Apenas essa nação, sem contar a Grécia e Roma, dura demais para encaixar-se em apenas seis anos. Portanto, necessariamente temos que usar o princípio profético, com a qual a profecia cobre mais de dois milênios, tempo suficiente para incluir todos os eventos. Sem o dia profético, a profecia não faz sentido.
Embora a profecia comece com nações que existiam há milhares de anos, foi dito a Daniel que a visão era para o "tempo do fim". Obviamente, qualquer que fosse o período de tempo envolvido na profecia, teria que cobrir muito mais que seis anos a fim de levar a profecia de tantos séculos no passado até o "tempo do fim". Sem o dia profético, a profecia não poderia estender-se tanto. Aqui, novamente, o dia profético soluciona o problema.
Em Daniel 7 temos este terrível poder, o chifre pequeno. Decididamente, esse é o item mais detalhado do capítulo, superando todos os outros animais, incluindo os poderosos impérios babilônicos, medo-persa, grego e romano - nações que duraram centenas de anos cada uma. Apesar do poder desses impérios, a ênfase é colocada no chifre pequeno, que é tão terrível que o próprio Deus destruirá após o julgamento.
* Contudo, o poder desse chifre pequeno, pior que qualquer outro animal que durou centenas e centenas de anos, duraria três anos e meio?
Um período de três anos e meio não se encaixa na magnitude dos grandes eventos descritos nas primeiras fases da profecia. Além disso, vimos que o quarto animal foi Roma pagã, império que terminou 1500 anos atrás. O poder que a seguiu, o chifre pequeno, teria que se estender até o tempo do fim, quando Deus Se assenta para julgar e estabelecer Seu reino. Três anos e meio não são suficientes para estender-se dos dias finais de Roma pagã até o tempo do fim. Aqui, outra vez, o tempo literal não se encaixa nos eventos que são descritos na profecia, e, novamente, o dia profético soluciona o problema.
Note, também, as palavras exatas usadas nesta profecia de Daniel 7:25: "Por um tempo, dois tempos e metade de um tempo."
Que estranha maneira de dizer três anos e meio. É como se alguém perguntasse minha idade e eu respondesse: "Tenho vinte anos, dois anos e dez anos." Talvez estivesse tentando dizer outra coisa. Daniel 4:45 diz que Nabucodonosor ficaria doente, vivendo como um animal até "sete tempos por cima de ti". Por que não disse "um tempo, e tempos, e tempos, e um tempo, e metade de um tempo, e metade de um tempo"? O princípio profético não pode ser aplicado a Daniel 4:45. Obviamente, Daniel quis dizer um tempo literal, a respeito da doença do rei, e esta é provavelmente a razão por que usou um número normal.
Talvez Daniel tivesse dito: "Por um tempo, dois tempos e metade dum tempo", no capítulo 7, porque não queria dizer literalmente, três anos e meio. Em vez disso, em vez disso queria passar a idéia de um tempo profético. Daniel 7 está cheio de símbolos: um leão, um urso, um leopardo com asas, chifres que falam - todos simbolizando coisas diferentes. Logo, não seria lógico pensar que a seqüência de tempo dada nesta profecia também teria algum simbolismo, especialmente quando se analisa que a mesma foi enunciada de maneira tão estranha? Claro que sim.
Os mesmos fatores são encontrados nos 2300 dias. Daniel 8 também é uma visão com imagens simbólicas. Não é uma profecia sobre animais, assim como Daniel 7 não o é. É inteiramente profética. Não seria de se esperar que o tempo nesses capítulos também fosse simbólico, em vez de literal?
Além do mais, "tardes e manhãs" não é maneira comum de descrever dias. A palavra típica para dias na Bíblia é yamin, plural yom, que ocorre mais de mil vezes na Bíblia. Não seria mais simples ter dito: "Até seis anos, três meses e vinte dias, e o santuário será purificado", em vez de 2300 dias? Daniel 8:14 não traz a forma típica de indicar o tempo. Em II Samuel 5:5, por exemplo é dito que o rei "reinou sobre Judá sete anos e seis meses", não 2700 dias.
Até mesmo as setenta semanas de Daniel não são uma forma comum de expressar tempo. Por que não foi dada como um ano e quatro meses e meio?
A razão para tudo isto poderia ser simplesmente que o Senhor não esta Se referindo a tempo literal, e usou esses números e unidades de tempo "simbólicos" para mostrar ao leitor que estava falando de tempo profético, e não literal. Claramente, muitas evidências comprovam a validade do dia profético em Daniel 7, 8 e 9. Os capítulos simplesmente não fazem sentido sem o uso desse princípio.
Revista Adventista, Março de 1999, págs. 32 e 33.
As 2300 Tardes e Manhãs e a Hora do Juízo
O juízo universal
No livro do Apocalipse encontramos o anúncio de um juízo. Um juízo universal e de conseqüências eternas. Um dia Lúcifer disse que estava certo e Deus, errado. O Criador deu-lhe o tempo necessário para provar a validade de suas acusações e para esclarecer qualquer dúvida na mente das criaturas. Mas, finalmente, chega o dia em que todas as acusações e seus resultados devem ser julgados.
No capítulo 14 de Apocalipse, o apóstolo João nos leva a contemplar essa cena crucial do grande conflito entre o bem e o mal. "Vi outro anjo" - diz o profeta - "voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, tribo, língua, e povo." (Apocalipse 14:6).
* Quem é esse anjo e a quem simboliza?
Ao longo de todo o livro do Apocalipse são mencionados muitos anjos. Dessa vez João vê outro anjo. Este "anjo" ou "mensageiro" representa, segundo os comentaristas bíblicos, "os servos de Deus empenhados na tarefa de proclamar o evangelho".1 Afinal de contas, a missão de pregar o evangelho foi dada por Jesus aos discípulos antes de o Mestre partir." (Marcos 16:15 e 16). Quer dizer que, hoje, existe neste mundo um povo especial, com uma mensagem especial para ser dada aos moradores da Terra.
A mensagem que essas pessoas proclamam é a seguinte: "Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora de Seu juízo." (Apocalipse 14:7). Essa mensagem é de suma importância porque é o anúncio do dia do acerto de contas: finalmente chegou a hora do julgamento. Quando o juízo findar, todo o Universo saberá sem sombras de dúvidas quem estava com a razão: Satanás ou Cristo. Lá nos céus, muito tempo atrás, Lúcifer acusou a Deus de ser tirano, arbitrário e cruel. Acusou-O de estabelecer princípios de vida que nenhuma criatura poderia cumprir e, portanto, de não merecer mais adoração nem obediência. Mas agora chegou o momento do veredicto final. A História encarregou-se de acumular as provas. Os livros serão abertos, e o juízo começará.
A Bíblia está cheia de afirmações que confirmam a existência de um juízo para a raça humana. Observe algumas delas:
1. "Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más." (Eclesiastes 12:14)
2. "Porquanto [Deus] estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça..." (Atos 17:31)
3. "Porque importa que todos nós compareçamos ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou mal que tiver feito por meio do corpo." (II Coríntios 5:10)
Mas a grande pergunta é: Quando acontece o juízo? Como saber o tempo exato em que esse julgamento terá início? Se nosso destino eterno está em jogo, não deveríamos preocupar-nos por estudar a profecia a fim de estar preparados para aquele dia?
Dia do juízo
Para compreender as profecias do Apocalipse é preciso conhecer bem o Velho Testamento. Isso porque, no Apocalipse, muitos detalhes proféticos do Velho Testamento cobram sentido. No Apocalipse está o maravilhoso final da história que começa no Gênesis. Portanto, para saber quando começa o juízo que o Apocalipse menciona, é preciso rever, na história bíblica, quando se realizava o juízo em Israel, o povo de Deus no Velho Testamento.
Segundo o Mishná, que é a coleção dos escritos judeus, o juízo de Israel começava no primeiro dia do sétimo mês, com a Festa das Trombetas, e terminava no décimo dia, com a Cerimônia da Expiação. Até hoje esse dia é denominado "Yom Kippur", que significa literalmente "dia do juízo".2 Nesse dia, cada verdadeiro israelita renovava sua consagração a Deus e confirmava seu arrependimento, ficando, assim, perdoado e limpo. (Levítico 16:30)
Nesse dia, também, o sumo sacerdote de Israel efetuava a limpeza ou purificação do santuário, com sacrifícios de animais. Note agora o que a Bíblia diz a esse respeito: "Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos Céus se purificassem com tais sacrifícios; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios a eles superiores. Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém, no mesmo Céu, para compadecer, agora, por nós, diante de Deus." (Hebreus 9:23 e 24).
Um santuário no Céu e o juízo
Se você analisar com cuidado essa declaração bíblica, chegará à conclusão natural de que existe um Santuário lá nos Céus e que o santuário terreno do povo de Israel era apenas uma figura do verdadeiro que está nos Céus. Bom, se o dia da purificação do santuário de Israel era o dia do juízo para aquele povo, está claro que o dia da purificação do Santuário Celestial será também o dia do juízo da humanidade. Mas quando acontecerá isso? Se descobrirmos essa data, teremos descoberto a data do início do julgamento do planeta em que vivemos. Não é fascinante?
Agora vem algo que surpreende: a Bíblia contém uma profecia quase desconhecida pela humanidade (se você tiver uma Bíblia em casa, é só conferir). Essa profecia esta registrada em Daniel 8:14, e diz assim: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado." Essa profecia não pode se referir à purificação do santuário de Israel, porque essa purificação era realizada a cada ano. Aqui está falando necessariamente da purificação do Santuário nos Céus. E isto é confirmado pela própria Bíblia (Hebreus 9:25 e 26). Isso que dizer que, se descobrimos quando termina essa profecia, teremos descoberto o dia da purificação do Santuário Celestial, ou seja, o dia do juízo dos seres humanos.
Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que, em profecia, um dia equivale a um ano (Números 14:34; Ezequiel 4:6 e 7). Para saber, então, quando termina esse período de dois mil e trezentos anos é preciso saber quando ele começa. Essa profecia foi revelada ao profeta Daniel com a seguinte advertência: "A visão da tarde e da manhã é verdadeira. Tu porém cerra a visão porque se refere a dias mui distantes." (Daniel 8:26). E Daniel acrescenta: "Eu, Daniel, desmaiei, e estive enfermo alguns dias... E espantei-me acerca da visão, pois não havia quem entendesse." (Daniel 8:27).
Enquanto Daniel orava pedindo que Deus lhe revelasse o significado da profecia, o anjo apresentou-se novamente ao profeta, dizendo: "No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a palavra, e entende a visão... Sabe e entende, que desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o Ungido, o Príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas... E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício." (Daniel 9:23 a 27).
Nesse texto estão contidos dados necessários para entender a profecia. Com essa declaração bíblica podemos estabelecer o seguinte diagrama: (primeiro leia os pontos explicativos e depois olhe para o diagrama).
1. Perceba que o período profético de 2300 anos começa quando saiu "a ordem para restaurar e edificar Jerusalém". (Daniel 9:25; Esdras 7:7 e 11; Esdras 7:21 e 22). E a História registra que essa ordem foi dada pelo rei Artaxerxes, da Pérsia, no ano 457 a.C. Este é, então, o ano do início do período profético.
2. A profecia diz que, do ano 457 a.C. "até o Ungido Príncipe" (ou seja, o batismo de Jesus), haveria "sete semanas e sessenta e duas semanas". Esse total de 69 semanas, em linguagem profética, equivale a 483 anos, o que nos leva ao ano 27 d.C., data em que historicamente realizou-se o batismo de Jesus. Até aqui a profecia tem-se cumprido com exatidão.
3. A profecia fala de uma semana a mais (sete dias proféticos = sete anos), que nos leva do ano 27 d.C. até o ano 34 d.C., quando o apóstolo Estevão foi apedrejado pelo povo judeu e, com isso, o tempo de Israel estava acabado. "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo" (Daniel 9:24), tinha dito o anjo ao explicar a profecia para Daniel. Isso também se cumpriu com exatidão.
4. A profecia afirma que, na metade dessa última semana - que nos leva ao ano 31 d.C. - "fará cessar o sacrifício". Noutras palavras, Jesus morreria na cruz e já não seria mais necessário o sacrifício de animais que Israel realizava. A História registra que, exatamente no ano 31 d.C., Jesus foi morto, e você pode ver mais uma vez como a profecia se cumpriu de maneira extraordinária.
5. Até aqui, tudo aconteceu como estava previsto. A profecia foi dada a Daniel por volta do ano 607 a.C. e, séculos depois, tudo se cumpriu ao pé da letra.
6. Agora me acompanhe no raciocínio. Se, depois do período de 70 semanas (490 anos) continuarmos contando o tempo, concluiremos que o período de 2300 anos termina em 1844. Quer dizer que, naquele ano, segundo a profecia, o Santuário Celestial seria purificado, ou seja, começaria o grande julgamento da raça humana.
* 457 a.C. - Emissão da ordem para reconstruir Jerusalém (Esdras 7:11 e 12).
* 408 a.C. - Jerusalém reconstruída e o Estado judeu restaurado.
* 27 d.C. - Batismo de Jesus (Mateus 3:13 a 17).
* 34 d.C. - Morte de Estevão (Atos 7:54 a 60); a Igreja é perseguida (Atos 8:1 a 3) e o Evangelho é levado aos gentios (Atos 13:44 a 48).
* 1844 - Início do Juízo Investigativo (Daniel 8:14; Apocalipse 3:7 e 8).
Vivendo em pleno juízo
Isso é algo surpreendente e de solene significado. A humanidade não pode viver este milênio sem saber que o juízo divino começou. Este não é um assunto para o futuro. Segundo a profecia, foi a partir de 1844 que o destino dos homens começou a ser definido, e milhões de pessoas no mundo ignoram essa verdade. Por isso o Apocalipse declara que era necessário levantar-se um anjo "voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a toda nação, tribo, língua, e povo, dizendo em grande voz: temei a Deus e dai-Lhe glória, pois "É CHEGADA A HORA DE SEU JUÍZO".
Perceba que o anjo voa. Isso é urgente. Voar significa rapidez. Não há mais tempo a perder. Perceba que a mensagem é dada em alta voz. Isso não pode ser ignorado por mais tempo. Precisa ser proclamado em toda a Terra e para todos os seres humanos. E, finalmente, perceba que este evangelho é eterno. Não é nada novo; algo que foi inventado por alguém. Trata-se da história do maravilhoso amor de Deus pelos seres humanos.
Infelizmente, o juízo, por algum motivo, é mal compreendido pela humanidade. Muitos confundem o juízo divino com os flagelos e catástrofes que acontecerão antes da volta de Cristo, e que também estão profetizados no Apocalipse. Só que aqueles flagelos são parte da sentença. Eles são resultado do juízo. Não é juízo. A prisão ou pena de morte, por exemplo, não é o juízo da pessoa, mas a condenação. Juízo é o processo pela qual se considera o caso: existe um juiz, um advogado, um promotor de acusação, testemunhas e provas.
Veja como o profeta Daniel descreve o juízo celestial: "Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de dias Se assentou; Sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a lã pura... um rio de fogo manava e saía de diante dEle. Milhares e milhares O serviam, e miríades e miríades estavam diante dEle; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros." (Daniel 7:9 e 10) Note, aí estão o Juiz e também os livros.
Agora confira como o juízo é descrito pelo Apocalipse: "E olhei, e eis não somente uma porta aberta como também a primeira voz que ouvi dizendo: sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas." (Apocalipse 4:1). Depois de que coisas? Depois que a porta for aberta, claro. E quando é que a porta foi aberta?
Uma porta aberta em 1844
No santuário de Israel, a porta que levava do lugar santo ao lugar santíssimo, era aberta a cada ano, no Dia da Expiação (que era o dia do juízo). Com relação ao Santuário Celestial é dito que:
* "Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio Céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para Se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que Ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, Se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado." (Hebreus 9:24 a 26)
Que dizer que, em 1844, a porta entre o lugar santo e o lugar santíssimo, lá nos Céus, abriu-se para que Jesus pudesse iniciar a purificação do Santuário. E quando essa porta se abriu, veja o que João viu:
* "Imediatamente, eu me achei no espírito, e eis armado no Céu um trono, e no trono alguém sentado." (Apocalipse 4:2).
Depois, João descreve a cena ao longo de todo o capítulo quatro de Apocalipse. Ali são mencionados: o trono de Deus, rodeado de querubins; um arco-íris em cima do trono; e, em volta, 24 pequenos tronos onde se assentam 24 anciãos, que declaram: "Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder." (Apocalipse 4:11).
Não são semelhantes essa declaração e a do anjo de Apocalipse 14, que proclama: "Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora de seu juízo"? Anjos no Céu e homens na Terra confirmam que a glória pertence a Deus, porque alguém quer usurpar essa glória. Depois de descrever a cena, João continua: "Vi na mão direita dAquele que estava sentado no trono, um livro escrito por dentro, e por fora selado com sete selos."
Está montada a cena. O tribunal está instalado. Segundo a profecia isso aconteceu em 1844 e, no presente momento, a humanidade está sendo julgada. Qual é o assunto em pauta? Qual é a acusação? Quais os argumentos? Quem é o acusador? Quem é o Advogado de defesa? Quem são as testemunhas? E quem é o Juiz? A cortina vai cair e o conflito dos séculos será desvendado.
Alejandro Bullón, O Terceiro Milênio e as Profecias do Apocalipse, 1.ª ed., 1998, pág. 29.
Para saber mais sobre: O Princípio do Dia Profético dos 2300 anos.
1. Seventh-Day Adventist Bible Comentary, vol.7, pág. 827.
2. The Jewish Encyclopedia, vol. 2, pág. 281.
Leia Mais…
10 de dezembro de 2008
Paralelismo entre Deuterônimo 4 e Apocalipse
Rodrigo Assis Correia
Este presente estudo sobre o livro de Deuteronômio não se demorará(embora importantes) nas questões concernentes à autoria e data, ou ao contexto social da época. Ele se delimitará em indentificar um paralelismo do primeiro sermão de Moisés localizado em Dt 4:1-40, na qual ele exorta o povo de Israel à obediência, com a mensagem do livro do Apocalipse. No caso de Deuteronômio, o estudo será feito de modo seqüencial dos versículos do capítulo quatro. Isso será de grande importância para demonstrar que a mensagem que Deus dera no Antigo Testamento não se tornou descartável no Novo Testamento, como desejavam alguns ao longo da história,[1] e sim, exaltada pelo ministério de Cristo, proclamada pelo livro de Apocalipse e necessária aos cristãos de todos os tempos.
Para tanto, a Bíblia será a principal fonte de estudo, e complementado por alguns comentários bíblicos. Os paralelismos encontrados nos trechos bíblicos serão colocados em negrito para uma melhor identificação.
CAPÍTULO 1
DOIS PERÍODOS - UMA SÓ MENSAGEM
Não seria difícil imaginar que possa ocorrer uma mensagem paralela entre Deuteronômio e Apocalipse, pois o livro de Deuteronômio não somente influenciou os escritos posteriores do Antigo Testamento, mas também foi marcante no período neotestamentário podendo ser "vista em quase todas as partes do Novo Testamento".[2] No que se refere ao livro do Apocalipse, o Antigo Testamento foi vastamente utilizado pelo apóstolo João, onde o cita "algumas centenas de vezes".[3]
Um dos primeiros paralelos que se pode ver é as circunstâncias na qual os
dois livros foram escritos. Ambos foram elaborados numa época de transição de gerações e expectativas quanto ao futuro. Deuteronômio, apresenta Moisés, o único
que falava face a face com Deus, exortando o povo de Israel a se firmar nas leis de Deus,[4] pois uma nova experiência surgiria adiante. Apocalipse mostra João,[5] o único
sobrevivente dos discípulos, daqueles que mantinham um contato íntimo com Jesus, necessitando orientar e fortalecer a Igreja, preparando-a para um novo período que surgiria.
A mensagem de ambos os livros, como será vista nos versículos seguintes, apresenta Deus chamando o ser humano para apegar-se à Sua palavra como única fonte segura de salvação.
1.o Paralelismo: Guardar e Cumprir a Mensagem
"Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis e possuais a terra que o Senhor, Deus de vossos pais vos dá " (Dt 4:1).
"Bem aventurado aqueles que lêem, aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo" (Ap 1:3).
Ambos escritos mostram que essas palavras não podem ficar só no ouvir é necessário cumprir e praticar a Palavra de Deus. Preparam o povo para permanecerem
firmes nas Escrituras, pois o tempo está próximo e existe a expectação de uma nova
terra.
2.o Paralelismo: Uma Mensagem Intacta
"Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do vosso Deus que eu vos mando"(Dt. 4:2).
"Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo [...] e se alguém tirar qualquer cousa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa, e das cousas que sejam escritas neste livro". (Ap 22:18,19).
Concomitantemente, os dois textos mostram a preocupação de manter a mensagem intacta, tal como ela foi revelada, "nenhum homem poderia ousar adicionar ou diminuir nada daquela revelação".[6] Da mesma maneira que Moisés usou de cautelas contra os cortes e/ou acréscimos, o apóstolo João também o fez ao escrever a Revelação, cercando-as "das mesmas medidas acauteladoras contra falsificações".[7]
3.o Paralelismo: A Apostasia de Balaão e do Povo de Deus
"Os vossos olhos viram o que o Senhor fez por causa de Baal-Peor; pois a todo homem que seguiu a Baal-Peor o Senhor vosso Deus consumiu do vosso meio" (Dt 4:3).
"Tenho, todavia, contra ti [igreja de Pérgamo] algumas cousas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar as ciladas para os filhos de Israel" (Ap 2:14).
Os dois escritores se utilizam de um evento para alertar os homens sobre os enganos que levam a desobediência e auto-destruição. Moisés relembra os filhos de Israel uma ilustração prática de como "as más associações os tinham levado a desobedecer os claros mandamentos do Senhor",[8] caindo na idolatria e lassidão moral por causa das tentações apresentadas pelas mulheres pagãs. João usou deste caso para salientar o perigo que a igreja de Pérgamo correria. Assim como Balaão, um profeta de Deus, se corrompeu por causa do suborno de Balaque, a igreja cristã também se corrompeu. Foi justamente nesta época que Constantino, agora "convertido" ao cristianismo, implementou, furtiva e silenciosamente os costumes do paganismo.[9] A igreja cristã "em troca da pompa e orgulho pôs de lado a humildade".[10] O paganismo, "conquanto parecesse suplantado, tornou-se vencedor. Seu espírito dominava a Igreja. Suas doutrinas, cerimônias e superstições incorporaram-se à fé e culto dos professos seguidores de Cristo".[11]
É importante salientar que, nestas duas épocas, não foi necessária a utilização da força. Desta forma, pelo engano e pela sedução, israelitas e cristãos foram vencidos.
4.o Paralelismo: Os Remanescentes Fiéis
"Porém vós, que permanecestes fiéis ao Senhor, todos hoje estais vivos". (Dt 4:4).
"Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua
descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus" (Ap 12:17).
Moisés relata que houve os que permaneceram fiéis na apostasia em Baal-Peor. A fidelidade e a obediência aos mandamentos de Deus era a prerrogativa para os israelitas entrarem na Terra Prometida. João uma visão e também vê os remanescentes fiéis, com eles se percebe "o verdadeiro significado dos guardadores dos mandamentos como um grupo, a semente, o qual é especialmente identificado como estando a preservar e restaurar a Igreja de Deus".[12]
5.o Paralelismo: Ordem Divina
"Vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor meu
Deus, para que assim façais" (Dt 4:5,14).
"Achei-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus [...] e ouvi [...]
grande voz [...] dizendo: O que vês escreve em livro e manda as sete igrejas" (Ap 1:9,10,11).
Deus ordena, tanto para Moisés como para João, que propaguem as verdades reveladas a eles. Elas ocorrem no imperativo, demonstrando a responsabilidade daqueles que detêm a mensagem divina.
6.o Paralelismo: A Sabedoria Divina
"Guardai-os [estatutos e juízos], pois, e cumpri-os, por que isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos" (Dt 4:6).
"Aqui está sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Ora esse número é seiscentos e sessenta e seis" (Ap13:18).
Em ambos os casos a sabedoria é a palavra de Deus, que dá entendimento ao ser humano para não ser seduzido por Satanás. A mensagem de Moisés era que através de dos estatutos de Deus, Israel seria um povo sábio e entendido, não nas artes e nas ciências, "mas no campo da sabedoria espiritual, por possuírem a lei de Yahweh. A sabedoria deles provinha de Deus, porquanto foi dada mediante revelação, e não em resultado de sua erudição e filosofia".[13] João declara que os cristãos que tiverem sabedoria entenderão o que é o número da besta. Segundo S. Neall:
Seis é um número legítimo quando ele conduz ao número sete; representa o homem no alvorecer de sua existência, entrando em celebração com o poder criativo de Deus. A glória da criatura é correta se ela conduzir à glória do Criador. Seiscentos e sessenta e seis, contudo, representa a recusa do homem avançar para o número sete, de dar glória a Deus como Criador e Redentor. Representa a fixação do homem em si mesmo, o homem procurando glória em si mesmo próprio e em suas próprias criações. [...] A marca da besta é, portanto, a rejeição da soberania de Deus - o princípio do Sábado que foi designado para incentivar o homem a buscar a dignidade, não em si mesmo ou na Natureza, mas na comunhão com Deus e na participação do descanso de Deus. É o Sábado que demonstra a soberania de Deus e a dependência do homem.[14]
A sabedoria divina foi, e continua sendo, a única salvaguarda para os israelitas e cristãos, que viviam rodeados pelas diversas filosofias humanas correntes da época.
7.o Paralelismo: Ligação Íntima com Deus
"E que grande nação há que tenha Deus tão chegados a si como o Senhor
nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?" (Dt 4:7).
"Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles
serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles" (Ap 21:3).
Em relação aos israelitas, "desde os dias de Adão até agora, jamais povo algum tivera contato direto com o Deus glorioso".[15] A íntima presença de Deus "com o povo de Israel distinguia-o de todos os demais povos da Terra".[16] Em Apocalipse, João relata que haverá uma comunhão inigualável entre Deus e Seus filhos, este momento "apresenta o clímax em direção ao qual foi conduzido todo o livro. Trata-se igualmente de uma das mais emocionantes passagens da literatura",[17] onde o povo de Deus tem o privilégio de entreter franca comunhão com o Pai e o Filho".[18] Os dois textos revelam a vontade que existe por parte de Deus, em manter uma estrita ligação com Seus filhos.
8.o Paralelismo: Justos Juízos
"E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos[...]?" (Dt
4:8).
"Ouvi do altar que se dizia: certamente ó Senhor Deus Todo-Poderoso,
verdadeiro e justos são os Teus juízos" (Ap 16:7; 19:1,2).
A pergunta de Moisés demonstra que a grandeza de Israel se baseava "sobre a possessão da lei".[19] O povo de Israel apresentava para todos os outros povos que os estatutos divinos eram justos. João na visão, ouviu do altar que, até a consumação dos séculos e durante a eternidade, ficará provado que os estatutos e juízos de Deus são verdadeiros.
9.o Paralelismo: Revelação Transmitida
"Guarda a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, que não te esqueças daquelas cousas que teus olhos tem visto... e os fará saber a teus filhos a aos filhos dos teus filhos" (Dt 4:9).
"Eu, João, sou quem ouviu e viu estas cousas... [o anjo] me disse: Não seles as profecias deste livro" (Ap 22:8-10).
Havia uma preocupação por parte de Moisés que todas as revelações dadas a eles não caíssem no esquecimento. O conhecimento estava concentrado na lei, e tinha de ser ensinado para outras gerações.[20]. Da mesma forma João é informado que "o livro de Apocalipse deveria ser mantido aberto e compreensível, especialmente nos últimos dias".[21]
10.o Paralelismo: Visão da Aliança
Não te esqueças do dia em que estivestes perante o Senhor [...]o monte ardia com fogo até o meio dos céus, e havia trevas, e nuvens e escuridão [...] Então o Senhor vos falou do meio do fogo [...] anunciou ele a sua aliança, que vos prescreveu, os dez mandamentos (Dt. 4:10-13).
"Abriu-se então, o santuário de Deus que se acha no céu, e foi vista a arca da aliança no seu santuário, e sobrevieram relâmpagos, ozes, trovões, terremoto e grande saraivada" (Ap 11:19).
Em Deuteronômio há a exortação para o povo se lembrar da manifestação Divina no Monte Sinai, para se dar conta da grandeza e magnitude de Deus. No Apocalipse, Deus estava conduzindo João de volta à cena da aliança", chamando o ser humano não somente de "volta ao Monte Sinai, mas também ao Santuário, ao sacerdócio sumo-sacerdotal de Jesus, aos dez mandamentos e ao Sábado".[22] Deus demonstra neste gesto, a imutabilidade de Seus preceitos.
11.o Paralelismo: Perigos da Idolatria
"Não vos corrompais, e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo [...] não sejas seduzido a inclinar-te perante eles" (Dt 4:15-19).
"[A besta que emerge da terra] seduz os que habitam sobre a terra [...] dizendo [...] que façam uma imagem à besta [...e também] fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta" (Ap 13:14,15).
Para os israelitas "Yahweh dera a revelação e iluminação, e a revelação fora
escrita e preservada. Não havia desculpa possível para a desobediência".[23] Nesta época "fazia parte da principal característica da adoração pagã que formas visíveis tinham que ser vistas, antes do culto pudesse ser efetuado".[24] No entanto, a "idolatria moderna acompanha o mesmo método onde alguns fazem dos prazeres o seus deus; outros preferem idolatrar o dinheiro, a fama e vantagens de todas as formas".[25] É justamente neste ponto que a mensagem de Apocalipse toca. É afirmado que:
A besta com chifres de cordeiro haveria de falar "como dragão" e, especificamente, que ela ergueria uma "imagem a besta", àquela que, ferida à espada sobreviveu; atribuir-se-ia ainda a tarefa de "comunicar fôlego à imagem da besta", compelindo todos haitantes da Terra - exceto os genuínos seguidores de Deus - "a adorar" a imagem.[26]
Fica claro que Satanás se utiliza de uma imagem, algo que induza o ser humano a desviar sua atenção da Palavra revelada e esquecer do Deus verdadeiro. Ambos textos, de Deuteronômio e Apocalipse, apresentam o grande conflito como sendo a adoração e a obediência.
12.o Paralelismo: A Fuga da Idolatria
"Mas o Senhor vos tomou, e vos tirou da fornalha de ferro do Egito, para que lhe sejais povo de herança, como hoje se vê" (Dt 4:20).
"Foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse até ao deserto [...o dragão] foi pelejar com os restantes da sua descendência" (Ap 12:14-17).
Quando estava no Egito, "Israel foi reduzido aos terrores de uma fornalha de fundir ferro, que indica uma extrema opressão".[27] Ao ser libertado do Egito, o povo de Israel "precisava deixar para trás toda idolatria egípcia".[28] Foi no deserto que e no exílio, que os israelitas puderam adorar a Deus da forma correta e em liberdade. De forma semelhante, o Apocalipse revela que a Igreja Verdadeira, simbolizada na mulher, recebeu "asas" para voar para o deserto e escapar da idolatria reinante. A Igreja "vivenciou uma experiência relacionada com o deserto durante 1.260 anos. Enquanto era perseguida, Deus lhe proveu sustento",[29] assim como o fora com os israelitas.
Colocando-se no Lugar de Deus
"Também o Senhor se indignou contra mim por vossa causa, e jurou que eu não passaria o Jordão, e não entraria na boa terra que o Senhor teu Deus te dá por herança, porque eu morrerei neste lugar, não passarei do Jordão" (Dt 4:21,22).
Para se obter um paralelismo entre este trecho e a mensagem profética, é preciso identificar qual foi o pecado de Moisés. Ellen G. White afirma que:
Por seu ato precipitado, Moisés tirou a força da lição que Deus Se propunha ensinar. A rocha sendo um símbolo de Cristo, fora ferida uma vez, assim como Cristo uma vez seria oferecido. A Segunda vez, era necessário apenas falar à rocha, assim como temos apenas de pedir bênçãos em nome de Jesus. Ferindo-se pela segunda vez a rocha, foi destruída a significação desta bela figura de Cristo.[30]
A primeira pedra era uma representação de Cristo na cruz e a Segunda, do ministério sacerdotal de Cristo no Santuário Celeste, na qual se precisa somente falar, isto é entrar em comunhão (Hb 10:19-22). Moisés tinha assumido um poder que apenas pertence a Deus, colocou-se no lugar de Deus como se o poder estivesse com ele, homem possuidor de fragilidade e paixão humana.[31] Da mesma maneira, a Igreja apóstata deitou por terra o ministério sacerdotal de Cristo no Santuário Celeste (Dn 8:11), "ostentando-se como se fosse o próprio Deus" (1Ts 2:14), "mudando os tempos e a lei" (Dn 7:25).
13.o Paralelismo: Fogo Consumidor
"Guardai-vos não vos esqueçais da aliança do Senhor vosso Deus, feita convosco, e vos façais alguma imagem esculpida, semelhança de alguma cousa que o Senhor vosso Deus vos proibiu. Porque o Senhor teu é fogo que consome, e Deus zeloso" (Dt 4:23,24).
"Mas a besta foi aprisionada, e com ela o falso profeta que, com sinais feitos diante dela, seduziu aqueles que receberam a marca da besta, e eram os adoradores da sua imagem. Os dois foram lançados vivos dentro do lago de fogo" (Ap 19:20).
As palavras dadas a Israel foram uma ameaça, porque se eles falhassem, não cumprindo os mandamentos de Deus, "envolvendo-se na idolatria que a lei proibia tão clara e vigorosamente, então teria que enfrentar um Deus que é fogo que consome".[32] O resultado dessa desobediência às ordens divinas ocorre de forma análoga no apocalipse, no qual tanto os que seduziram à idolatria como os que foram seduzidos, são consumidos pelo fogo.
14.o Paralelismo: A Nova Terra
[Se, após gerações] vos corromperdes, e fizerdes alguma imagem esculpida, semelhança de alguma coisa [...] perecereis imediatamente da terra, a qual, passado o rio Jordão, ides possuir não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos (Dt 4:25,26).
Bem aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do cordeiro], para que lhes assista o direito à arvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os impuros, assassinos, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira (Ap 22:14,15).
Moisés deixa bem claro que "os israelitas poderiam ser expulsos, e realmente assim aconteceria, se adotassem as práticas idólatras dos antigos habitantes da Terra de Canaã".[33] Ficariam de fora da Terra Prometida caso não estivessem em conformidade com o requisitos anunciados por Deus. Do mesmo modo a Canaã celestial não será para:
Todos que gostariam ali estar. A nova terra se destinará às pessoas que desejarem estar ali - e o desejarem tão fortemente, a ponto de efetuarem alterações substanciais em sua vida, antes que chegue o momento em que Deus os possa declarar cidadãos dessa nova terra.[34]
15.o Paralelismo: O Chamado Divino
O Senhor vos espalhará entre os povos [...] lá servireis a deuses [...]. De lá buscarás o Senhor teu Deus, e o acharás [...]. Quando estiverdes em angústia e todas essas cousas te sobrevierem nos últimos dias, e te voltares para o Senhor teu Deus, e lhe atenderes a voz, então o Senhor teu Deus não te desamparará" (Dt 4:27-31).
"Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes dos seus flagelos" (Ap18:4).
Embora Deus permitisse, por causa da idolatria, o cativeiro dos israelitas, Ele não se esqueceu do Seu povo. Pela "Sua voz" chamou de volta os israelitas que estavam espalhados entre todas as outras nações, sendo misericordioso não os destruindo juntamente com os pagãos. Esta mensagem vai de encontro com a revelada no Apocalipse. Deus chama nos últimos dias, os que estão espalhados no meio da confusão religiosa, a alinhar-se com o povo remanescente. Quando:
Os que "não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade"(2Ts 2:12), "forem abandonados para que recebam a operação do erro e creiam na mentira, a luz da verdade brilhará então sobre todos os corações que se acham abertos para recebê-la, e os filhos do Senhor que permanecem em Babilônia atenderão ao chamado: 'Sai dela povo Meu'.[35]
16.o Paralelismo: Sinais e Maravilhas
Agora, pois, pergunta aos tempos passados...se algum povo ouviu falar a voz de algum deus do meio do fogo [...] ? [...] ou se um deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo com provas, com sinais, e com milagres, e com peleja, e com mão poderosa, e com braço estendido, e com grandes espantos, segundo a tudo quanto o Senhor vosso Deus vos fez no Egito ao vossos olhos? A ti te foi mostrado para que soubesse que o Senhor é Deus; nenhum outro há senão Ele (Dt 4:32,35).
Então vi uma de suas cabeças como golpeada de morte, mas essa ferida mortal foi curada; e toda terra se maravilhou, seguindo a besta; e adoraram o dragão porque deu a sua autoridade à besta; também adoraram à besta, dizendo: quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela? [...a besta que emerge da terra] também opera grandes sinais, de modo que até fogo do céu faz descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, para que, não só a imagem falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta (Ap 13:3,4,14).
Deus libertou Seu "povo das mãos de um poderoso soberano terrestre, confrontando-o com vários testes e exibindo diante deles sinais e maravilhas, realizando poderosos atos de salvamento perante os seus olhos".[36] Deus pergunta se pode existir alguém com Ele, para realizar tais atos. No livro do Apocalipse se vê a contrafação da manifestação divina perante os israelitas. A besta é curada de tal forma que os habitantes da terra se maravilham e perguntam "quem é semelhante a besta". Satanás procurará tomar um povo para si, para tanto:
Terríveis cenas de caráter sobrenatural logo se manifestarão nos céus, como indício do poder dos demônios, operadores de prodígios. Os espíritos diabólicos sairão aos reis da Terra e ao mundo inteiro, para segurá-lo no engano, e força-los a se unirem em sua última luta contra o governo do Céu.[37]
Tamanha será a operação de sinais e maravilhas, para arrebatar o povo de Deus da verdade, que "se possível, os próprios eleitos" (Mt 24:24) seriam enganados. Somente "os que forem diligentes estudantes das Escrituras, e receberam o amor da verdade, estarão ao abrigo dos poderosos enganos que dominarão o mundo".[38]
17.o Paralelismo: Manifestação do Evangelho e Juízo
"Dos céus fez ouvir a sua voz para te ensinar, e sobre a terra te mostrou o seu grande fogo, e do meio do fogo ouviste as suas palavras" (Dt 4:36).
Vi outro anjo voando pelo meio do céu tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra [...] dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas (Ap 14:6,7).
Moisés recebera do meio dos céus, os dez mandamentos, como sendo a revelação do caráter imutável de Deus. Para Israel "a voz dos céus e a epifania do fogo na Terra eram juntas, as instrutoras sobre o ser e o caminho de Deus, que estimulavam a aceitação da lei como a sua vontade e a sua aliança".[39] De acordo com Claus Westermann "as epifanias referem-se só às aparições de Deus para ajudar, resgatar ou salvar seu povo".[40]
No Apocalipse é utilizada a simbologia do anjo vindo pelo "céu" com "grande voz" trazendo consigo o evangelho eterno,[41] exortando a todos que adorem "aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas", numa alusão ao quarto mandamento, na qual descreve Deus como Criador. O evangelho "eterno" é revelado para dissipar quaisquer dúvidas quanto a vontade de Deus. É apresentado também de maneira solene, declarando que chegou a hora do juízo. Assim como a
epifania do Antigo Testamento referia-se a salvação, a "hora do juízo é uma boa nova
para todos os cristãos que têm sido maltratados, bajulados, zombados, multados, queimados ou oprimidos de qualquer forma devido a sua lealdade a Deus".[42]
18.o Paralelismo: Um Deus que Salva
Porquanto amou teus pais, e escolheu a sua descendência [...] para lançar fora de ti nações maiores e mais poderosas do que tu, para te introduzir na sua terra e te dar por herança, como hoje se vê . Por isso saberás, e refletirás no teu coração que só o Senhor é Deus em cima no céu, e em baixo na terra;
nenhum outro há. (Dt 4:37-39).
Vi também um anjo forte, que proclamava em grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos? Ora nem no céu, nem sobre a terra, nem debaixo da terra, ninguém podia abrir o livro [...] e eu chorava muito [...] então vi [...] um Cordeiro como tinha sido morto [...] com o seu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra (Ap 5:2-10).
Deus havia escolhido "Israel como seu povo simplesmente porque o amava e havia feito uma promessa a seus pais".[43] O povo de Israel "é amado para que se torne o reino sacerdotal de Javé na história do mundo".[44] Nem debaixo do céu ou da terra havia um Deus com tamanho amor, a ponto de salvar os israelitas de outras nações mais poderosas e ainda dar-lhes a terra como herança.
Este amor é enunciado no livro do Apocalipse. João chora por ninguém poder abrir o livro, ele sabe que de alguma forma isto está relacionado com a sua salvação. Nem no céu nem na terra alguém era digno de abrir o livro. Até que Jesus, o Cordeiro de Deus, movido pelo amor, compra, pelo Seu próprio sangue, os que procedem de todas as nações, colocando-os como sacerdotes em Seu reino.
19.o Paralelismo: Guardai, Pois.
"Guarda, pois, os seus estatutos e os seus mandamentos, que te ordeno hoje, para que te vá bem a ti, e para que prolongues os dias na terra que o Senhor teu Deus te dá para todo o sempre" (Dt 4:40).
"Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro" (Ap 22:7).
Moisés sabia que para Israel executar sua tarefa santa e elevada de abençoar o mundo, era necessário guardar os estatutos divinos, permanecer leal à sua vocação para a separação, resistindo às incessantes pressões de todos os lados e nunca ceder ao sincretismo moral e religioso que o rodeava.[45] Desta maneira estaria assegurada a sua permanência na terra que Deus lhes daria "para todo o sempre".
Semelhante no Apocalipse, Jesus profere uma benção para aqueles que guardassem as palavras da profecia, anunciando que vinha sem demora. Era a preocupação de João também, que as palavras da Revelação fossem compreendidas, pois "assuntos de vasta importância lhe foram desvendados, especialmente para a última igreja, a fim de que os que volvessem do erro para a verdade pudessem ser
instruídos em relação aos perigos e conflitos que diante deles estariam".[46] Pela iluminação de Sua palavra, Deus providenciou meios para que Seus filhos possam fugir dos engodos do inimigo e estar, em breve, desfrutando das bênçãos da Nova Terra.
RESUMO E CONCLUSÃO
O sermão proferido por Moisés às portas de Canaã, ecoa até os dias de hoje, onde a Igreja se encontra no limiar da Canaã celestial. O Antigo Testamento prova ser uma proteção contra a filosofia humana e o secularismo, prevenindo os cristãos de deitarem por terra as suas origens e serem apenas um grupo esotérico. Demonstrou-se também que:
A obra de Deus na Terra apresenta, século após século, uma surpreendente semelhança, em todas as grandes reformas ou movimentos religiosos. Os princípios envolvidos no trato de Deus com os homens são sempre os mesmos. Os movimentos importantes do presente têm seu paralelo nos do passado, e a experiência da igreja nos séculos antigos encerra lições de grande valor para o nosso tempo.[47]
Enfim, espera-se agora, a consumação final na qual toda a Escritura se dirige: o restabelecimento do reino de Deus juntamente com os Seus filhos resgatados.
[1] Ralph L. Smith relata que "à medida que a igreja se tornava helenizada, as Escrituras hebraicas apresentavam alguns problemas de compreensão e aplicação". Teologia do Antigo Testamento (São Paulo: Editora Vida Nova, 2001), 406. Por volta de 145 d.C um gentio chamado Márcion rejeitou o Antigo Testamento como Escritura cristã, escolhendo para sua Bíblia apenas o evangelho de Lucas e dez cartas de Paulo. Adolf Harnack propôs que "o Antigo Testamento fosse deposto da sua posição canônica e colocado no topo da lista dos apócrifos". Ibid.
[2] John D. W. Watts, Comentário bíblico Broadman (Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira, 1990), 222. Watts traz vários exemplos dessa influência. Ele mostra que Jesus dependia grandemente de Deuteronômio quando foi tentado (6:13-16; 8:3; Mt 4:4,7,10; Lc 4:8,12). O grande mandamento de amar "o Senhor teu Deus com todo o teu coração" (6:5) é a resposta à pergunta sobre qual é o grande mandamento (Mt 22:37,38; Mc 12:29-33; Lc 10:27). Pode ser que a idéia-chave do Sermão da Montanha, "sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial" (Mt 5:48), se derive, na realidade, de Deuteronômio 18:13. Segundo Watts a influência de Deuteronômio sobre Paulo "é forte" e que, tanto Hebreus como Atos, empregam citações do livro. Ibid.
[3] C. Mervyn Maxwell, Uma nova era segundo as profecias do Apocalipse (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1998), 65. R. H. Charles apontou "para o fato de que, ao fazer uso dos textos do Antigo Testamento, João não utiliza a Septuaginta - a versão grega normalmente usada em seus dias - mas prefere basear-se diretamente nos originais hebraicos ou em traduções populares do aramaico". Ibid.
[4] Ellen G. White, Patriarcas e profetas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), 463.
[5] Maxwell, 65.
[6] Russell N. Champlin, O Antigo Testamento interpretado (São Paulo: Editora Candeia, 2000), 2:770. J. A. Thompson afirma que "de acordo com o padrão dos tratados de suserania do Oriente Próximo e dos antigos códigos legais, a aliança não deveria ser alterada de modo algum". Deuteronômio introdução e comentário (São Paulo: Editora Vida Nova, 1985), 100.
[7] Eduard Schick, O Apocalipse (Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1980), 285.
[8] Champlin 2:770
[9] White, O grande conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1996), 49.
[10] Ibid.
[11] Ibid., 50.
[12] Maxwell, 425.
[13] Champlin, 2:770.
[14] Maxwell, 432-433.
[15] Antônio Neves de Mesquita, Estudo nos livros de Números e Deuteronômio (Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1979), 115.
[16] Champlin, 2:770.
4 Maxwell, 526.
[18] White, O grande conflito, 676.
[19] Champlin, 2:770.
[20] Ibid. Thompson afirma que "tais quebras da aliança eram uma ofensa ao Senhor e seriam merecedoras de Seu juízo. Os grandes eventos de Horebe deviam ser guardados cuidadosamente para não serem esquecidos. Além do mais, a transmissão fiel da história aos filhos era obrigatória para Israel". Thompson, 101.
[21] Maxwell, 548.
[22] Ibid., 394.
[23] Champlin, 2:772.
[24] Ibid.
[25] Ibid.
[26] Maxwell, 353.
[27] Champlin, 2:773. Por sua vez, Maxwell salienta que "hoje Cristo está ajudando, não apenas israelitas, mas indivíduos de 'toda tribo, língua, povo e nação', a escaparem de seus 'Egitos' particulares, de escravidão do pecado e do temor da morte. Maxwell, 210.
[28] Champlin, 2:773. Maxwell relembra que "no Antigo Testamento , o povo de Israel é muitas vezes identificado com uma mulher".325.
[29] Maxwell, 496.
[30] White, Patriarcas e profetas, 418.
[31] Ibid.
[32] Champlin, 2:774. De acordo com Thompson, "o termo zeloso (qannã) não tem a conotação de ciumento ou invejoso, indicando antes um interesse profundo e ativo na justiça surgido da santidade de Javé". Thompson, 104.
[33] Champlin, 2:774.
[34] Maxwell, 531.
[35] White, O grande conflito, 390.
[36] Thompson, 106.
[37] White, O grande conflito, 623.
[38] Ibid., 625.
[39] Watts, 244.
[40] Smith, 103.
[41] Ellen G. White afirma que "quando Deus envia aos advertências tão importantes que são representadas como proclamadas por santos anjos a voar pelo meio do céu, ele requer que toda pessoa dotada de faculdade de raciocínio atenda à mensagem. O grande conflito, 594.
[42] Maxwell, 361.
[43] Smith, 124.
[44] Samuel Terrien, citado em Smith, 124.
[45] Merril F. Unger, Arqueologia do Velho Testamento (São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1989), 81.
[46] White, O grande conflito, 342.
[47] Ibid., 343.
Os 24 anciãos de apocalipse 4:4
A referência aos 24 anciãos é feita por João em Apocalipse 4:4:
“Ao redor do trono há também vinte e quatro tronos e assentados nele vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.”
Os comentaristas bíblicos tem dado várias interpretações a estes 24 anciãos. Dentre elas destacaremos as seguintes:
1) Eles representam os homens redimidos;
2) Representam o ministério do sacerdócio levítico;
3) Simbolizam Israel em sua plenitude - dois anciãos para cada tribo, um deles representando Israel literal, e o outro representando o povo de Deus após a cruz, a Igreja Cristã. Nesta interpretação os 24 anciãos seriam a soma dos 12 patriarcas e dos 12 apóstolos;
4) São anjos que ministram as orações dos santos;
5) São os santos que ressuscitaram de seus sepulcros quando Cristo ressuscitou (Mt. 27:51-53: E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam, os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.)
A interpretação de que os 24 anciãos representam os santos que ressuscitaram quando Cristo ressuscitou, é a mais aceita pelos adventistas. Baseia-se no fato de que os capítulos 4 e 5 de Apocalipse apresentam uma visão do trono de Deus. Como os capítulos 4 e 5 falam do começo do Juízo Investigativo, isto coloca esta visão na data de 1844. Nessa data não existiam outros seres humanos no Céu, além dos que ressuscitaram quando Jesus ressuscitou.
Vale também ressaltar que na Bíblia, coroas só aparecem em duas pessoas: no próprio Deus e nos santos.
Leitura adicional: - “Profecia Bíblica”, apostila feita pelo Dr. José Carlos Ramos, informações sobre interpretações proféticas do livro de Daniel e de Apocalipse, é usada no programa de Pós-Graduação e no curso de Teologia.
- “Uma Nova Era Segundo as Profecias de Apocalipse”, por Mervyn Maxweel, livro que apresenta dados históricos precisos sobre o cumprimento das profecias apocalípticas, uma excelente ferramenta para o estudante das profecias do tempo do fim.
Fonte: Explicação feita pelo Dr. Mario Veloso que se encontra na Revista Adventista Fevereiro de 1984.
Leia Mais…
Apocalipse 1:10 e o Dia do Senhor
Um opositor aos mandamentos de Deus afirma: "O primeiro dia da semana ou domingo tomou tanta importância, pelas coisas que se deram nele, especialmente pela ressurreição de Jesus, que se tornou comum entre os apóstolos e os cristãos primitivos chamá-lo 'dia do Senhor'. A linguagem de João 'Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor' (Apocalipse 1:10) revela o fato que qualquer pessoa no seu tempo, que lesse esse seu escrito saberia a que dia se referia, isto é, qual o dia que pertencia ao Senhor Jesus."
Há nesse trecho nada menos que três afirmações destituídas de qualquer fundamento:
a) "... o domingo tomou tanta importância..."
Não tomou importância nenhuma. Tanto assim que os evangelistas sinóticos, escrevendo seus evangelhos sempre depois do ano 60, mais de 30 anos após a ressurreição, referem-se ao dia meramente como "o primeiro dia da semana", sem nenhum título da santidade, sem nenhum caráter especial. Nos escritos apostólicos não se vê esta "tanta importância" que o opositor pretende. E o mesmo João, escrevendo seu evangelho, perto do ano 100 de nossa era, também refere ao dia como sendo "o primeiro dia da semana". Quer dizer que no fim do primeiro século, o dia não tinha a "tanta importância" que lhe atribuem.
E isto nos vai ser confirmado pelo pastor Albert C. Pittman: "Primitivamente reuniam-se [os cristãos] no domingo de manhã, porque o domingo não era um dia feriado, mas sim um dia de trabalho normal como os demais... Partilhavam de uma merenda religiosa e em seguida retornavam ao seu trabalho, para os labores da semana." – The Watchman Examiner, 25 de outubro de 1956.
b) "... se tornou comum entre os apóstolos... chamá-lo 'dia do Senhor'."
Aí está outra ficção. Quais apóstolos? Onde? Quando? Como se prova que tornou comum entre os apóstolos designar o domingo como o "dia do Senhor"? Apontem-se seus escritos, por favor! Queremos provas!
c) "A linguagem de João: Eu fui arrebatado no 'dia do Senhor' revela o fato..."
Primeiramente o arrebatamento nada prova em favor da guarda do dia, aliás a nova versão bíblica diz "achei-me em espírito", indicando apenas que o apóstolo teve as visões. João teve outras visões e, com relação a estas, não se menciona o dia em que ocorreram. A segunda visão se deu em dia não especificado (Apocalipse 4:2), e o fato de um profeta ter visão em determinado dia, não significa que tal dia deva ser guardado. A santidade de um dia repousa em base mais sólida, fundamenta-se num claro e insofismável "assim diz o Senhor".
A afirmação que o "dia do Senhor" nessa passagem se refira indiscutivelmente ao primeiro dia da semana é baseada em presunção sem nenhum valor probante. O fato de em fins do segundo século da era cristã surgirem escritos aludindo ao primeiro dia da semana como sendo "dia do Senhor', não autoriza ao dogmatizar que João também se referia ao domingo. Antes do ano 180 d.C., quando surgiu um falso Evangelho Segundo S. Pedro que afirmava ser o primeiro dia da semana o "dia do Senhor", nada, absolutamente nada se pode invocar para dizer que João de referia ao domingo. O próprio Justino Mártir que alude a um costume que se implantava entre os cristãos, de se reunirem no primeiro dia da semana, ao dia, refere como"o dia do Sol" e não como o "dia do Senhor".
A partir daqueles tempos, o título "dia do Senhor" aparece exuberantemente na literatura patrística. Mas é preciso provar que João tinha em mente o primeiro dia da semana quando escreveu "dia do Senhor". Autoridades evangélicas afirmam que João escreveu seu evangelho depois do Apocalipse, situando-se entre 96 a 99 d.C., tais como: Albert Barnes, em suas Notas Sobre os Evangelhos, John Beatty Howell em sua tabela de datas, W. W. Rand, em seu Dicionário Bíblico, e comentaristas Bloomfield, Dr. Hales, Horne, Nevinse Olshausen, Williston Walker e muitos outros.
Isso é importante, pois se João, no Apocalipse, escrito antes, se refere ao domingo como o "dia do Senhor", como então no seu evangelho, escrito posteriormente, volta a referir-se simplesmente ao "primeiro dia da semana"? (João 20:1 e 19).
Temos fundadas razões para crer que S. João se referia ao sábado. Porque, consoante a Bíblia, o único "dia do Senhor" que nela se menciona é o sábado. Leia-se cuidadosamente Isaías 58:13: "santo dia do Senhor". O quarto mandamento em Êxodo 20:10 diz: "o sétimo dia é o sábado do Senhor." Em Marcos 2:28 lemos: "O Filho do homem é Senhor até do sábado."
E a Revista de Jovens e Adultos para Escola Dominical, editada pela Convenção Batista Brasileira, relativa ao 4.º trimestre de 1938, pág. 15, assim comenta este versículo: "... o 'Filho do homem é Senhor do sábado (Marcos 2:28)'; isto é... o sábado é o 'dia do Senhor', o dia em que Ele é Senhor e pelo Seu senhorio Ele restaura o Seu dia ao seu verdadeiro desígnio."
O discípulo amado conhecida muito bem as palavras do Decálogo (Êxodo 20:10) bem como as de Isaías (Isaías 58:13). À vista disso, não precisamos ter duvidas quanto ao dia a que ele quis referir-se quando no Apocalipse escreveu: "fui arrebatado em espírito no dia do Senhor". Só posteriormente, com a fermentação da apostasia na igreja primitiva, é que o domingo foi tomando corpo, e a designação "dia do Senhor" lhe foi dada deliberadamente.
Heylin, erudito de projeção intelectual, da Igreja da Inglaterra, escritor bem informado, da o seguinte testemunho:
"Tomai o que quiserdes, ou os pais [da igreja] ou os modernos: e não encontraremos nenhum dia do Senhor instituído por mandamento apostólico: nenhum 'sabbath' [dia de repouso] por eles firmados sobre o primeiro dia da semana.
Vemos assim sobre que bases se assenta o dia do Senhor: primeiro sobre o costume e a consagração voluntária desse dia para reuniões religiosas; tal costume continuou favorecido pela autoridade da igreja de Deus, que tacitamente o aprovava; e finalmente foi confirmado e ratificado pelos príncipes cristãos em todos os seus impérios. E como dia de descanso dos trabalhos e abstenção dos negócios, recebeu sua maior força dos magistrados civis enquanto detinham o poder, e a seguir dos cânones, decretos de concílios, decretais dos papas, ordens de prelados de categoria quando a direção dos negócios eclesiásticos lhes era exclusivamente confiada.
Estou certo de que assim não foi com o antigo sábado, o qual nem teve origem no costume – e o povo não se adiantara a ponto de dar um dia a Deus – nem exigiu qualquer favorecimento ou autoridade dos reis de Israel para ser confirmado ou ratificado. O Senhor falou que Ele queria ter um dia em sete, exatamente o sétimo dia da criação do mundo, para ser dia de repouso para todo Seu povo, e este nada mais tinha a fazer senão de boa vontade submeter-se à Sua vontade e obedecer-lhe...
Assim, porém, não ocorreu no caso em tela. O dia do Senhor [domingo] não tem nenhuma ordem para que deva ser santificado; mas foi evidentemente deixado ao povo de Deus determinar este ou outro dia qualquer, para uso notório. E assim foi adotado por eles, e tornado um dia de reunião da congregação para práticas religiosas; contudo, por trezentos anos não houve lei alguma que o impusesse aos crentes e tampouco se exigia a cessação do trabalho ou de negócios seculares nesse dia." – Dr. Peter Heylin, em History of the Sabbath, 2.ª parte, capítulos I e III, seção 12.
"Quando os antigos pais da Igreja falam do dia do Senhor, eles, às vezes, talvez por comparação, o liguem ao dia de repouso; porém jamais encontramos, anterior à conversação de Constantino, uma citação proibitória de qualquer trabalho ou ocupação no mencionado dia; e se houve alguma, em grande medida se trata de coisas sem importância, pelas razões que apresentavam." - Smith's Dictionary of the Bible, pág. 593.
Depois de tudo isto, ainda que se pudesse provar (o que é absolutamente impossível) que João tivera a visão num primeiro dia da semana, isto em nada altera a observância do sétimo dia da semana, pois não tem relação alguma com o dia do repouso do cristão, e muito menos se destina a abolir o sábado do Decálogo.
A. B. Christianini, Subtilezas do Erro, 2.ª ed., 1981, pág. 201.
Leia Mais…
Os 1260 dias e o remanescente fiel
A Mulher Vestida de Luz
Centenas de pessoas assistiam à cruzada evangelística naquela noite quando, subitamente, uma mulher foi possuída pelo demônio. Os gritos que ela dava eram horríveis. A multidão aterrorizada olhava para mim como se perguntasse: "O que faremos?" Algumas pessoas tentavam segurar a mulher, mas não conseguiam. Sua força era descomunal. Jogou todos que a seguravam para um lado e, levantando um enorme banco, atirou-o na minha direção. Tive que sair de lado para não ser atingido. Depois, ela começou a aproximar-se de mim, rastejando, soltando espuma pela boca, com os olhos vermelhos como sangue e gritando: "Vou te matar! Eu não faço nada contra você e você vive me perseguindo."
Ameaça? Medo? Perseguição? Não sei. Ao longo da vida tenho visto muitas vezes pessoas serem possuídas pelo demônio. É um quadro deprimente. Dói ver seres humanos completamente dominados pelas forças do mal. Mas estamos em guerra, já vimos. A guerra começou lá no Céu e transferiu-se para a Terra. E, ao longo da história humana, as tentativas e os métodos que o inimigo tem usado para arruinar o ser humano e desvirtuar a adoração e a obediência devidas a Deus, foram os mais variados.
A mulher e o dragão
No capítulo 12 de Apocalipse encontramos profetizada mais uma etapa dessa guerra. "Viu-se grande sinal no céu" - começa relatando o escritor bíblico - "a saber, uma mulher vestida do Sol com a Lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-se grávida, grita com dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz.
Viu-se outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas." (Apocalipse 12:1 a 3). Quem é essa mulher? O que ela simboliza? E o dragão? De onde vem e o que quer? O relato bíblico continua dizendo que "o dragão se deteve em frente à mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o Filho quando nascesse... mas o Filho foi arrebatado para Deus até ao Seu trono." (Apocalipse 12:4 e 5)
Para entender essa profecia, precisamos retornar ao Jardim do Éden. Ao momento triste do confronto do ser humano caído com Deus. Naquela ocasião, estavam presentes o casal de seres humanos e a serpente que os enganara. Note o que Deus disse a serpente: "Porei inimizade entre ti e a mulher, entre tua descendência e o seu descendente. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." (Gênesis 3:15)
Essa é a primeira profecia bíblica. Ao mencionar nesse verso a "mulher", Deus não estava se referindo unicamente à mulher ser humano, Ele estava falando de Sua Igreja neste planeta. Na Bíblia, a Igreja de Deus é simbolizada de várias maneiras. Algumas vezes, ela é comparada ao corpo humano (Efésios 4:12). Noutras, a uma mulher pura que espera pelo noivo (II Coríntios 11:12). Esse simbolismo é confirmado no Apocalipse. Uma mulher pura, vestida do sol, é símbolo da Igreja de Deus (Apocalipse 12:1) e uma mulher prostituta, vestida de vermelho, simboliza a igreja que pertence ao inimigo de Deus (Apocalipse 17:1 a 5). Dois comandantes com seus respectivos exércitos.
Assim, quando em Gênesis capítulo 3, verso 15, Deus falou da luta entre a serpente e a mulher, estava profetizando a luta dos séculos entre o diabo e a Igreja de Deus. "Esta" - diz a profecia referindo-se à Igreja - "te ferirá a cabeça e tu [a serpente] lhe ferirás o calcanhar." Quando Satanás provocou a morte de Cristo no Calvário, feriu a Igreja no calcanhar. Mas Jesus, através da fidelidade de Seu povo, ferirá a diabo na cabeça.
O dragão ataca a criança
No capítulo 12 de Apocalipse vemos outro aspecto da luta entre o diabo e a Igreja de Deus. A mulher está grávida, a ponto de dar à luz um "Varão que regerá as nações". Este sem dúvida alguma, é Jesus, o Salvador do mundo. O profeta Isaías já o profetizara muitos anos atrás da seguinte maneira: "Porque um menino nos nasceu, um Filho se nos deu; o governo está sobre Seus ombros; e o Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz." (Isaías 9:6). O salmista Davi O identifica melhor, quando ele diz que Ele regerá as nações com vara de ferro (Salmo 2:7 a 9); do jeito que é revelado em Apocalipse.
A profecia afirma ainda que "a serpente antiga, que se chama diabo e Satanás" tentaria destruir a Criança logo que Ela nascesse. Não é preciso entender muito de História para saber que Herodes decretou a morte de todas as crianças judias quando Jesus nasceu. A profecia diz que o dragão estava a fim de "devorar o Filho", e a História registra que Herodes decretou a morte das crianças.
Quem estava por trás de Herodes? Você percebe mais uma vez a astúcia e o método do inimigo? Ele não se mostra como é. Usa as pessoas, esconde-se atrás delas. Controla-as, domina-as e as leva a cumprir seus propósitos escusos.
Marionetes do inimigo
Evidentemente a mulher que foi possuída pelo inimigo, na noite em que eu pregava, e Herodes, ambos não passavam de marionetes nas mãos do antigo enganador. Ele tentou destruir "o Filho da mulher" e tentará, hoje também, destruir os nossos filhos.
Porventura, está você, como pai, sofrendo por causa de algum filho que se encaminha rumo à destruição? Quem você acha que está por trás das sensações alucinantes das drogas? Quem está por trás das idéias de liberdade, que não passa de libertinagem, mas que leva a juventude de hoje a viver sem princípios éticos nem morais? "Tudo é permitido", dizem. Mas se machucam, ferem-se a si mesmos e destroem seu futuro.
Outro dia, eu falava com um jovem que fugira da casa dos pais para viver uma vida dissoluta. "Você é o sonho de seus pais", disse para ele, colocando a mão em seu ombro. "Ah, pastor" - respondeu-me - "eu não estou a fim de realizar os sonhos dos meus pai; quero é realizar meus próprios sonhos." Mas, que tipo de realização é essa que leva o jovem a perambular pelas ruas madrugada adentro, sentindo-se um lixo? Que tipo de sonho é esse que só cria nele vazio, o desespero e a loucura, depois que o efeito da droga passa? Existe uma força oculta por trás de tudo isso. Lares dividido. Filhos desobedientes. Pais ditadores. Ideais desfeitos. Sonhos estraçalhados. Tudo tem um autor: o dragão que tentou devorar o "Filho da mulher"; e que tentará, hoje, devorar os nossos filhos.
Fugindo para o deserto
Apocalipse 12 continua apresentando a luta entre a Igreja de Deus e o dragão: "A mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar para que nele a sustentem durante mil duzentos e sessenta dias." (Apocalipse 12:6). Essa profecia fala de perseguição. "O dragão perseguiu a mulher que dera à luz o Filho varão"(Apocalipse 12:13).
Foi a Igreja perseguida em alguma época da História?
Os relatos da História provam que sim. A História registra um período escuro da humanidade. Uma época em que se tentou dominar a consciência das pessoas. Perseguiu-se por causa da fé. A Igreja e o Estado se uniram e, conseqüentemente, começaram a entrar no seio da Igreja costumes pagãos que a Palavra de Deus condenava.
A profecia, porém, indicava que a verdadeira Igreja de Deus não perseguiria, mas seria perseguida e, por isso, fugiria ao deserto por um período de 1260 dias. Já vimos que, profeticamente, um dia equivale a um ano (Ezequiel 4:6 e 7; Números 14:34). O que quer dizer que a Igreja verdadeira de Deus se esconderia no deserto por um período de 1260 anos. Durante esse período, as pessoas que "teimavam" em obedecer à Bíblia, e somente a Bíblia, foram cruelmente perseguidas. Muitos, como os Valdenses, tiveram que se esconder nas cavernas das montanhas para poder sobreviver. Quase literalmente, a terra abriu a boca para esconder a "mulher".
O que provocava tão furiosa perseguição era a obediência que a verdadeira Igreja prestava à Palavra de Deus. Afinal, aquela mulher é apresentada no capítulo 12 de Apocalipse como "vestida do Sol". O que significa o Sol? Veja como Davi responde: "Porque o Senhor Deus é Sol e escudo." (Salmo 84:11) Essa é a Igreja de Deus sem dúvida alguma. E por que tem a Lua sob os pés? Se o Sol é símbolo da justiça de Deus, onde estão refletidos os Seus ensinos e princípios? Outra vez Davi responde: "Lâmpadas para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para os meus caminhos." (Salmo 119:105)
A conclusão é clara: a Igreja de Deus fundamenta seus ensinos não em tradições humanas, mas na Bíblia, que é a Palavra de Deus. Esse foi o motivo da grande perseguição religiosa. O poder perseguidor não podia aceitar que seus ensinamentos fossem confrontados com a Bíblia. Esse período de tempo, em que a verdadeira Igreja de Deus foi perseguida por sua fidelidade à Palavra de Deus, encontra-se registrada na Bíblia de várias maneiras:
1. Em Apocalipse 11:3 e 12:6, faz-se menção de 1260 dias.
2. Em Apocalipse 11:2 e 13:5, são mencionados 42 meses, que, multiplicados por 30 dias do mês, resultam também em 1260 dias.
3. Em Daniel 7:25; 12:7 e Apocalipse 12:14, mensiona-se "tempo e tempos e metade de um tempo", ou seja, três tempos e meio, que na verdade, equivalem a três anos e meio. Três anos e meio, multiplicados pelos 12 meses do ano, dão 42 meses, que, multiplicados por 30 dias de cada mês, resultam outra vez em 1260 dias.
1 - "tempo" um ano 360 dias
2 - "tempos" dois anos 720 dias
1/2 - "tempo" meio ano 180 dias
Total
1260 dias
Todos esses versos apresentam o mesmo período de tempo no qual se levantou um poder que, usando o nome de Deus e atribuindo-se a prerrogativa de ser a Igreja de Deus, perseguiu a verdadeira Igreja de Deus. E tudo pelo simples motivo de que esta "teimava" em manter a doutrina bíblica, pura, do jeito que Jesus a ensinara quando esteve na Terra.
Acendem-se as fogueiras
Por incrível que pareça, existe na História um período de exatamente 1260 anos de perseguição religiosa, que começa no ano 538, com o edito de Justiniano. Foi Justiniano quem, depois de derrotar os ostrogodos, decretou que o bispo de Roma teria a preeminência sobre os bispos das outras cidades, pelo fato de que Roma era a capital do império e dominava o mundo político daqueles dias.
Esse período abrange os anos em que a Igreja perseguiu aqueles que se negavam a obedecer-lhe cegamente. Como já vimos, nessa época a igreja utilizou um instrumento chamado "Santa" Inquisição e tentou impedir que qualquer pessoa estudasse a Bíblia. Isso para que ninguém percebesse os erros que foram transferidos do paganismo para o cristianismo daqueles dias.
Ler e defender verdades bíblicas era considerado heresia, e a pena para os hereges era a fogueira. Previa ainda a confissão de "delitos" sob torturas terríveis. Instrumentos de torturas usados pela igreja medieval podem ser vistos em vários museus, como o Museu da Inquisição, em Lima, Peru. Esse período de perseguição terminou em 1798, quando o General Berthier levou preso o líder religioso da igreja, Chamado Pio VI. Veja o seguinte diagrama:
Perceba mais uma vez, o método do inimigo. Ele persegue a Igreja de Deus, mas não se identifica. Pelo contrário, o poder que persegue denomina-se a si mesmo Igreja de Deus, enquanto reclama adoração e obediência para si e não para Deus e Sua palavra. Com certeza, muitas pessoas que faziam parte da pretensa igreja de Deus achavam que estavam fazendo um favor a Deus, ao perseguir um "bando hereges" que teimavam em obedecer à Bíblia e não à Igreja. Só que essas pessoas, por sinceras que fossem, não percebiam que estavam sendo usadas pelo inimigo de Deus, na tentativa de destruir a verdadeira Igreja.
O Remanescente Fiel
A Profecia de Apocalipse 12 afirma que a verdadeira Igreja de Deus, embora perseguida, sobreviveria e teria um remanescente em nossos dias. Esse é um remanescente que o demônio odeia e continua perseguindo. É um remanescente que se caracteriza por duas particularidades expressas em Apocalipse: "Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar contra os restantes de sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." (Apocalipse 12:17). Essas características se repetem em Apocalipse 14:12, ao citar a perseverança dos santos. Veja o que diz: "Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus."
Deus declara sem meias tintas, que Ele tem uma Igreja e que esta tem duas características distintas: tem a fé em Jesus e, ao mesmo tempo, acredita na validade dos Seus mandamentos, tal como a Bíblia os registra. Essas foram as características da Igreja de Deus desde o Éden. Lá no jardim, Adão e Eva constituíam a Igreja de Deus. Eles eram Seus filhos, Seu povo. Mas o inimigo estava ali para destruir o povo de Deus e apresentou-se disfarçado de serpente tentando desvirtuar dois pontos básicos do relacionamento com o Criador: adoração e obediência. "Se comerdes da árvore" - disse a serpente - "sereis como Deus. Você não precisa de Deus, pode ser seu próprio Deus. Não tem porque obedecer."
Adão e Eva caíram. Mais depois se arrependeram e tornaram a constituir o povo de Deus. Então vieram os filhos: Caim e Abel. Naquela época, Deus pediu o sacrifício de um cordeiro como símbolo de Jesus, o Cordeiro de Deus, que um dia tiraria o pecado do mundo. Abel obedeceu. Levou um cordeiro expressando sua fé no Salvador. Caim desobedeceu. Levou fruto da terra, direcionando a adoração para o fruto de seu trabalho. Ali, naquele momento, originou-se a igreja do inimigo de Deus neste planeta.
Filhos de Deus e filhos dos homens
Os dias passaram e a Bíblia registra a divisão clara destes dois grupos de pessoas: "Vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas..." (Gênesis 6:2). Percebe? Filhos de Deus e filhos dos homens. Aí estão as duas únicas igrejas do mundo, porque só existe dois comandantes.
Antes do Dilúvio, Noé, sua família e muitas pessoas que começaram a construir a arca, faziam parte da Igreja de Deus. Infelizmente, muitos abandonaram as fileiras dos fiéis. Quando o Dilúvio chegou, somente Noé e sua família constituíam o povo de Deus, que Ele salvou. Somente eles adoraram ao verdadeiro Deus e obedeceram à ordem de construir a arca. Depois veio o tempo de Abrão (posteriormente chamado de Abraão), que vivia adorando e obedecendo ao Senhor numa terra cheia de incrédulos. Um dia, Deus o chamou dizendo: "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome." (Gênesis 12:1 e 2)
Abraão e seus descendentes são claramente identificados na Bíblia como a Igreja de Deus. As duas características daquele povo eram a adoração ao verdadeiro Deus, Criador dos céus e da terra, e a obediência fiel à Sua Palavra, que incluía os mandamentos que Deus escreveu posteriormente em tábuas de pedra, no Sinai. Quando Jesus veio, Israel, que era Seu povo, não O aceitou. Rejeitou-O. Eles disseram que não aceitariam outro, senão César. Mas houve doze israelitas que O aceitaram. Os doze discípulos que Jesus usou para estabelecer a Igreja cristã. Por isso, podemos dizer que o povo de Deus sempre existiu ao longo da História. E sempre teve as duas características.
Israel pensava que era o povo de Deus por herança, mas esqueceu que somente seria o povo de Deus se O adorasse como o verdadeiro Deus - o Deus que Se fez carne na pessoa de Jesus - e obedecesse aos Seus mandamentos. A igreja cristã corre o mesmo perigo. Ela não será a Igreja de Deus só porque Jesus estabeleceu no início de sua história. Mas continuará sendo à medida em que adore unicamente ao Deus verdadeiro, na pessoa de Jesus Cristo, e obedeça à Sua palavra, que inclui os mandamentos. Afinal, essas sempre foram as características do povo de Deus ao longo da História.
Qual Igreja?
Características são importantes para identificar pessoas. Em certa ocasião fui ao encontro de alguém que não conhecia. "Ele é alto." - disseram-me - "Usa barba e tem uma pinta grande na fronte." Com essas características não dava para se confundir. Quando os passageiros começaram a sair, fui conferindo as características. Havia algumas pessoas altas, mas não usavam barba. Outras usavam barba mas não eram altas. Até que, finalmente, saiu o homem alto, de barba e com a pinta na testa. Foi fácil reconhecê-lo.
Deus sabia que hoje o ser humano andaria confuso diante de tantas igrejas e religiões. Todas pretendem ser a Igreja de Deus e algumas, mais benevolentes ainda, defendem a idéia de que todas as igrejas conduzem a Deus. É muito fácil tomar posições radicais em diferentes aspectos da vida - embora seja pouco prudente fazê-lo - mas quando se trata de vida ou morte e, como já vimos, existe um inimigo que usará qualquer método para enganar o ser humano, vale a pena dar uma olhada no que o apóstolo São Pedro escreveu: "Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fareis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso." (II Pedro 1:19). E, se prestarmos atenção ao que diz a Bíblia, percebemos que ela afirma contundentemente que Deus tem uma Igreja que conserva duas características: (1) crê em Jesus e (2) guarda os mandamentos de Deus. O dever de toda pessoa sincera é, através do estudo consciencioso da Palavra de Deus, achar essa Igreja e preparar-se, sem medo do futuro.
Alejandro Bullón, O Terceiro Milênio e as Profecias do Apocalipse, 1.ª ed., 1998, pág. 53.
Leia Mais…