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12 de dezembro de 2008

O santuário e o livro do Apocalipse

Não há nenhuma palavra em Apocalipse que seja originaL Elas vêm de outros livros da Bíblia e são entrelaçadas para formar um quadro. O fluxo da história é muito complexo, mas Deus nos deu uma chave para compreendermos este livros.

Quatro professores adventistas contribuíram muito para a compreensão do Apocalipse: Strand, Paulien, C. M. Maxwell, e, Davidson. Strand foi o primeiro dos estudiosos evangélicos a encontrar a chave para abrir o Apocalipse — O SANTUÁRIO. Ele foi o primeiro a ver as 7 cenas do santuário no Apocalipse.. Os outros as elaboraram.

As cenas introdutórias focalizam o trabalho no santuário.

PRIMEIRA LINHA PROFETICA -7 IGREJAS

Há uma cena introdutória (Apoc. 1:1—8): João, prisioneiro religioso (96 AD). Teve uma VISÃO - Jesus falava com ele.

ONDE ESTAVA CRISTO? (Apoc. 1:9—20)

vv. 12-13 - no meio dos 7 candeeiros, com vestes sacerdotais. No santuário terrestre o candelabro se encontrava no Lugar Santo. A palavra usada no VI para referir-se ao ministério relacionado com o candelabro é TAMID.

Portanto, Jesus está ministrando à Sua Igreja, concedendo-lhe luz, e isto é que está sendo representado pelo quadro de Seu andar no meio dos candeeiros.

Nesta seção, João usa imagens do santuário para mostrar a presença viva de Cristo na igreja (Terra):

· Candelabro lembra a tenda do deserto, mas aqui é usado como referência à igreja.

· Paulo e Pedro chama a igreja de NAOS—templo, (1 Cor. 3:16, 17; II Cor. 6:16; Ef. 2:21, 22,1 Pedro 2:4, 5). Eles referem-se à igreja como sendo templo)

· Referência à morte e ressurreição de Jesus, especialmente no verso 18.


SEGUNDA LINHA PROFETICA -7 SELOS -Apoc. 4 e 5

João é chamado pela primeira vez para subir ao santuário celestial.

V. 4:1- PORTA - THURA, mesma palavra usada no Septuaginta para referir-se à porta do santuário israelita.

Cena ao redor do trono no céu - o Pai assentado no trono, os seres viventes ao lado.

— Três pedras são mencionadas: jaspe, sardônica e esmeralda (4:3). Estas pedras faziam parte do conjunto que estava afixado no peitoral do sacerdote (Êxodo 39:10—14).


Quatro ordens de pedras:

1. Sardônica, topázio e carbúnculo

2. Esmeralda, safira e diamante

3. Jacinto, ágata e ametista

4. Berilo, ônix e jaspe.

Estas três pedras fazem referência ao filhos de Israel, do mais novo (jaspe) ao mais velho (sardônica), com ênfase em Judá (esmeralda) — (conf. Gên 49).

Apoc. 4:4—24 ANCIÃOS: referência aos 24 turnos dos sacerdotes.

Apoc. 4:6 MAR DE VIDRO: THALASSA — mesma expressão usada na Septuaginta para Mar de Bronze no Antigo Testamento (a pia do santuário no templo). (II Reis 25:23, 1Crôn. 18:8, Jer. 52:17)

Apoc. 4:6—9: 4 SERES VIVENTES — lembra as quatro bandeiras nas extremidades do acampamento de Israel.

Cap. 5- visão do livro selado e do Cordeiro.

Há uma teologia nos dois capítulos, em particular nos cânticos entoados.

4:11 - “Tu és digno, Senhor e Deus... PORQUE TODAS AS COUSAS TU CRIASTE...”

5:9-10 - “Digno és... PORQUE FOSTE MORTO E COMPRASTE COM TEU SANGUE.

Deus, o Pai, é o CRIADOR; O trabalho de ambos se

Deus, o Filho; é o REDENTOR. encontra nesta cena.

SANGUE — é apresentado como a solução para o problema do pecado. Cap. 5- sete selos - precisam ser quebrados para se abrir o rolo.

Porque o rolo é tão importante?

· Deut. 17:14—20; O Rolo era muito importante para o Rei. O Rei deveria ter sempre em suas mãos um rolo, cópia da lei.

· II Reis 11:12: A palavra hebraica aqui não é testemunho, mas LEI.



O QUE É O ROLO? Três teorias:

a. Livro da vida do Cordeiro (registro dos santos de todas as eras que herdarão o reino);

b. Profecias do resto do livro (esta interpretação não se encaixa);

c. E um testamento, o mundo como propriedade de Cristo em razão de Seu sacrifício.


Comentário de Ellen White acerca do significado do rolo:

1. Em Parábolas de Jesus diz que os líderes da nação judaica veriam a natureza terrível da decisão deles em relação a Cristo, quando o rolo for aberto;

2. Em outro documento ela afirma que ser refere ao livro contendo a história das nações, em todas as épocas.

Os elementos apresentados nesta seção mostram que o que estava acontecendo envolvia todo o santuário, santo e santíssimo. (trono — santíssimo; luz — santo). Há duas ocasiões em que todo o santuário era usado: inauguração e expiação.


TERCEIRA LINHA PROFETICA -7 TROMBETAS - 8:2-5

Visão do altar - 7 anjos - 7 trombetas - Natureza das trombetas: JULGAMENTO. Duas funções no altar:

a. Em direção a Deus: INTERCESSÃO;

b. Em direção à Terra: JULGAMENTO.

Fogo atirado à Terra: julgamentos - -1a, 2a 3a trombetas. O incenso/intercessão continua. Três diferenças principais:

1. Uma pessoa joga o incensário - o anjo atira brasas;

2. Diferença de localidade: o anjo joga brasa para a Terra; Cristo joga o incensário no chão do santuário.

3. Resultados:

a. em um caso temos o fogo/julgamento que se segue;

b. em outro temos o fechamento da porta da graça.


QUARTA LINHA PROFÉTICA - PROFECIASCEI~4TRA1IS- Caps. 12-14

Esta cena é introduzida em 11:19- “Abriu-se o SANTUÁRIO DE DEUS... no CÉU, e foi vista a ARCA DA ALIANÇA NO SANTUÁRIO...”

“ABRIU-SE O SANTUÁRIO” - quando esta parte é aberta vê-se a ARCA que ficava no santíssimo. Em termos terrestres era aberto no dia da expiação, que era um dia de julgamento no antigo Israel. Aqui temos um evento similar ocorrendo rio santuário celestial, portanto vemos aqui um dia celeste de expiação, um início de julgamento. Observe-se que uma parte do céu se abre para ver isto e vê-se o início deste trabalho.

Há aqui uma referência clara ao Santo dos Santos. Estas profecias centrais do livro têm que ver com a guerra entre o dragão, a besta e a mulher.

Transição do livro:

Profecias históricas

{Cartas- Igreja através das eras;}

{Selos- através das eras;}

{Trombetas- através das eras}


Cap. 12- Profecias históricas:


· igreja primitiva

· perseguição na Idade Média

· cena central: guerra - Miguel X serpente

· perseguição na Idade Média

· termina com o remanescente.



Cap. 13 - transição:

a. vv. 1-10 besta que surge do mar- profecia

b. vv. 11-18 besta que surge da terra luta

Cap. 14- as três mensagens angélicas aparecem no fim e vemos a volta de Cristo. Portanto, nesta seção (capítulos 12 a 14) temos a transição entre os dois tipos de profecia:



1º parte: profecias históricas - 12-13:10;

2º parte: escatologia - 13:11-14:20 (e até o final do livro).



QUINTA LINHA PROFÉTICA - Caps. 15 a 18

Cena introdutória estabelecida no templo celestial:

15:5-8-7 anjos com~as 7 taças.

Cap. 16- pragas

Caps. 17 e 18- após as pragas.

A fumaça que toma conta do santuário indica que ninguém pode entrar no templo até que as pragas ocorram. Quando a glória preencheu o santuário no Antigo Testamento, Iniciou-se o ministério. Quando a fumaça o enche no Apocalipse, termina-se o serviço. Deus esconde o santuário com a Sua glória—fim do tempo da graça. (paralelismo com Ezeq. 10:4).

15:5 - “TABERNÁCULO DO TESTEMUNHO” - rio antigo santuário a testemunha do tabernáculo era os DEZ MANDAMENTOS, que estavam na arca, no santíssimo, portanto, temos aqui uma referência ao término do julgamento; o dia antitípico da expiação, e nos referimos a isto como o fechamento da porta da graça: o julgamento está terminado, ninguém mais pode ser salvo.

11:19 - ABERTURA DO JULGAMENTO

15:5-8 - ENCERRAMENTO DO JULGAMENTO


SEXTA LINHA PROFÉTICA - 19:1-10


Esta cena do santuário é um retomo aos capítulos 4 e 5, pois se trata da mesma cena. Mas as canções cantadas aqui são diferentes dos capítulos 4 e 5, pois dizem respeito ao fim do plano da salvação, em particular sobre o casamento do Cordeiro, é uma celebração do casamento, o tempo do casamento chegou, Cristo Se unirá a Sua igreja. Portanto, a cena do santuário é uma cena de celebração à medida que o plano da salvação se encerra.

Segue-se um quadro da segunda vinda da Cristo1 quando Ele sai do santuário, Seguem-se cenas proféticas após a segunda vinda, através do milênio, até a Nova Terra

LINHA DIVISÓRIA:

. Apoc. 21:1-8 - pertence à série de profecias precedentes, assim, a cena da Nova Jerusalém começa no capítulo 21, verso 9. Por quê? Ao se comparar os versos 1 e 10 vemos a Nova Jerusalém vindo para a Terra. Se pensarmos que isto está em ordem cronológica, concluiremos que a Nova Jerusalém vem à Terra duas vezes. E isto não acontece.

21:1-A Nova Jerusalém vem à Terra como final desta série de profecias.

21:9-Começa um quadro da Nova Terra e Nova Jerusalém - uma profecia independente no livro, que é a de número VII

SETIMA LINHA PROFÉTICA - Apoc. 21:9ss - A NOVA JERUSALEM

v. 22- na cidade não há templo - POR QUE? O plano da salvação está terminado.

Analisando as profecias precedentes, vemos que cada uma das seis começa com uma cena do santuário. Isto nos leva à introdução do curso - a doutrina do santuário mostra uma atividade contemporânea de Deus no céu, assim como mostra o santuário como o centro da salvação, o céu em atividade para salvar o homem, onde o Pai, Cristo e os anjos estão trabalhando em função da salvação do homem, e a execução do piano da salvação.

Cada uma das cenas do santuário em Apocalipse mostra onde a atividade do plano da salvação está centralizada; por isto as profecias se iniciam com cenas do santuário.

Ao chegarmos à última profecia, o plano da salvação já terminado, todos os cidadãos do reino reunidos, não há mais necessidade de um plano de salvação.

DESCRIÇÃO DA CIDADE: dimensões em todas as direções, diferentes pedras na fundação. De onde vem esta linguagem?

CHAVE: Apoc. 21:3- Tabernáculo de Deus estará com os homens”.

Construção do santuário: Deus deu as medidas do santuário (assim como dá as medidas da Nova Jerusalém); pedras com o nome das tribos no peito dos sacerdotes levadas à presença do Senhor (agora encontramos os nomes escritos nas portas [tribos] e nas pedras da fundação [apóstolos]).

O que o santuário tinha em uma menor escala, a Nova Jerusalém tem numa escala muito mais ampla, portanto, há uma comparação geral entre a Nova Jerusalém e o santuário do

· Formato de cubo do santíssimo.

· Pedras do alicerce lembram pedras do peitoral.

· Portões em 4 direções lembram os quatro pontos cardeais do santuário.

· Repleta referência à festa do tabernáculo.

· SKENOO — acampar, construir sua tenda ao lado da nossa (Apoc. 21:3 usa a mesma expressão de João 1:14).

· No santuário havia a cerimônia da água— na Nova Jerusalém há a água da vida e o apêlo final está relacionado com água.

· No santuário havia a cerimônia da luz — na Nova Jerusalém Cristo mesmo será a luz.


Assim, toda a cidade é um lugar santo, pois que é o lugar da habitação da Deus (Êxo. 25:8-9 - “E Me farão um santuário.., e habitarei no meio deles”.) Trocando uma palavra no verso teríamos: “E EU construirei uma cidade para habitar no meio- deles.”

Portanto, ao chegar à SÉTIMA LINHA PROFÉTICA, temos um senso da visão da santuário mas envolvendo toda a cidade em si mesma.

Zac. 14:16 - o propósito da velha Jerusalém será cumprido.

v. 20 - “Naquele dia será gravado nas campainhas dos cavalos: Santo ao Senhor; e as panelas na casa do Senhor serão como as bacias diante do altar.”

Tudo na cidade será santo, porque a santidade do Senhor permeará todas as coisas.

A última profecia, portanto, é que a cidade toda é um santuário; não se trata de uma cena introdutória para a profecia, mas é a profecia em si: a cidade é o santuário de Deus.

O Apocalipse é um livro de 7:

7 igrejas

7 selos

7 trombetas

7 pragas

7 linhas proféticas, dadas no dia.


RESUMINDO

Encontramos em Apocalipse, 7 seções, precedidas por um prólogo e encerradas por um epílogo, como segue:

Prólogo:1:1-8

1. 1:9-20 (Terra): 7 igrejas
2. 4:1-5:14: 7 selos
3. 8:2-6: 7 trombetas
4. 11:19: 7 cenas cósmicas: “Eu vi” - “KAI EDON”
5. 15:2-8: 7pragas
6. 19:1—10: 7 cenas cósmicas: “Eu vi”
7. 21:1-8: Nova Jerusalém

Epílogo: 22:6-21

Cada uma das seções é introduzida com uma visão do santuário.

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Questionamentos sobre a doutrina do Santuário

Há 12 questões básicas que têm sido levantadas por aqueles que têm questionado a doutrina do santuário. Elas podem ser divididas em três grupos: cinco se referem ao santuário celestial, três, ao santuário terrestre, e, quatro, têm a ver com interpretação profética. São as seguintes:



A. QUANTO AO SANTUÁRIO CELESTIAL:

1. Não há um santuário celestial.

2. Existe um santuário no Céu, mas não pode ser dividido em duas partes.

3. No Céu não há necessidade de limpeza ou purificação do santuário.

4. Jesus Cristo entrou no lugar santíssimo no ano 31 A.. D. para iniciar o dia da expiação. (O primeiro que popularizou esta idéia foi Ballenger (ver breve histórico sobre a vida de tal homem). O texto usado para sustentar tal idéia é Hebreus 6:19 — 20. Implicação: se isto é verdade, nada resta e nenhum significado existe em 1844. Brinsmead e Ford usam Hebreus 9 para reafirmar este ponto).

5. Não existe juízo investigativo. Fomos julgados na cruz, não o seremos no final dos tempos.

B. QUANTO AO SANTUÁRIO TERRESTRE:

6. Quando alguém cometia algum pecado automaticamente já tomava o santuário impuro (CONTAMINAÇÃO AUTOMÁTICA).

7. Quando o pecador recebia o perdão, automaticamente o santuário era purificado (sangue do animal — diariamente). O sangue entrava para purificar, não para contaminar. Sintetizando: o pecado contaminar o sangue purifica.

8. O bode AZAZEL representava Jesus Cristo.

C. QUANTO À INTERPRETAÇÃO PROFÉTICA:

9. Método de interpretação profética não historicista, mas preterista ou futurista.

10. Validade do principio dia = ano.

11. A Ponta Pequena de Daniel 8:14 é Antioco Epifânio. (A doutrina Adventista seria uma forma de mascarar o desapontamento de 1844. As profecias de Daniel 8 e 9 não começam na mesma época. O calendário rabínico diz que o dia da expiação em 1844 ocorreu em 21 de setembro e não em outubro).

12. E daí? Qual a relevância desta doutrina para a minha vida? (segundo eles, nenhuma).

Não vamos tratar aqui de responder a cada uma das questões outra vez, O estudo feito até aqui ja se encarregou disto. Queremos enfatizar apenas alguns pontos importantes:



Questões 1 e 2: EXISTÊNCIA DE UM SANTUÁRIO NO CÉU.

O estudo realizado até aqui já oferece evidências de sobra sobre a realidade de um

santuário no céu. Cremos, no entanto, ser interessante a análise da:



TIPOLOGIA DO SANTUÁRIO

As pessoas geralmente definem tipologia por sua imaginação ou por definição de dicionários, não através da Bíblia.

TUPOS — Há 5 passagens em que os autores do Novo Testamento interpretam o Artigo Testamento e chamam isto de TÚPOS:

1. Rom. 5:1—Adão, TÚPOS de Jesus Cristo.

2. 1 Cor. 10:6, 11 —o Êxodo, TUPOS da Igreja

3. 1 Pedro 3: 21 — o Dilúvio, ANTITUPOS do Batismo. (Anti pode significar contra, no lugar de; mas o uso mais comum é correspondendo a, portanto antítipo é correspondente ao tipo).

4. Heb. 8:5 — O Santuário como TU POS.

5. Heb. 9:24 — O Santuário como ANTITÚPOS.

O que é tipologia? Tipologia é o Estudo de tipos. Tipo é uma pessoa (Como por ex. Adão, um evento (como por ex. o Dilúvio), ou uma instituição (como por ex. o Santuário), que Deus divinamente criou para prefigurar ou apontar para Cristo e ou realidades do Evangelho referentes a Jesus Cristo.

Características:

— E uma realidade histórica. É algo real, não é algo, fruto da imaginação.

— É uma cópia (molde) do original. Em tipologia, o tipo não é o original. Vem tanto do que está na mente de Deus, como de uma figura original.

— Funciona como molde para dar a forma ao produto final. Os tipos do AI são reais, mas apontam para o produto final, estão moldando o produto final.

— O produto final invariavelmente obedecerá aos contornos do molde original.

— O produto final transcende o molde. Cumpre o propósito final do molde, mas é maior que

o próprio molde. Ex. Mat. 12: Jesus como antítipo é maior que todos os tipos apresentados

no AI).

— Pode ser controlado:

1. No VI— encontramos a identificação dos tipos.

Por exemplo: Êxodo 25:9, 40 — santuário terrestre tipo do celestial.

Santuário terestre: TABNIT (modelo, figura, sombra)- correspondente hebraico ao TÚPOS grego. Cópia que também serve para cópia.

Santuário celestial: original-ALETHINOS (verdadeiro)

Moisés faz referência a um MODELO EM MINIATURA do santuário Celestial. SP1RIIUAL GIFTS, vol. 4, pág. 5, E. G. White afirma que Moisés viu modêlo em miniatura.

2. Controle do NT — Como o tipo foi cumprido.

O NT cria um quadro fundamentado na escatologia.

Quando Jesus veio INAUGUROU os últimos dias.

— Quando Jesus vier vai CONSUMAR os últimos dias.

— Estamos vivendo hoje no meio (tempo do Espírito Santo). Ele nos habilita a usufruir o que Cristo inaugurou. E a fase da APROPRIAÇÃO.

Cada um dos tipos do AI tem o cumprimento em cada uma dessas fases.

1º Advento: JESUS - INAUGURAÇÃO

ESCATOLOGIA: Igreja - Espírito Santo - APROPRIAÇÃO

2º Advento: CONSUMAÇÃO

Questões 6,7 e 8: TRANSFERÊNCIA DE PECADOS e BODE AZAZEL



A transferência dos pecados era o coração do serviço diário. A transferência sempre era feita através do sangue.

A Escola Criticista nega esta realidade, argumentando que ao invés de ser feita por meio do sangue, a transferência ocorria automaticamente. É o que chamam de "contaminação automática", ou seja, o santuário, como um grande imã, atraia automaticamente o pecado dos indivíduos.

A Bíblia não ensina deste modo. Levítico 16:21, descrevendo o fim do serviço anual, deixa bem claro que o pecado era transferido pela imposição das mãos.

Por outro lado, conforme entendemos através de Levítico 4, quando o pecador colocava as mãos sobre o cordeiro e transferia assim o seu pecado, a pessoa era purificada e não o santuário.



DOIS TIPOS DE CONTAMINAÇÃO:

Ocorriam dois tipos de contaminação — Transferência Legal e Ilegal:

1. TRANSFERÊNCIA ILEGAL — Haviam algumas situacões em que o pecado automaticamente contaminava o santuário. Levítico 20:3 — TAM’E — Eram pecados terríveis, idolatria, sacrifício de crianças. Qual era a solução para este tipo de pecado? Era a execução (eliminar da congregação. O pecador era levado ao juízo divino. Não só a pessoa, mas a sua descendência era extirpada. Isto significava que o pecador não tinha mais história. Era como se nunca houvesse existido. II Crôn 36:14, Jer. 7:30 (idolatria); II Crôn. 29 (tempo de Ezequias e Josias, reconsagração do santuário).

2. TRANSFERÊNCIA LEGAL — Para a transferência "legal", a solução era o Dia da Expiação. Haviam dois modos de transferência ou contaminação "legal": através do sangue, diretamente, ou, através da carne comida pelo sacerdote.

Levítico 4 descreve 4 situações diferentes de pecados:

1. Sacerdote (v.3) O sacerdote toma o sangue e asperge no Lugar Santo, diante do Santíssimo.



2. Toda Congregação (v. 13—) O sacerdote toma o sangue e asperqe no Lugar Santo, diante do Santíssimo.



3. Príncipe ou Governante (v. 22—) O sangue não era levado para dentro do santuário. Era aspergido nas pontas do Altar de holocaustos. O sacerdote comia parte da oferta (um pedaço equivalente a uma azeitona). Deste modo, o pecado, ao invés de ser transferido diretamente para o santuário, o pecado era primeiro transferido para o sacerdote.



4. Pessoas Comuns (v. 27) O sangue não era levado para dentro do santuário. Era aspergido nas pontas do Altar de holocaustos. O sacerdote comia parte da oferta (um pedaço equivalente a uma azeitona). Deste modo, o pecado, ao invés de ser transferido diretamente para o santuário, o pecado era primeiro transferido para o sacerdote.



Levítico 10:17, 18; Levítico 6:24 — 30: Quando o sangue é levado, a carne não deve ser comida.



Porque esta diferença? Nos dois primeiros casos o sacerdote está envolvido no pecado, não pode carregar o pecado transferindo-o sobre si mesmo.

No caso em que a carne era comida, o pecado era transferido para o sacerdote. No Dia da Expiação o sacerdote oferecia uma oferta por ele, por sua família e por todos os pecados que carregava, deste modo, finalmente o pecado era transferido para o santuário.



O DIA DA EXPIAÇÃO — O que acontecia neste dia:

1. O DIÁRIO (OLAT IAMID) ainda prosseguia. Jesus não encerrou a oferta pelo pecado em 1844. Todo processo do TAMID ainda está em curso. Somos salvos hoje da mesma maneira como as pessoas eram salvas anteriormente. O que aconteceu é que Cristo acrescentou algo mais em Seu ministério.

2. Oferta pelo pecado do sacerdote

— Levítico 16:6, 11 — oferta especial pelos seus pecados e da sua família. Este era um

tipo de oferta que Jesus não precisou oferecer.

— O pecado era levado para dentro do santuário e o sacerdote finalmente está purificado.


3. O Bode do Senhor—O MISHINAH confirma o que pensamos,

— Lançava-se sorte para escolhê-lo.

É importante observar que quando o Mishinah descreve o bode do Senhor, deixa claro que não há imposição de mãos, logo ele não transfere pecados. Este sacrifício é uma exceção. É a única vez no ano em que as mãos não são colocadas sobre a cabeça do animal. Isto implica que o animal não levava nenhum pecado para dentro do santuário. Ele é diferente. Este é o sangue que liberta do pecado. Se o sangue não leva o pecado, ele está indo para limpá-lo.

—A função do sangue é purificar o santuário: é aspergido no santíssimo, no santo. Então, o sacerdote impunha suas mãos sobre o Bode Azazel.

4. O Bode Azazel

Azazel é o caminhão de lixo.

— O ritual de Azazel é eliminatório, nunca expiatório.

—Levítico 16:20, 21.

RAZÕES PORQUE AZAZEL É SÍMBOLO DE SATANÁS E NÃO DE JESUS:

A. Há no Oriente Próximo, da época de Moisés, documentos que apresentam um demônio com as mesmas características de Azazel.

B. No período posterior (Rabônico) Azazel é visto como um demônio.

O. Levítico 16:18 — implica em duas personalidades: um dos bodes é para um, o outro bode, para outro. LE — LE ADONAI (para o Senhor, pertencente ao Senhor). LE AZAZEL (para Azazel, pertencente a Azazel). Por inferência são 2 pessoas, 2 seres sobrenaturais.

D. O sangue de Azazel não é derramado. Ele não é morto. Não há sacrifício, Logo, não há expiação.

E. Levítico 16:20 — Azazel entra em cena após terminada a expiação.

É importante neste contexto considerar Levítico 16:10 que parece relacionar Azazel com a expiação. Há duas possíveis explicações para esta passagem:

1. A preposição pode significar não apenas sobre mas ao lado.

2. A palavra expiação em Hebraico é muito mais ampla que em nossa língua. É usada para tomar todas as coisas corretas (portanto envolve todo o processo).

F. Deut. 19:16-19 — A parte culpada deve receber a punição que está acusando no inocente. Apocalipse 12:10, 11 mostra que Satanás falha em nos acusar, porque já fomos perdoados por nosso substituto. E urna testemunha maliciosa, logo, deve receber toda a culpa que nos acusa.

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Implicações espirituais dos serviços do Santuário

Qual é nosso sentimento ao pensarmos no juízo?
— Apocalipse 54:7
— Eclesiastes 12

Davi clama 4 vezes para que Deus o Julgue logo:
— Salmo 7:8
— Salmo 26:1
— Salmo 35:24
— Salmo 43:3

Como Davi podia orar assim? Teria eu orado como Davi? Sim! Podemos orar como Davi orou!

Será que Davi não sabia sobre a gravidade dos pecados? Certamente que sabia. Davi era um grande pecador. Estava plenamente consciente da seriedade do juízo. No salmo 51, no entanto, ele mostra como estar seguro no juízo. Sua certeza baseia-se no que está revelado no verso 7:

"Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve." (Salmo 51:7)

HISSOPO — Pequena planta que crescia nas paredes e ia para a região leste do muro de Jerusalém. (O hissopo é, provavelmente, a manjerona, um pequeno arbusto que tem de altura cerca de 45 centímetros, com hastes direitas, delgadas e providas de folhas, possuindo além disso grandes espigas de pequenas flores. Tem um aroma picante, e nasce em muitos lugares, mesmo nos muros (1 Rs 4.33). (Éx 12.22; Lv 14.4; Jo 19.29; Hb 9.19.) Como as hastes da manjerona (e muito mais da alcaparra) são muito mais flexíveis, tem-se julgado também que em Jo 19-.29 está empregada a palavra- hissopo" por ‘hissos", a lança curta dos romanos.)

Os Israelitas tiravam esta planta, mergulhavam no sangue do cordeiro e com ela o colocavam no batente da porta no tempo da Páscoa.

Quando Davi ora as palavras do Salmo 51:7, está apresentando sua confiança no cordeiro vindouro. Ele entendeu que se fizesse isso, no juízo tudo seria diferente, porque o sangue do cordeiro já haveria apagado seus pecados.

Davi entendia também uma outra questão fundamental: o juízo divino NÃO É UM JUIZO DE CONDENAÇÃO. É claro que haverão condenados, mas o objetivo não é este: O JU1ZO DE DEUS É DE VINDICAÇAO. Davi entendia que no juízo ele seria vindicado de todas as acusações do inimigo.

O JUIZO É UMA BOA-NOVA

1. Porque Jesus já pagou o preço pelos nossos pecados. Se cada dia aceitarmos o sangue de Cristo, estaremos seguros. Isto, no entanto, é a coisa mais difícil, porque sempre estamos querendo fazer alguma coisa pela nossa salvação. Se confiarmos em Jesus podemos ter a certeza de que somos aceitos por Ele.

2. Porque Jesus é nosso substituto. (João 3:16; lsaias 53).

3. Porque Jesus é nosso advogado. (Heb. 7:25; 1 João 2:1). Frequentemente pensamos no juízo como um momento em que o pecador está só. Mas o quadro que a Bíblia nos apresenta é diferente: no juízo o advogado está de pé com seu braço em tomo do ombro de cada um de nós. E, é sempre bom lembrarmos que o advogado celestial nunca perdeu nenhum caso.

— Ele não é somente o advogado — é a testemunha verdadeira e fiel — nosso melhor amigo.

— E se isto não for suficiente, Jesus (o mesmo que assumiu a nossa carne e viveu a nossa experiência, que foi tentado em todas as coisas como nós) é o nosso Juiz.

O Pai é quem preside o julgamento (Daniel 7), mas João 5 diz que foi dado ao Filho o direito de julgar.

4. O juízo só pode ser uma notícia ruim se não aceitarmos o perdão de Jesus.

O Juízo, portanto, é uma questão pela qual devemos nos alegrar e rejubilar. Por que?

No dia da expiação a pessoa mais santa sobre a Terra (o Sumo Sacerdote) se dirigia ao lugar mais santo sobre a Terra (o lugar santíssimo), para operar o mais sagrado dos ofícios — a expiação. (No hebraico expiações, plural).

Era o dia mais santo durante o ano.
O único dia no ano em que o povo de Israel devia jejuar.
O mesmo se aplica ao antítipo.

Esta gravura aponta não só para a expiação, mas para uma apresentação equilibrada do Evangelho.

Analisemos Levítico:
— Os primeiros 15 capítulos de Levítico têm um tema centra: sangue (aparece mais de 90 vezes).
— Do capítulo 17 em diante o sangue quase desaparece. O tema central é santidade. —> No centro destas duas seções temos o ponto de transição: o dia da expiação.

Somos salvos totalmente pelo sangue do cordeiro: isto é justificação. Mas se temos aceito a Jesus, os frutos de santidade serão vistos em nossa vida: isto é santificação. O universo não pode ver nosso coração, mas pode ver nossos frutos. Os frutos de santidade revelam se a fé é real ou não.

O QUE DEVERÍAMOS ESTAR FAZENDO NO DIA DA EXPIAÇÃO?

Haviam 5 coisas que a congregação deveria praticar no dia da expiação (Levítico 16 e 23):
1. Levítico 23:27: Santa convocação. Todos deveriam se reunir. A reunião era provocada pela mente das pessoas focalizada no santuário.
2. Levítico 23: 27- up: Oferta queimada deveria ser oferecida ao Senhor. Isto significava que as pessoas deveriam estar identificadas com o trabalho do Sumo Sacerdote. (EIIen G. White diz que nos últimos dias só um tema irá prevalecer:Jesus Cristo Justiça nossa. Pregar sobre a cruz é pregar sobre o santuário).
3. Levítico 23:28: Não deveriam praticar nenhuma obra. Hebreus 4 fala como podemos descansar: passarmos a confiar totalmente na obra de nosso Sumo Sacerdote.
4. Levítico 23:27, 29, 32: Deveriam afligir a alma. Hebraico ‘ANAH — significa humilhar-se de tal modo que fique evidente que nos reconhecemos como nada. (Nossa tarefa diária deve ser prostrar-nos diante dos pés de Jesus.
5. Levítico 16:30: Purificação. O Sacerdote era quem os purificava. Através da contemplação nós somos purificados.

As mesmas passagens em Hebreus que falam sobre a inauguração do santuário, também falam sobre a nossa experiência:
— Hebreus 6:19
— Hebreus 4:16
— Hebreus 10:19
— Hebreus 12:22

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Análise do capítulo 8 de Daniel

Luiz Gustavo S. Assis

"Satanás odeia a verdade do Santuário, pois sabe que ela é a suprema verdade do Céu para hoje. Ela envolve diretamente a sua pessoa - seu destino e condenação, a sua futura e final extinção. Ele está procurando ganhar tempo. Deseja intensamente arrastar para a perdição o maior número de pessoas possível. Iniciará e estimulará, portanto, toda tentativa para modificar, reestruturar, deturpar ou alterar a ênfase e o conceito da verdade do Santuário, e invalidar o testemunho, reprimir seu ensino e corromper sua integridade."

Daniel 8

Uma das passagens mais complexas do estudo sistemático das Escrituras é o capítulo 8 do livro de Daniel. Trata-se de um capítulo que só se torna coerente e válido se aplicarmos a interpretação histórica (ver o artigo "Interpret Profética, por José Carlos Ramos), isto pode ser comprovado ao vermos o cumprimento da visão que o profeta nos apresenta durante a história e não no futuro, como alguns grupos religiosos estão apresentando. Começando no terceiro ano do reinado do Rei Belsazar, ou seja, por volta de 551 a.C. Daniel estava com aproximadamente 72 anos de idade, nessa ocasião ele teve uma visão (a palavra hebraica neste caso é Hazon), "na cidade de Susã, que é província de Elão." V.2. Susã estava situada no sudoeste da Pérsia e, "de acordo com o historiador grego Xenofonte, os reis persas posteriormente usavam a cidade como residência de inverno, e passavam o resto do ano em Babilônia ou em Ecbatana." (SDABC, sobre Daniel 8:2).

E foi também "na cidade de Susã", onde estava localizado o trono do Rei Assuero (Xerxes), que ocorreu a célebre história da rainha Éster. (Éster 1:2), ele se achava "junto ao Rio Ulai". O rio passava por Susã na direção sul e do sudeste, e desaguava no rio Karun."(SDABC, sobre Daniel 8:2). Analisamos até aqui a geografia e a história que envolve os dois primeiros versículos".

A visão apresenta alguns símbolos que merecem a nossa análise:

- Um Carneiro que tinha dois chifres ( v. 3): O anjo posteriormente identifica este símbolo como representando os reis da Média e da Pérsia (v. 20).

- Mais alto do que o outro (v. 3): Embora se tenha levantado posteriormente a Média, a Pérsia tornou-se o poder dominante quando Ciro derrotou Astíages de Média em 553 a.C ou 550 a.C. Os medos, contudo, não foram tratados como povo inferior ou subjugados, mais sim como confederados.

- Dava marradas para o ocidente (v. 4): Ciro conquistou a Lídia em 547 a.C, e Babilônia em 539 a.C. Cambises estendeu as conquistas na direção do sul até o Egito e Etiópia em 525 a.C. Dario Histaspes dirigiu para o norte para o norte contra os Cytas em 513 a.C. Império Medo-Persa cobriu muito mais território que o seu predecessor, Babilônia. Tão bem sucedidas foram as armas persas que nos dias de Assuero (Éster 1:1) o império se estendia da Índia à Etiópia. As extremidades meridionais e orientais do mundo então conhecido. Um título freqüente dos monarcas era "rei dos reis" ou "rei das nações".

- Se engrandecia ( v. 4): Literalmente, "fazia grandes coisas", "fez-se grande" ou "magnificou-se" (RSV).

- Bode (v.5): Identificado como representando a Grécia (v. 21) isso é, o império Macedônio de Alexandre.

- Do Ocidente (v. 5): A Grécia situava-se a ocidente do Império Persa.

- Sem tocar no chão (v. 5): Esta descrição de grande velocidade retrata apropriadamente a rapidez e perfeição espantosa das conquistas de Alexandre.

- Chifre Notável (v. 5): De acordo com o verso 21, este chifre notável representa o primeiro grande rei da Grécia, isto é, Alexandre o Grande.

- Enfurecido (v.7): Heb. Marar, na forma aqui encontrada, "estar enfurecido". A linguagem deste verso retrata a inteira sujeição da Pérsia a Alexandre. O poderio do império foi completamente despedaçado. Os países foram arrebatados, os seus exércitos desbaratados e dispersos, as suas cidades saqueadas. A cidade real de Persépolis, cujas ruínas ainda existem como um monumento do seu antigo esplendor, foi destruída pelo fogo.

- Se engrandeceu sobremaneira (v. 8): Ou, "magnificou-se extremamente."

- Na sua força (v. 8): A profecia prediz que Alexandre cairia enquanto o seu império estivesse no auge do seu poderio. Com a idade de 32 anos, ainda na primavera da vida, o grande líder morreu duma febre, agravada, sem dúvida, pela sua intemperança.

- Quatro Chifres notáveis (v. 8): Sobre os quatro reinos macedônicos (ou helenísticos) em que o império de Alexandre foi dividido.

- De um deles (v. 9): ( VARA - De um dos chifres saiu). Esta frase apresenta confusão de gênero no Hebraico. A palavra "deles" Hem, é masculina. Isto indica que gramaticalmente, o antecedente é "ventos" (v.8), e não "chifres", visto que "ventos" pode ser masculino ou feminino, mas "chifres" só pode ser feminino. Por outro lado à palavra para "um", Achath, é feminina, sugerindo "chifres" como antecedente. Achath poderia, evidentemente, referir-se à palavra anterior para "ventos", que ocorre mais freqüentemente no feminino. Porém é de se duvidar que o escritor tivesse determinado dois gêneros para o mesmo substantivo numa tão estreita relação contextual. Para se obter concordância gramatical, Achath seria mudada para masculino, fazendo assim a frase inteira referir-se claramente a "ventos", ou a palavra "deles" (de um dos) seria mudada para feminino, em cujo caso a referência seria ambígua, visto que tanto "ventos", como chifres "poderiam ser antecedentes. Um certo número de manuscritos reflete a escrita correta, a passagem ainda ambígua".

Os comentaristas que interpretam o "chifre pequeno" do v. 9 como se referindo a Roma, tem-se embaraçado ao tentarem explicar satisfatoriamente como Roma poderia ser dito levantar-se duma das divisões do império de Alexandre. Se "deles" se refere a "ventos", toda dificuldade desaparece. A passagem então simplesmente expõe que de um dos quatro pontos cardeais viria um outro poder. Roma veio do ocidente. Na explicação literal dos símbolos da visão Roma é dito levantar-se "no fim do seu reinado" (v. 23), isto é, o "reinado" dos quatro chifres. Contudo, o v. 23 refere-se somente ao tempo em que o chifre pequeno levantar-se-ia, e não diz nada a cerca do local do seu levantamento, enquanto que o v. 9 diz respeito exclusivamente à sua situação.

Dever-se-ia lembrar que o profeta esta dando aqui um relatório vivo da simbolização profética, como as cenas lhe foram apresentadas. Ele ainda não esta interpretando a visão. A interpretação desta feição da visão ocorre no v. 23. Uma regra importante a seguir-se quando se interpreta os símbolos das visões, é determinar-se uma interpretação somente as feições das representações pictóricas que forem destinadas a ter valor interpretativo. Como com parábolas, certas feições são necessárias para completar a apresentação dramática, porém não são, em si, necessariamente significativas. Quais destas tem valor interpretativo, somente a inspiração pode determinar. Vendo-se que neste exemplo a inspiração (v.23) fala somente do "tempo" em que o poder representado por este chifre emergiria, e não diz a respeito do ponto geográfico de sua origem, não existe razão alguma para pormos ênfase na frase "de um deles" (VARA- de um dos chifres).

Visto que a visão do cap. 8 é estreitamente paralela aos esboços proféticos dos capítulos 2 e 7, e visto que em ambos aqueles esboços o poder que sucede à Grécia é Roma, a adaptação razoável aqui é que o "poder" chifre do v. 9 também se aplica a Roma. Esta interpretação é confirmada pelo fato de Roma preencher precisamente as várias especificações da visão.

- Um Chifre Pequeno (v. 9): Este chifre pequeno representa Roma em ambas as suas fases, pagã e papal. Daniel viu Roma primeiramente na sua fase pagã, imperial, guerreando contra o povo judeu e os primeiros cristãos, e depois na sua fase papal, continuando a luta contra a verdadeira igreja até os nossos dias e até ao futuro.

- Excessivo (v.9): (VARA-muito). Hebraico Yether, basicamente significando "resto". Alguns exemplos descreve, como aqui, o que esta acima da medida, no sentido de deixar um resto. É traduzida "excelência" (Gen.49:3), "largura" (Sal.31:23), "mais famoso" (Isa.56:12). A palavra traduzida "muito" em Dan. 8:8 é Me'od, a palavra mais comum para "excessivamente". No Velho Testamento Me'od é traduzido "excessivo" ou "excessivamente" (VARA- Grande) 22 vezes ( Gen. 13:13 ; 15:1 ; etc.) na sua forma simples e 9 vezes na sua forma repetida. Não se pode argumentar que Yether (Daniel 8:9) represente um grau maior que Me'od. Qualquer grandeza excedente de Roma sobre a da Grécia deve ser provada historicamente, e não sobre a base destas palavras.

- Para o Sul (v.9): O Egito fora por muito tempo um protectorado não oficial de Roma. O seu destino já estava nas mãos de Roma em 168 a.C. quando Antíoco Epifânio, que estava querendo fazer guerra aos Ptolomeus foi expulso do país. O Egito, ainda sob a administração dos seus governantes ptolomaidas fora um penhor da política de Roma Oriental por muitos anos antes que se tornasse, em 30 a.C., uma província romana.

- Para o oriente (v. 9): O Império Selêucida perdeu as suas terras mais ocidentais para Roma ainda em 190 a.C., e finalmente se tornou à província romana da Síria em 65 a.C. ou pouco depois.

- Terra Deleitável (v.9): (VARA- Terra Gloriosa). Hebraico Sebi, "ornamento", "decoração", "glória". Ou Jerusalém ou a terra da Palestina é aqui mencionada. Sebi é traduzido "glorioso" no cap. 11:16,41. Contudo, ali o hebraico tem a palavra para "terra", enquanto que aqui terra "está subentendida. A Palestina foi incorporada no império Romano em 63 a.C.

- Exército dos Céus (v. 10): Daniel está ainda descrevendo o que viu em visão. Visto que o anjo prove posteriormente a interpretação (v. 24), não fomos deixados às escuras quanto ao significado do que aqui esta descrita. O "exército" e as "estrelas" obviamente representam "o poderoso (VARA- poderosos) e o povo santo" (v. 24).

- Os Pisou (v. 10): Isto se refere à fúria com que Roma tem freqüentemente perseguido o povo de Deus através dos séculos. Nos dias dos tiranos Nero, Décio e Diocleciano nos tempos pagãos, e de novo nos tempos papais, Roma nunca hesitou proceder duramente com aqueles que quer condenar.

- Príncipe do Exército (v. 11): o verso 25 fala deste mesmo poder que se levanta contra o Príncipe dos Príncipes. A referência é a Cristo, que foi crucificado sob a autoridade de Roma.

- Por Ele (v. 11): (VARA- dele). Hebraico Mimmennu, que também se pode traduzir "dele", isto é, do "príncipe do exército". O hebreu desta passagem apresenta certos problemas difíceis de traduzir. Uma escrita bem diferente é achada na versão grega de Teodócio. Ela insere o seguinte o seguinte: "E (este será) até que o capitão principal tenha libertado o cativeiro: e por causa dele o sacrifício foi perturbado e ele prosperou; e o lugar santo será feito desolado". Não existe meio de se determinar até que o ponto, se a algum, esta versão reflete mais perfeitamente o texto original de Daniel. O texto massorético, como refletido pela KJV e RSV parece ser, em geral, a escrita mais natural.

- Sacrifício Diário (v. 11): (VARA- Costumado). Hebraico TAMID, uma palavra que ocorre 103 vezes no Velho Testamento, usada tanto adverbial como adjetivamente. Significa "continuadamente" ou "contínuo", e é aplicado a vários conceitos, tais como atividade contínua (Ezequiel 39:14), sustentação permanente (II Sam. 9:7,13), dor contínua (Sal. 38:17), esperança contínua (Sal. 71:14), provação contínua (Isa. 65:3) etc. É usado freqüentemente em conexão com o Ritual do Santuário para descrever várias figuras dos seus serviços regulares tais como o "pão contínuo" que era para ser conservado na mesa da proposição (Num. 4:7), a lâmpada que era para estar acesa continuamente sobre o altar (Lev. 6:13), as ofertas queimadas que eram para ser oferecidas diariamente (Num. 28:3,6), o incenso que era para ser oferecido cada manhã e cada crepúsculo da tarde (Ex. 30:7,8). A palavra em si não significa "diariamente", mas simplesmente "contínuo" ou "regular". Das 103 ocorrências é traduzida "diariamente" somente Num. 4:16 e nas suas cinco ocorrências em Daniel (8:11,12,13; 11:31; 12:11). A idéia de "diário" foi evidentemente derivada, não da palavra em si, mas daquela com que foi associada.

No capítulo 8:11 TAMID, tem o artigo definido e é portanto usado adjetivalmente. Além disso, acha-se, sem um substantivo, e deve, ou, ser entendido subjetivamente com significado "continuidade", ou ser suprido de um substantivo. No Talmude, quando TAMID é usado independentemente como aqui, a palavra consistentemente denota o sacrifício diário. Os tradutores da KJV, que supriram a palavra "sacrifício", obviamente acreditaram que a oferta queimada diária fosse o assunto da profecia. Com respeito à significação de TAMID nesta passagem, três principais pontos de vista tem sido mantidos:

1. Que o "diário" se refere exclusivamente aos sacrifícios oferecidos no templo em Jerusalém. Alguns expositores que mantém este ponto de vista, aplicam o tirar do "diário" à interpretação do serviço do Templo por Antíoco Epifânio, por um período de cerca de três anos, de 167 a 164 a.C. Outros aplicam-no à desolação do Templo pelos Romanos em 70 a.D.

2. Que o "diário" se refere ao "paganismo", em contraste com a "abominação desoladora" (Cap. 11:31), ou o papado que ambos os termos identificam poderes perseguidores; que a palavra "diário", corretamente significando "Contínuo", refere-se à longa continuidade da oposição de Satanás à obra de Cristo pelo intermédio do paganismo; que o tirar do "diário" e o estabelecimento da "abominação desoladora" representa Roma Papal substituindo Roma pagã, e que este evento é o mesmo que o descrito em II Tess. 2:7 e Apoc. 13:2.

3. Que o termo "diário" - "contínuo" - se refere ao ministério sacerdotal de Cristo no Santuário Celestial ( Heb. 7:25 e Jo. 2:10) e ao verdadeiro culto de Cristo na era do evangelho; que o tirar do "diário" representa a substituição pelo papado de unidade compulsória numa igreja visível em lugar da unidade voluntária de todos os crentes em Cristo, da autoridade duma cabeça visível - o papa - em lugar de Cristo, a cabeça invisível da igreja, duma hierarquia sacerdotal, em lugar do acesso direto a Cristo por todos os crentes, dum sistema de salvação por meio de obras ordenadas pela igreja em lugar da salvação pela fé em Cristo, e, mais particularmente, do confessionário e do sacrifício da missa em lugar da obra mediadora de Cristo como nosso grande sumo sacerdote nas cortes celestiais; e que este sistema desvia completamente a atenção dos homens de Cristo, privando-lhes assim dos benefícios do seu ministério.

Além disso, visto que este terceiro ponto de vista defende o chifre pequeno com Roma imperial e Roma papal (veja-se comentários sobre 9,13), as predições concernentes as suas atividades devem também ser entendidas como se aplicando a Roma pagã, bem como a Roma Papal. Assim o "diário" deve também se se referir ao Templo Terrestre e seus serviços, e o tirar do "diário" aplica-se à desolação do Templo pelas legiões Romanas em 70 A.D e a conseqüente cessação dos serviços sacrificais. Foi este aspecto da atividade de "abominação da desolação" que Cristo se referiu na sua delineação de eventos futuros.

Em comentário a estes três pontos de vista, pode-se dizer que o de Antíoco deve ser riscado pela razão que este não se encaixa nos períodos de tempo, ou noutras especificações da profecia.

Tanto a segunda como a terceira interpretação tem sido mantida por vários expositores capazes dentro do Movimento Adventista. Algum devoto estudante da Bíblia tem considerado que o "diário" se ao paganismo, e outros, igualmente devotos estudantes das Escrituras, dizem que o "diário" se refere ao Ministério Sacerdotal de Nosso Senhor. Talvez esta seja uma das passagens da Escritura acerca de cujas devamos esperar até um dia melhor para uma resposta final. Como com outras passagens difíceis das Escrituras , a nossa salvação não depende da compreensão plena do significado de Daniel 8:11.

Sobre o desenvolvimento histórico do segundo e terceiro ponto de vista, vejam-se págs. 60-64 do SDABC, vol. 4.

- Lugar (v. 11): Hebraico MAKON, "sítio". MAKON é usado na frase "para a casa de Deus, para a restaurarem no seu lugar (Esd. 2:68). A referência primária aqui deve ser a destruição de Jerusalém".

- Hoste (v.12): (VARA - Exército). Hebraico SABA', geralmente significando "hoste" ou "exército" e poucas vezes significando "serviço", tais como militar ou trabalho forçado (Jô 7:1 ; 10:17 ; 14:14 ; Isa. 40:2). Interpretando como "hoste", ou "exército", a predição deve referir-se às multidões que caíram sob a influência deste poder. O poder tornar-se-ia "grande" mas não por sua própria força (Dan.8:24).

- Deitou Por Terra a Verdade (v. 12): O papado acumulou a verdade de tradições e ofuscou-a por meio de superstições.

- Até Quando (v. 13): A questão é claramente exposta no hebraico, que insere literalmente "Até quando a visão, o contínuo, a transgressão desoladora para dar ambos santuário e hoste para serem pisados".

- A transgressão da Desolação (v. 13): (VARA - transgressão assoladora). Este termo abarca AMBOS os sistemas - pagão e papal de religião falsa em conflito com a religião de Deus. (veja os comentários dos versos 9 e 11).

- Santuário (v. 13): Veja os comentários sobre o verso 14.

- Exército (v.13): Veja os comentários sobre o verso 10.

- Me Disse (v. 14): A Septuaginta, Teodócio e a Siríaca inserem "a ele".

- Dias (v. 14): Hebraico EREB BOQUER, literalmente, "tardes e manhãs", uma expressão comparável com a descrição dos dias da criação, "tarde e manhã" "o primeiro dia" (Gen. 1:5) etc. Os LXX trazem a palavra "dias" seguindo a expressão "tarde e manhã".

Num esforço para trazer este período grosseiramente semelhante aos três anos da devastação do Templo por Antíoco IV, alguns têm ingenuamente assinalado, para as expressões "duas mil e trezentas tardes e manhãs" somente 1150 dias literais. Concernente a isto, Keil adequadamente observou: "um leitor hebreu não poderia possivelmente entender o período de tempo de 2300 tardes e manhãs de 2300 meios dias ou 1150 dias inteiros, porque tarde e manhã na criação na criação constituíram não meio dia, mas sim o dia inteiro". Após citar a precedente afirmação Edward Young diz: "Por isso precisamos entender a frase como significando 2300 dias (The Prophecy Of Daniel, pág. 174)".

Os comentaristas têm-se esforçado, porém sem serem bem sucedidos, por encontrar algum evento histórico que se adaptasse ao período de 2300 dias literais. Segundo Wright observa: "Todos os esforços, contudo, para harmonizar o período, quer seja considerado por 2300 dias, ou como 1150 dias, com qualquer época histórica precisa mencionada nos livros dos Macabeus, ou em Josefo, tem-se mostrado baldados... O professor Driver é justificado ao afirmar: Parece impossível encontrarem-se dois eventos separados por 2300 dias (= 6 anos e quatro meses) que correspondem à descrição". (Charles H. H. Wrigth, Daniel and His Prophecies, 1906, págs. (186,187). O único caminho a seguir-se para que se possa dar consistência a esses "dias" é aplica-los num sentido profético pela aplicação do princípio dia-ano.

O tempo aqui envolvido é específico e definido, porém no cap. 8 nenhuma data é indicada para o seu inicio. Contudo no cap. 9 uma tal data é especificamente mencionada (Dan. 9:25). Esta será demonstrada ser 457 a.C. A partir desta data como inicio, os 2300 dias proféticos, designando tantos anos solares, atingem 1844 a.D. Para uma consideração de evidência contextual de que o cap. 9:24-27 prove uma explicação da visão do cap. 8:13-14, e assim localiza o ponto de partida dos 2300 dias ou ano, veja-se o comentário sobre o cap. 9:21. Para comentários sobre a validade da data de 457 a.C. veja-se o comentário sobre o cap. 9:25.

Para comentários sobre um erro numa edição posterior dos LXX, que apresentou "2400" em vez de 2300 veja-se pág. 58, SDABC, Vol. 4.

- Santuário (v. 14): Visto que os 2300 projetam-se longe da Era Cristã, o Santuário não pode referir-se ao templo de Jerusalém, que foi destruído em 70 a.D. O Santuário do novo pacto é claramente o Santuário no Céu, "que o Senhor erigiu, não o homem" (Hebreus 8:2). Deste Santuário Cristo é o Sumo Sacerdote (Hebreus 8:1). João previu um tempo em que especial atenção seria dirigida para "o templo (VARA- Santuário) de Deus, e seu altar, e os que nele adoravam" (Aposse. 11:1). Os símbolos empregados pelo revelador são extraordinariamente semelhantes aos empregados em Daniel 8:11-13.

- Será Purificado (v. 14): Do hebraico SADAQ, "ser justo", "ser reto". O verbo ocorre na forma aqui encontrada (niphal) somente esta vez no Velho Testamento, cujo termo esta indicada. Lexicógrafos e tradutores sugerem várias significações, tais como "ser posto reto", ou "ser posto numa condição legítima", "ser vindicado". A tradução "será purificado" é a que se lê nos LXX que aqui tem a forma verbal KATHARISTHESETAI. Não se sabe se os tradutores da Septuaginta deram uma significação adaptada ao Hebraico SADAQ ou se traduziram de manuscritos que empregassem uma palavra hebraica diferente, talvez TAHAR, a palavra comum para "ser puro", "purificar". A vulgata tem a forma MUDABITUR, que também significa "puruficado".

Como uma ajuda para determinação de que evento em conexão com o Santuário Celeste é aqui mencionado, é útil examinarem-se os serviços do Santuário Terrestre, porque os sacerdotes no Santuário Terrestre serviam "em figura e sombra das cousas celestes." (Heb. 8:5). Os serviços no Tabernáculo do deserto e no Templo consistiam de duas divisões principais, o diário e o anual. O Ministério diário de Cristo como nosso Sumo Sacerdote era tipificado nos serviços diários. O Dia da Expiação anual, tipificava uma obra que Cristo empreenderia no fim dos tempos. Para uma discussão mais detalhada destas duas fases do serviço, veja-se comentários sobre Lev. 16, SDABC. A profecia de Daniel 8:14 anuncia o tempo para o começo desta obra especial. A Purificação do Santuário Celestial compreende toda obra toda obra do juízo final, começando com a fase investigativa e terminando com a fase executiva, que resulta na erradicação permanente do pecado no universo.

Uma característica significante do juízo final é a reivindicação do caráter de Deus perante todas as inteligências do Universo.

As falsas acusações que Satanás tem apresentado contra o governo de Deus devem ser demonstradas como totalmente infundadas. Deus deve ser mostrado ter sido inteiramente reto na seleção de certos indivíduos para suprir o Seu Reino futuro, e no evitar a entrada de outros ali. Os atos finais de Deus evocarão dos homens as confissões: " Justo e verdadeiros são os teus caminhos" (Apocalipse 15:3), "Tu és justo, ò Senhor" (Apoc. 16:5), e, "Verdadeiros e justos são os Teus juízos".(Apoc. 16:7). A palavra traduzida para "justo" e "reto" é DIKAIO, equivalente ao Hebraico SADDIK, derivado de SADAQ, uma forma do que é traduzido "será purificado" em Daniel 8:14. Assim o Hebraico SADAQ pode exprimir o pensamento adicional de que o Caráter de Deus será plenamente reivindicado como o clímax para a "hora do seu juízo" (Apoc. 14:7). Que começou em 1844.

Veja-se PROBLEMS IN BIBLE TRANSLATION, págs. 174-177.

- Procurei Entende-la (v. 15): Daniel não compreendeu o significado do que vira. Muitas vezes os próprios portadores de uma mensagem profética precisam estuda-lá a fim de que descubram o seu significado (I Pe. 1:10-12). É dever do profeta relatar fielmente o que vira e ouvira (Apoc. 1:11)

- Gabriel (v. 16): No Velho Testamento o nome de Gabriel ocorre somente aqui e no verso 21 do capítulo 9. O Novo Testamento relata o aparecimento deste ser celeste para anunciar o nascimento de João Batista (Luc. 1:11-20), e de novo para anunciar a Maria o nascimento do Messias (Luc. 1:26-33). O visitante angélico declarou de si mesmo: "Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus". (Luc. 1:19).

- Tempo do Fim (v. 17): A visão atingiu até um tempo em que o poder desolador seria destruído, um acontecimento associado com a Vinda de Jesus (II Tess. 2:8).

O Fato de que os últimos acontecimentos representados na visão cumprir-se-ão no fim da história deste mundo, deve ser trazido em mente quando se busca uma interpretação dos símbolos da visão. Qualquer exposição que encontra um cumprimento completo da visão num período mais cedo, tal como no tempo dos Macabeus (veja o comentário sobre Dan. 8:25), fica incapacitada de encontrar cabalmente as especificações do anjo, e deve ser considerada errônea e desencaminhadora.

- Fim da Indignação (v. 19): Veja comentário sobre o verso 17.

- O Carneiro (v. 20): Veja comentários sobre os versos 3 e 4.

- Peludo (v. 21): "Cabeludo", ou "peludo". Essa palavra no original é também usada independentemente para descrever um bode. (Gen. 37:31 ; Lev. 4:23 ; etc.). Sobre a interpretação veja o comentário sobre Dan. 8:5.

- Chifre Grande (v. 21): Um símbolo de Alexandre o grande, o "primeiro rei" do império mundial Grego-Macedônio que foi destinado a substituir o Império Persa (vejam-se comentário sobre os versos 5-8).

- Quatro Reinos (v. 22): Compare-se com o verso 8; cap. 11:4. O cumprimento perfeito desta feição da visão assegura-nos, que o que se segue seguramente virá a acontecer como esta predito.

- Último Tempo (v. 23): (VARA- fim do seu reinado). Isto é depois que as divisões do Império de Alexandre tivessem existido por algum tempo. O império de Roma levantou-se gradualmente, e somente alcançou supremacia após as divisões do império Macedônio se terem enfraquecido. A profecia aplica-se a Roma em ambas as suas formas, pagã e papal. Parece haver uma confusão de aplicação; certas feições aplicam-se a ambas, outras, mais especificamente, a uma ou a outra. (veja o comentário sobre o verso 11). Que Roma papal foi para todos os propósitos práticos, a continuação do Império Romano é um fato da história bem estabelecido:

" Quaisquer que foram os elementos romanos que os bárbaros e os Arianos deixaram... foram... postos sob a proteção do Bispo de Roma, que foi a pessoa principal depois do desaparecimento do Imperador... A IGREJA ROMANA DESTA MANEIRA SECRETAMENTE PRECIPITOU-SE NO LUGAR DO IMPÉRIO MUNDIAL ROMANO, DE CUJO ELA É A ATUAL CONTINUAÇÃO; o império não mas somente sofreu uma transformação... Essa não é uma sagas observação, mas o reconhecimento do verdadeiro estado do assunto historicamente, e a mais apropriada e frutífera maneira de descrever o caráter desta igreja. Ela ainda governa as nações... Ela é uma criação política, e como se impõe como um Império Mundial, por causa da continuação do Império Romano. O Papa, que se chama a si mesmo de "Rei" e "Pontífice Máximo", é sucessor de César".

Adolf Harnack, WHAT IS CHRISTIANITY? - Nova Iorque; G. P. Putnam's Sons, 1903 (págs. 269,270 itálicos no original).

- Os Transgressores (v. 23): (VARA- prevaricadores). Nas versões gregas inserem "pecados", uma tradução que se pode obter do hebraico por uma mudança na pontuação massorética.

- Atingirem a Plenitude (v. 23): (VARA- prevaricadores - acabarem). Talvez haja aqui uma referência a várias nações, ou, possivelmente, especialmente aos judeus, que encheram a taça da sua iniqüidade.

- Catadura Feroz (v. 23): Provavelmente uma alusão a Deuteronômio 28:49-55.

- Sentenças Escuras (v. 23): (VARA - intrigas). Hebraico CHIDOTH, "relatório enigmáticos", como em Números 12:8, "enigmas", como em Juízes 14:12; Ezequiel 17:2, ou "perguntas perplexas", como em I Reis 10:1. Alguns crêem que o significado aqui seja "discurso ambíguo" ou "de duas caras".

- Levantar-se-á (v. 23): Isto é: assumirá o poder.

- Não Por Sua Própria Força (v. 24): Compare-se com: "O exército lhe foi entregue" (v.12). Alguns vêm aqui uma referência ao fato de que o papado reduziu o poder civil à subserviência e fez a espada do estado ser manejada a favor dos seus objetivos religiosos.

- Causará Estupendas Destruições (v. 24): Este poder perseguiu mesmo à morte aqueles que se opuseram as suas pretensões blasfemas, e teria extinguido "o povo santo" não tivesse o Senhor se interposto aos seus objetivos.

- Astúcia (v. 25): Melhor, "fraude". Os métodos deste poder são a perfeição em subtilezas e fraudes.

- Pela Paz (v. 25): (VARA-que vivem despreocupadamente). Melhor, "enquanto vivem facilmente", isto é: enquanto muitos pensam que estão vivendo em segurança serão destruídos inopinadamente. O Dr. Mervyn Maxwell em seu livro "Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel", página 192, faz uma alusão a este versículo comparando com "o Massacre de São Bartolomeu".

- Príncipes dos Príncipes (v. 25): Evidentemente o mesmo ser designado por "príncipe dos exércitos" no v. 11, ninguém mais senão Cristo. Foi um governador romano que sentenciou Cristo à morte. Mãos romanas pregaram-no na cruz, e uma lança romana furou o Seu lado.

- Sem Mãos (v. 25): Isto implica que o próprio Senhor eventualmente destruirá este poder (Dan. 2:34). O sistema eclesiástico representado por este poder continuará até ser destruído sem mãos humanas na segunda Vinda de Cristo.

Um certo número de comentaristas tem realçado o ponto de vista de que o "chifre pequeno" do cap. 8 simboliza a carreira de Antíoco Epífânio. Contudo um exame cuidadoso da profecia torna evidente a imperfeição com que este perseguidor rei Selêucida preenche as especificações realçadas. Os quatro chifres do bode (cap. 8:8) foram reinos (v. 22), e é natural esperar-se ser o chifre pequeno também um reino. Porém Antíoco foi somente um rei do império Selêucida, daí o ter sido apenas uma parte de um chifre. Portanto não poderia ter sido UM OUTRO chifre completo. Além disso, este chifre se tornou muito forte para o sul, para o oriente e para a terra gloriosa, ou seja, a Palestina (v. 9). O avanço de Antíoco no Egito terminou em humilhação da parte dos romanos, os seus sucessos na Palestina foram pouco duradouros, e o seu esforço no sentido do oriente foi interrompido pela sua morte. A sua política de fortalecer o Helenismo falhou totalmente e a sua astúcia não lhe trouxe prosperidades salientes (v.12).

Além disso, Antíoco não apareceu no fim (v. 23), mas sim cerca da metade do período dos divididos reinos helenísticos; a sua força dificilmente seria atribuída a algo mais, senão ao seu poder próprio; a sua astúcia e política falharam mais do que progrediram (v. 25); não se levantou contra nenhum "Príncipe dos Príncipes" judeu (v. 25); o seu lançamento da verdade por terra (v. 12), foi temporário e completamente mal sucedido, por ter levado os judeus à defesa de sua fé contra o Helenismo. Mesmo embora tenha falado palavras altivas, oprimindo o povo de Deus, e brevemente profanado o Templo, o ainda que alguns outros pontos possam ser provados como parcialmente verdadeiros de suas atividades, não obstante a disparidade de Antíoco como um cumprimento de muitas especificações da profecia é óbvia.

- Da Tarde e Da Manhã (v. 26): Uma clara referência à profecia do tempo do v. 14 (ver os comentários sobre o seguinte versículo). Neste verso o anjo não dilata a visão dos 2300 dias, mas meramente põe ênfase a sua veracidade.

- Preserva (v. 26): Compara-se com instruções registradas no cap. 12:4.

- Por Muitos Dias (v. 26): O cumprimento dos vários detalhes da visão estender-se-ia para o futuro distante.

- Eu Daniel Enfraqueci (v. 27): Daniel estava, sem dúvida, profundamente interessado nos acontecimentos que lhe tinham sido revelados. Em vez de predizer um fim imediato da indignação, Gabriel informou ao profeta que o fim derradeiro seria muitos anos no futuro.

RELACIONAMENTO TIPOLÓGICO ENTRE DANIEL 8 E LEVÍTICO.

Seria correto, razoável, analisar Levítico para compreender a profecia em Daniel?

Os evangélicos na concordam com isto, não crêem que Daniel tenha qualquer relacionamento com Levítico. Vejamos, porém, alguns aspectos em Daniel 8 que apontam diretamente para Levítico, e o ponto central é que Daniel 8 é uma profecia sobre o santuário e, se queremos considerar alguma pare da Bíblia que fala direta e extensamente sobre o santuário, só encontramos em Levítico. Estudar Daniel 8 sem estudar Levíticos é deixar de lado a mais importante de informação.

1. Carneiro - Os animais de Daniel 8 contrastam com Daniel 7 - neste os animais são bestas/feras, enquanto;

2. Bode - naquele são animais domésticos, que se USAVAM NOS SACRIFÍCIOS.

3. Chifres - após se quebrar o grande chifre na cabeça do bode, quatro outros crescem em seu lugar. Num jogo de palavras com um israelita daquele tempo, se falássemos "quatro chifres", a idéia associada seria "altar" (os chifres do altar).

4. Santuário - a palavra é utilizada três vezes na profecia.

5. Tamid - palavra que é usada para ministração - ocorre 30 vezes no VT em relação ao santuário.

6. Tarde/manhã - tempo do santuário (Deus indicava o tempo através da nuvem).

7. Santo (Daniel 8:13) - a palavra usada no VT para anjo é MALA´K. mas não é este termo empregado aqui. SANTO é um título raro no VT, Por que a palavra em relação a anjos? Porque são santos e estão servindo num santo lugar. O que é este santo lugar? O SANTUÁRIO, Isto foi demonstrado no próprio santuário: querubins sobre o propiciatório e figuras de anjos nas cortinas.

Portanto, estes itens estabelecem a ligação entre Daniel e Levítico e é perfeitamente lógico buscar informações sobre o santuário no livro de Levítico.

Estudo feito por Luiz Gustavo S. Assis, baseado no Comentário Bíblico Adventista de Daniel (1963), na apostila "Sermões Doutrinários" do Dr. Alberto R. Timm, no livro do Dr. Mervyn Maxwell "Uma Nova Era Segundo As Profecias de Daniel", na apostila "Profecia Bíblica" feita pelo Dr. José Carlos Ramos e na apostila "Estudos Sobre Santuário" feita pelo Pastor Carlos Alvarenga.

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O Ministério de Cristo no Santuário Celestial

É chegada a hora do sacrifício da tarde. O sacerdote está em pé no pátio do templo de Jerusalém, pronto para oferecer um cordeiro como sacrifício. Ergue o cutelo para imolar a vítima, mas nesse momento a Terra sofre uma convulsão. Aterrorizado ele solta o cutelo e o cordeiro escapa. Por sobre o estrondo do terremoto, ele houve um alto ruído de algo que se rasga, enquanto mãos invisíveis partem o véu do templo de alto a baixo.

Fora da cidade, nuvens negras envolvem uma cruz. Quando Jesus, o Cordeiro Pascal de Deus, exclama: "Está Consumado!", Ele morre pelos pecados do mundo. O tipo encontrava o antítipo. O próprio evento ao qual os serviços do templo haviam apontado durante séculos, acabara de ocorrer. O Salvador completara Seu sacrifício expiatório, e pelo fato do símbolo haver encontrado a realidade, os rituais que antecipavam esse sacrifício haviam sido ultrapassados. Por essa razão, o véu rasgou-se, o cutelo caiu das mãos do sacerdote e o cordeiro escapou.

Há mais, porém, em relação à história da salvação. A questão vai além da cruz. A ressurreição e a ascensão de Jesus dirigem nossa atenção para o santuário celestial onde, não mais como Cordeiro, mas como sacerdote Ele ministra. O sacrifício foi oferecido uma vez por todas (Hebreus 9:28); agora Ele torna disponíveis a todos os benefícios de Seu sacrifício expiatório.

O Santuário Celestial
Deus instruiu Moisés quanto à construção do lugar em que, na Terra, Ele iria habitar (Êxodo 25:8); tratava-se do santuário, o qual funcionou sob o primeiro (velho) concerto (Hebreus 9:1). Esse era o lugar no qual se ensinava ao povo o caminho da salvação. Cerca de 400 anos mais tarde, o templo permaneceu em Jerusalém, construído pelo rei Salomão, ocupou o lugar do tabernáculo transportável de Moisés.
Depois que Nabucodonosor destruiu o templo, os exilados que retornaram de Babilônia construíram o segundo templo, que foi mais tarde embelezado grandemente por Herodes, o Grande; este último templo foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C.

O Novo Testamento revela que o novo concerto também possui seu templo, e este se encontra no Céu. Nele Cristo trabalha como sumo sacerdote "à direita do trono da Majestade". Esse santuário é o "verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem" (Hebreus 8:1 e 2).1 No monte Sinai, foi mostrado a Moisés um "modelo", cópia ou miniatura do santuário celestial (Êxodo 25:9 e 40).2 As Escrituras identificam o santuário mosaico como "figura das coisas que se acham nos Céus" e "figura do verdadeiro" santuário (Hebreus 9:23 e 24). O santuário terrestre e seus serviços nos provêem, portanto, vislumbres especiais no tocante ao papel do santuário celestial.

Em toda a sua extensão, a Escritura revela a existência de um templo ou santuário no Céu (por exemplo, Salmo 11:4; Salmo 102:19; Miquéias 1:2 e 3).3 Em visão, o apóstolo João contemplou o santuário de Deus, que se acha no Céu (Apocalipse 11:19). Ele chegou a contemplar os itens que constituíram o modelo para mobília que ocupava o espaço do lugar santo do santuário terrestre, tais como (Apocalipse 8:3). Viu também a arca da aliança, que no santuário terrestre ocupava o Santo dos Santos (Apocalipse 11:19).

O altar do incenso do santuário celestial acha-se situado diante do trono de Deus (Apocalipse 8:3; Apocalipse 9:13), que se localiza no templo celestial de Deus (Apocalipse 4:2; Apocalipse 7:15; Apocalipse 16:17). Portanto, a cena do trono celestial de Deus (Daniel 7:9 e 10) ocorre no templo ou santuário celestial. É por essa razão que os juízos finais de Deus partem de Seu templo (Apocalipse 15:5 a 8).

Torna-se claro, portanto, que as Escrituras apresentam o santuário celestial como um lugar efetivamente existente (Hebreus 8:2), não como uma metáfora ou abstração.4 O santuário celestial é o lugar primário de habitação de Deus.

O Ministério no Santuário Celestial

A mensagem do santuário era uma mensagem de salvação. Deus utilizou os seus serviços para proclamar o evangelho (Hebreus 4:2). Os serviços do santuário terrestre eram "uma parábola para a época presente" até o tempo da primeira vinda de Cristo (Hebreus 9:9 e 10). "Através dos símbolos e rituais Deus propôs, por meio desse evangelho-parábola, focalizar a fé de Israel no sacrifício e ministério sacerdotal do Redentor do mundo, o 'Cordeiro de Deus' que haveria de remover todo o pecado do mundo (Gálatas 3:23; João 1:29)." 5

O santuário ilustra três fases do ministério de Cristo: (1) sacrifício substitutivo, (2) mediação sacerdotal e (3) julgamento final.

O sacrifício substitutivo. Todos os sacrifícios do santuário simbolizava a morte de Jesus para o perdão dos pecados, revelando a verdade de que "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hebreus 9:22). Esses sacrifícios ilustravam as seguintes verdades:

1. Deus julga o mundo - Pelo fato do pecado constituir uma profunda rebelião contra tudo o que é bom, puro e verdadeiro, ele não pode ser ignorado. "O salário do pecado é a morte..." (Romanos 6:23).
2. A morte substitutiva de Cristo - "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas... mas o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós" (Isaías 53:6). "Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras" (I Coríntios 15:3).
3. Deus provê o sacrifício expiatório - Esse sacrifício é "Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé" (Romanos 3:24 e 25). "Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós; para que nEle fôssemos feitos justiça de Deus" (II Coríntios 5:21). Cristo, o Redentor, assumiu sobre Si o julgamento do pecado. Portanto, Cristo foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia. '... pela Suas pisaduras fomos sarados' (Isaías 53:5)." 6

Os sacrifícios do santuário terrestre eram repetitivos. Tal qual uma história, esse ritual - parábola da redenção - era contado e recontado ano após ano. Em contraste, o Antítipo - o verdadeiro sacrifício expiatório, a morte do Senhor - ocorreu no calvário uma vez por todas (Hebreus 9:26 a 28; Hebreus 10:10 a 14). Na cruz, a penalidade pelo pecado humano foi plenamente paga. A justiça divina foi satisfeita. Sob a perspectiva legal, o mundo havia sido restaurado ao favor divino (Romanos 5:18). A expiação, ou reconciliação, foi completada na cruz, conforme antecipada pelos sacrifícios, e o pecador penitente pode confiar plenamente nessa obra do Senhor, concluída.7

O Mediador Sacerdotal

* Se o sacrifício expiou os pecados, por que era necessário um sacerdote?

O papel do sacerdote chamava atenção para a necessidade de mediação entre os pecadores e um Deus santo.
A mediação sacerdotal revela a gravidade do pecado e a alienação que ele ocasionou entre um Deus sem pecado e a criatura pecaminosa. "Assim como cada sacrifício antecipava a morte de Cristo, assim cada sacerdote antecipava o ministério mediatório de Cristo como sumo sacerdote no santuário celestial. 'Portanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem' (I Timóteo 2:5)." 8

1. Mediador e expiação - A aplicação do sangue expiatório durante o ministério mediatório dos sacerdotes era também vista como uma forma de expiação (Levítico 4:35). Em inglês, o termo atonement (expiação) implica reconciliação entre duas partes que se achavam rompidas. Assim como a morte expiatória de Cristo reconciliou o mundo com Deus, assim a Sua mediação, ou aplicação dos méritos de Sua vida sem pecado e morte substitutiva, faz da reconciliação ou expiação com Deus uma realidade pessoal para o crente.

O sacerdócio levítico ilustra o ministério redentor que Cristo tem desempenhado desde a Sua morte. Nosso Sumo Sacerdote, que serve "à destra do trono da Majestade nos Céus", trabalha como "ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem" (Hebreus 8:1 e 2). O santuário celestial é o grande centro de comando, de onde Cristo conduz Seu ministério sacerdotal em favor de nossa salvação. Ele é capaz de "salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hebreus 7:25). Portanto, somos estimulados a nos aproximar "confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em, ocasião oportuna" (Hebreus 4:16).

No santuário terrestre, os sacerdotes desempenhavam dois ministérios distintos - o ministério diário no lugar santo, ou primeiro compartimento, e o ministério anual no lugar santíssimo, ou segundo compartimento. Esses serviços ilustravam o ministério sacerdotal de Cristo.9
2. O ministério no lugar santo - O ministério sacerdotal no lugar santo do santuário poderia ser caracterizado como um ministério de intercessão, perdão, reconciliação e restauração. Sendo contínuo provia contínuo acesso a Deus, através do sacerdote. Simbolizava a verdade de que o pecador arrependido dispõe de imediato e contínuo acesso a Deus através do ministério sacerdotal de Cristo como intercessor e mediador (Efésios 2:18; Hebreus 4:14 a 16; Hebreus 6:20; Hebreus 9:24; Hebreus 10:19 a 22).

Quando o pecador penitente vinha ao santuário com um sacrifício, depunha as mãos sobre a cabeça do inocente animal e confessava seus pecados. Esse ato transferia simbolicamente seus pecados e penalidade para a vítima. Como resultado, ele obtinha perdão de suas transgressões.10 Assim estabelece The Jewish Encyclopedia:

* "A deposição de mãos sobre a cabeça da vítima é um rito comum, pelo qual são efetuados a substituição e a transferência de pecados." "Em cada sacrifício acha-se presente a idéia de substituição; a vítima assume o lugar do pecador humano." 11

O sangue da oferta pelo pecado era aplicado de duas formas:

1. Se ele fosse levado para o lugar santo, era aspergido diante do véu interno e colocado nos cantos do altar de incenso (Levítico 4:5 a 7; Levítico 4:17 e 18).
2. Se não era conduzido para o lugar santo, sua colocação era feita nos cantos do altar de holocausto, no pátio (Levítico 4:25 e 30). Nesse caso, o sacerdote comia parte da carne do sacrifício (Levítico 6:25, 26 e 30). Em ambos os casos, os participantes entendiam que seus pecados e responsabilidades eram transferidos ao santuário e seu sacerdócio.12

"Nesta parábola ritual o santuário assumia a culpa e a responsabilidade do penitente - pelo menos durante certo tempo - quando o penitente oferecia a oferta pelo pecado, confessando seus erros. Ele saía dali perdoado, certo da aceitação divina. Assim, no serviço antítipo, quando um pecador é levado pelo Espírito Santo a aceitar a Cristo como seu Salvador e Senhor, Cristo assume seus pecados e responsabilidade. Ele é perdoado graciosamente. Cristo é o Fiador do crente, bem como o seu Substituto." 13

Tanto no tipo quanto no antítipo, o ministério do lugar santo centraliza-se primariamente no indivíduo. O ministério sacerdotal de Cristo providencia o perdão do pecador e sua reconciliação com Deus (Hebreus 7:25). "Em consideração a Cristo, Deus perdoa o pecador arrependido, imputa-lhe o reto caráter e a obediência de Seu Filho, perdoa seus pecados, e registra seu nome no Livro da Vida, como um dos Seus filhos (Efésios 4:32; I S. João 1:9; II Coríntios 5:21; Romanos 3:24; Lucas 10:20). E a medida que o crente permanece em Cristo, a graça espiritual lhe é mediada através de nosso Senhor, por meio do Espírito Santo, de modo que ele alcança maturidade espiritual e desenvolve as virtudes e graças que refletem o divino caráter (II Pedro 3:18; Gálatas 5:22 e 23)".14 O ministério no lugar santo efetua a justificação e santificação do crente.

O Julgamento Final

Os eventos do Dia da Expiação ilustram as três fases do divino julgamento final. São elas:

1. O "julgamento pré-milenial" ou "juízo investigativo", que também é conhecido como julgamento pré-Advento";
2. O "julgamento milenial" e
3. O "julgamento executivo", que ocorre ao final do milênio.

O Ministério no Lugar Santíssimo

A segunda divisão do ministério sacerdotal acha-se centralizada primariamente no santuário, tendo a ver com a purificação do santuário e do povo de Deus. Essa forma de ministério, que focalizava o lugar santíssimo do santuário e que podia ser desempenhada tão-somente pelo sumo sacerdote, limitava-se a um único dia do calendário religioso.

A purificação do santuário requeria dois bodes - o bode do Senhor e o bode emissário (Azazel, em hebraico). Ao sacrificar o bode do Senhor, o sumo sacerdote efetuava a expiação pelo "santuário [na verdade, 'santuário' em todo este capítulo refere-se ao lugar santíssimo], pela tenda da congregação [o lugar santo], e pelo altar [o pátio]" (Levítico 16:15 a 21).
Tomando o sangue do bode do Senhor, o qual representava o sangue de Cristo, e levando-o para o interior do lugar santíssimo, o sumo sacerdote aplicava-o diretamente, na própria presença de Deus, ao propiciatório - a cobertura da arca, dentro da qual estavam contidos os Dez Mandamentos - a fim de satisfazer as exigências da santa Lei de Deus.
Sua ação simbolizava o imensurável preço que Cristo teria de pagar pelos nossos pecados, revelando quão ansioso Deus Se sente por efetuar a reconciliação de Seu povo consigo mesmo (II Coríntios 5:19). Então, o sumo sacerdote aplicava esse sangue ao altar do incenso e ao altar dos holocaustos, os quais haviam sido diariamente aspergidos com o sangue que representava os pecados confessados. Dessa forma, o sumo sacerdote efetuava a expiação pelo santuário, bem como pelo povo, efetuando assim a purificação de ambos (Levítico 16:15 a 21; Levítico 16:30 a 33).

Passo seguinte, representando a Cristo como mediador, o sumo sacerdote assumia sobre si próprio os pecados que haviam poluído o santuário e os transferia para o bode vivo, Azazel, o qual era então conduzido para fora do acampamento do povo de Deus. Este ato removia os pecados do povo, os quais a esta altura haviam sido simbolicamente transferidos dos crentes arrependidos para o santuário através do sangue ou da carne dos sacrifícios do ministério diário de perdão. Desde modo o santuário era purificado e preparado para mais um ano de atividade ministerial (Levítico 16:15 a 21; Levítico 30:37).15 E assim todas as coisas eram colocados em ordem entre Deus e Seu povo.16

Vemos assim que o dia da expiação ilustra o processo de julgamento que lida com a erradicação do pecado. A expiação levada a efeito nesse dia "prefigurava a aplicação final dos méritos de Cristo a fim de banir a presença do pecado por toda a eternidade, e para empreender plena reconciliação do Universo, sob o governo harmonioso de Deus".17

* Azazel, o Bode Emissário.

"A tradução 'bode emissário', do hebraico azazel, provém da Vulgata, com a expressão 'caper emissarius', ' bode a ser mandado embora' (Levítico 16:8).18 O exame cuidadoso de Levítico 16 revela que azazel representa Satanás, e não Cristo, conforme alguns têm imaginado. Os argumentos que apóiam esta interpretação, são:

"(1) O bode emissário não era morto como sacrifício, e assim não poderia ser usado como um meio para trazer o perdão, uma vez que 'sem derramamento de sangue não há remissão' (Hebreus 9:22);

(2) O santuário era inteiramente purificado pelo sangue do bode do Senhor antes que o bode emissário fosse introduzido no ritual (Levítico 16:20).

Estudando com atenção, nota-se que a passagem trata o bode emissário como um ser pessoal que é o oposto, e se opõe, a Deus. Levítico 16:8 diz literalmente:

* 'Um para o Senhor, o outro para Azazel'. - Portanto, na compreensão da parábola do santuário, é mais coerente ver o bode do Senhor como símbolo de Cristo e o bode emissário - Azazel - como símbolo de Satanás." 19

Nisto Cremos, CPB, 4.ª ed.,1997, pág.408.
As Diferentes Fases do Julgamento

O ritual do bode emissário no dia da expiação apontava para além do Calvário, ao fim do último problema do pecado - o banimento deste e de Satanás. A "plena responsabilidade pelo pecado será devolvida a Satanás, o seu originador e instigador. Satanás e seus seguidores, bem como todos os efeitos do pecado, serão banidos do Universo por meio da destruição.
A expiação através do julgamento, portanto, fará brotar um Universo plenamente reconciliado e harmonioso (Efésios 1:10). Este é o objetivo que a segunda e última fase do ministério de Cristo como sacerdote do santuário celestial irá atingir".1 Esse julgamento testemunhará a vindicação final de Deus diante do Universo.2 O Dia da Expiação retratava as três fases do julgamento final:

a. A remoção dos pecados do santuário relaciona-se com a primeira fase - investigativa, ou fase pré-Advento - do julgamento. Ela "focaliza os nomes anotados no Livro da Vida, assim como Dia da Expiação focalizava a remoção dos pecados confessados do penitente, do santuário, falsos crentes serão eliminados; a fé dos genuínos crentes e sua união com Cristo serão reafirmados perante o Universo leal, e os registros de seus pecados serão apagados".3

b. O banimento do bode emissário para o deserto simbolizava a prisão de Satanás durante o milênio, na desolada Terra; este milênio começa por ocasião do Segunda Advento e coincide com a segunda fase do julgamento final, a qual ocorre no Céu (Apocalipse 20:4; I Coríntios 6:1 a 3). Este julgamento milenial envolve a revisão do julgamento dos maus e será empreendido em benefício dos remidos, ao conceder-lhes o vislumbre do trato de Deus com o pecado e com aqueles pecadores que não se salvarão. Será respondida assim qualquer pergunta que os salvos possam ter a respeito da justiça e da misericórdia de Deus.

c. O acampamento purificado simboliza os resultados da terceira fase do julgamento, a fase executiva, quando o fogo destruirá os maus e purificará a Terra (Apocalipse 20:11 a 15; Mateus 25:31 a 46; II Pedro 3:7 a 13).

O Santuário Celestial na Profecia

Na discussão anterior (O Ministério de Cristo no Santuário Celestial - Parte I), focalizamos o santuário a partir da perspectiva de tipo e antítipo. Queremos agora examiná-lo a partir da perspectiva profética.

* A Unção do Santuário Celestial.

A profecia das 70 semanas de Daniel 9 apontava para a inauguração do ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial. Um dos últimos eventos, que deveria ocorrer durante os 490 anos, era a unção do "santo dos Santos" (Daniel 9:24). A expressão hebraica godesh godeshim, que foi traduzida como "santíssimo", significa literalmente "Santos dos Santos". A frase seria melhor traduzida, portanto, como "ungir o Santo dos Santos" (como, convém observar, ela realmente aparece na Versão Almeida Revista e Atualizada).
Assim como em sua inauguração o santuário terrestre foi ungido com óleo sagrado a fim de que tal ato o consagrasse para os seus serviços, assim, em sua inauguração, o santuário celeste também deveria ser consagrado para o ministério intercessório de Cristo. Com Sua ascensão pouco tempo depois de Sua morte (Daniel 9:27), Cristo iniciou Seu ministério como Sumo Sacerdote e intercessor.

* A Purificação do Santuário Celestial.

Falando do santuário celestial, o livro de Hebreus afirma: "Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue: e sem derramamento de sangue não há remissão. Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que se acham nos Céus se purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios a eles superiores" - o precioso sangue de Cristo (Hebreus 9:22 e 23). Vários comentaristas bíblicos têm observado este ensinamento bíblico:

Henry Alford assinalou que "o próprio Céu necessitava, e obteve purificação através do sangue expiatório de Cristo".4

B. F. Westcott comentou: "Pode-se dizer que mesmo as 'coisas celestiais', na extensão em que personificam as condições da futura vida do homem, adquiriram pela Queda alguma coisa que necessitava ser purificada." Foi o sangue de Cristo, disse Westcott, que se achava disponível "para a purificação do celestial arquétipo do santuário terrestre." 5

Assim como os pecados do povo de Deus eram pela fé transferidos para a oferta pelo pecado e então simbolicamente transportados para o santuário terrestre, assim, sob o novo concerto, os pecados confessados pelo penitente são pela fé colocados sobre Cristo.6

De modo como durante o Dia da Expiação típico a purificação do santuário removia os pecados que já se haviam acumulado, assim o santuário celestial é purificado pela remoção final de todos os pecados registrados nos livros celestiais. Mas antes que os registros sejam finalmente limpos, serão eles examinados a fim de ser determinar quem, através de arrependimento e fé em Cristo, está apto a entrar em Seu reino eterno. Portanto, a purificação do santuário celestial envolve uma obra de juízo investigativo7 que reflete plenamente a natureza do Dia da Expiação como dia de julgamento.8

Este julgamento, ratifica as decisões quanto a quem deverá estar entre os salvos e quem estará entre os perdidos. Deve ocorrer antes da Segunda Vinda, pois por ocasião do Segundo Advento, Cristo deverá retribuir "a cada um segundo as suas obras" (Apocalipse 22:12). Naquela oportunidade também serão respondidas as acusações de Satanás (Apocalipse 12:10).
Todos aqueles que verdadeiramente se arrependeram e pela fé reclamaram o sangue do sacrifício expiatório de Cristo, terão assegurado o perdão. Quando seus nomes forem chamados a julgamento e se constatar que eles estão revestidos pelo manto da justiça de Cristo, seus pecados serão apagados e eles serão considerados dignos da vida eterna. (Lucas 20:35).
"Aquele que vencer", disse Jesus, "será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus anjos" (Apocalipse 3:5).

O profeta Daniel revela a natureza desse julgamento investigativo. Enquanto o poder apóstata simbolizado pelo chifre pequeno leva avante suas blasfêmias e sua obra de perseguição contra Deus e Seu povo na Terra (Daniel 7:8, 20, 21 e 25), tronos são colocados no Céu e Deus preside a sessão do tribunal nesse julgamento final. Ele ocorre na sala do trono do santuário celestial e é assistido por milhões de testemunhas celestiais. Quando o tribunal entra em funcionamento, os livros são abertos, assinalando o início do processo de investigação (Daniel 7:9 e 10). Somente depois desse julgamento é que o poder apóstata é destruído (Daniel 7:11).9

A Ocasião do Julgamento

Tanto o Pai quanto Cristo acham-Se envolvidos no juízo investigativo. Antes de Seu retorno à Terra nas "nuvens do Céu", Cristo, na qualidade de "Filho do homem" vem "com as nuvens do Céu" até o "Ancião de Dias", Deus Pai, e posta-Se diante dEle (Daniel 7:13). Desde o momento de Sua ascensão, tem Jesus Cristo trabalhado como Sumo Sacerdote, nosso intercessor diante de Deus (Hebreus 7:25). Mas nessa oportunidade, Ele vem para receber o reino (Daniel 7:14).

* O eclipse do ministério sacerdotal de Cristo.

Daniel 8 fala-nos a respeito da controvérsia entre o bem e o mal e do triunfo final de Deus. Esse capítulo revela que no espaço decorrido entre a inauguração do ministério sumo-sacerdotal de Cristo e a purificação do santuário celestial, um poder terrestre haveria de obscurecer o ministério de Cristo.

O carneiro da visão representava o império Medo-Persa (Daniel 8:2) - sendo que dois chifres, o mais alto apareceu por último, retratando claramente as duas fases do império, em que os persas dominantes entraram em cena por último. Conforme Daniel predissera, esse reino oriental exaltava o seu poder "para o ocidente, e para o norte, e para o sul", e assim se engrandeceria (Daniel 8:4).

O bode macho que vinha do ocidente simbolizava a Grécia, com o seu grande chifre, o "rei primeiro" representando Alexandre, o Grande (Daniel 8:21). Provindo "do ocidente", Alexandre rapidamente derrotou os persas. Depois, dentro de poucos anos após a sua morte, o império foi dividido em "quatro reinos" (Daniel 8:8 e 22) - os reinos de Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu.
"No fim de seu reinado" (Daniel 8:23), ou, em outras palavras, próximo ao fim do dividido império grego, erguer-se-ia um "chifre pequeno" (Daniel 8:9). Alguns consideram Antíoco Epifânio, um rei sírio que governou sobre a Palestina durante curto período no segundo século a.C., como sendo o cumprimento desta porção da profecia.
Outros, incluindo a maioria dos reformadores, têm identificado este chifre pequeno como Roma, tanto na fase pagã quanto na fase papal. Esta última interpretação corresponde exatamente às especificações dadas por Daniel, ao passo que a outra não o faz.10 Observe os seguintes pontos:

a. O poder do chifre pequeno estende-se desde a queda do império grego até o "tempo do fim" (Daniel 8:17). Somente Roma pagã e papal, preenche essas especificações quanto ao tempo.

b. As profecias de Daniel 2, 7 e 8 correm paralelamente. Os quatro metais da imagem de Daniel 2, assim como as quatro bestas de Daniel 7 representam os mesmos impérios mundiais: Babilônia, Medo-Persa, Grécia e Roma. Tanto os pés de ferro e barro como os dez chifres do quarto animal representam as divisões do império romano; esses estados divididos deveriam continuar até o Segundo Advento. Observe que ambas as profecias indicam que Roma sucederia a Grécia, e que ela seria o último império antes da Segunda Vinda de Cristo e do julgamento final. O chifre pequeno de Daniel 8 encaixa-se na mesma moldura; sucede a Grécia e é destruído de modo sobrenatural, ou "sem mão humana" (Daniel 8:25, Daniel 2:34).11

c. A Medo-Persa é identificada como "grande", a Grécia é apresentada como "muito grande" e o chifre pequeno como "excessivamente grande" (Daniel 8:4, 8 e 9). Roma, um dos maiores impérios mundiais, preenche bem esta especificação.

d. Somente Roma expandiu o seu império para o sul (Egito), para o leste (Macedônia e Ásia Menor) e para a "terra gloriosa" (Palestina), exatamente como predissera a profecia (Daniel 8:9).

e. Roma ergueu-se contra o "Príncipe do exército", o "Príncipe dos príncipes" (Daniel 8:11 e 25), que é ninguém menos que Jesus Cristo. "Contra Ele e Seu povo, assim como contra o Seu santuário, o poder de Roma desenvolveu a mais extraordinária guerra. Esta descrição cobre tanto a fase pagã quanto a fase papal de Roma. Enquanto Roma pagã atingiu a Cristo e até mesmo destruiu o templo de Jerusalém, Roma papal efetivamente obscureceu o ministério mediatório, sacerdotal de Cristo em favor dos pecadores no santuário celestial (Hebreus 8:1 e 2), ao instituir um sacerdócio que pretende oferecer perdão através da mediação humana." 12 Esse poder apóstata alcançaria bastante êxito, pois "deitou por terra a verdade; fez isto e prosperou" (Daniel 8:12). [Veja também em Próximos do Fim: A restauração da verdade]

Nisto Cremos, CPB, 4.ª ed.,1997, pág.408.

O Tempo de Restauração, Purificação e Julgamento
Deus não permitiria que o eclipsamento da verdade relativa ao ministério sumo-sacerdotal de Cristo prosseguisse indefinidamente. Através de homens e mulheres fiéis e tementes a Deus, Ele reavivaria Sua causa. A reforma redescobriu parcialmente o papel de Cristo como nosso Mediador, o que ocasionou grande reavivamento no seio do mundo cristão. Contudo, havia ainda outras verdades a serem reveladas acerca do ministério celestial de Cristo.
A visão de Daniel indicara que o papel de Cristo como nosso sumo sacerdote tornar-se-ia especialmente notável no "tempo do fim" (Daniel 8:17), quando Ele começasse Sua obra especial de purificação e julgamento, em adição ao Seu contínuo ministério intercessório (Hebreus 7:25).1 A visão especifica o momento em que Jesus deveria começar seu antitípico ministério do dia da expiação - a tarefa de juízo investigativo (Daniel 7) e purificação do santuário - "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado" (Daniel 8:14).2 Uma vez que a visão se refere ao tempo do fim, o santuário aqui mencionado não pode ser o santuário terrestre - pois este já havia sido destruído em 70 d.C. Portanto, a profecia se refere ao santuário do novo concerto no Céu - o lugar em que Jesus ministra em favor de nossa salvação.

* O que são os 2300 dias ou "2300 tardes e manhãs", segundo o original hebraico? 3

De acordo com Gênesis 1, "tarde e manhã" equivale a um dia. Um período de tempo em profecia simbólica também é simbólico: um dia profético representa um ano. Assim, de acordo com o que muitos cristãos ao longo dos anos têm acreditado, os 2300 dias de Daniel 8 significam 2300 anos literais.4

a. Daniel 9: a chave para desvendar Daniel 8.

Deus comissionou o anjo Gabriel a fazer o profeta Daniel "entender a visão" (Daniel 8:16). Mas o impacto das informações foi tão grande, que Daniel adoeceu e Gabriel teve de descontinuar a explicação. Encerrando o capítulo 8, Daniel observou: "Espantava-me com a visão, e não havia quem a entendesse" (Daniel 8:27).

Em virtude dessa interrupção, Gabriel teve de retardar a explicação relativa ao período de tempo envolvido - o único aspecto da visão que ainda não havia sido explicado. Daniel 9 descreve o seu retorno com o objetivo de completar a tarefa. Portanto, Daniel 8 e 9 acham-se conectados, sendo o segundo a chave para com a qual desvendamos o mistério dos 2300 dias.5 Quando Gabriel apareceu, disse a Daniel: "No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim para to declarar... considera, pois, a coisa, e entende a visão." (Daniel 9:22 e 23).

Ele está se referindo retroativamente à visão dos 2300 dias. Seu desejo de explicar os elementos de tempo da visão de Daniel 8 torna claro por que ele começa sua explicação referindo-se a profecia das setenta semanas.

As setenta semanas, ou 490 anos, estavam "determinada" ou "decretadas" para os judeus e Jerusalém (Daniel 9:24). O verbo hebraico subjacente é chathak. Embora esse verbo seja usado somente uma vez nas Escrituras, seu significado pode ser compreendido a partir de outras fontes hebraicas.6 O conhecido dicionário hebraico-inglês de Genesius estabelece que o significado apropriado do termo é "cortar", ou "dividir".7

A partir desta retrospectiva, os comentários de Gabriel são muito reveladores. Ele diz a Daniel que os 490 anos devem ser cortados - ou separados - do período maior de 2300 anos. Como ponto inicial dos 490 anos, Gabriel refere-se à ordem "para restaurar e para edificar Jerusalém" (Daniel 9:25), o que ocorreu em 457 a.C., o sétimo ano do reinado de Artaxerxes.8

Os 490 anos finalizaram em 34 d.C.. Ao separarmos 490 anos dos 2300 anos, restam ainda 1810 anos. Uma vez que os 2300 anos deveriam estender-se 1810 anos para além do ano 34 d.C., concluímos que devam alcançar o ano de 1844.9

b. Procurando uma compreensão mais plena do ministério de Cristo.

Durante a porção inicial do décimo nono século, muitos cristãos - incluindo batistas, presbiterianos, medotistas, luteranos, anglicanos, episcopais, congregacionalistas e discípulos de Cristo - dedicaram estudo intensivo às profecias de Daniel 8.10 Todos esses estudiosos da Bíblia aguardavam que algum acontecimento muito significativo ocorresse ao final dos 2300 anos. Dependendo de sua compreensão do poder do chifre pequeno e do santuário, eles esperavam que esse período profético terminasse com a purificação da Igreja, com a libertação da Palestina e de Jerusalém, com o retorno dos judeus, com a queda do poder turco ou muçulmano, com a destruição do papado, com a restauração do verdadeiro culto, com o início do milênio terrestre, com o dia do juízo, com a purificação da Terra pelo fogo, ou com o Segundo Advento.11
Nenhuma dessas predições se materializou, e todos os que nelas criam se desapontaram. A profundidade de seu desapontamento ocorreu na proporção da natureza do evento predito. Obviamente o desapontamento daqueles que aguardavam o retorno de Cristo em 1844 foi mais traumático do que o daqueles que aguardavam o retorno dos judeus para a Palestina.12

Como resultado de seu desapontamento, muitos desistiram de estudar as profecias ou abandonaram o método historicista de interpretação das profecias, o qual os havia conduzido àquelas conclusões.13 Alguns, entretanto, prosseguiram no estudo das profecias e do assunto do santuário com muita oração e dedicação, focalizando o ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial, em seu favor. Novos e preciosos vislumbres desse ministério recompensaram seus esforços. Descobriram que a histórica fé profética da igreja primitiva e da Reforma ainda era válida. O cálculo do período profético estava correto. Os 2300 anos haviam findado em 1844. Seu equívoco - e de todos os intérpretes daquela oportunidade - foi quanto a sua compreensão de qual evento haveria de ocorrer ao final daquele período profético. Nova luz no tocante ao ministério de Cristo no santuário converteu o desapontamento daquelas pessoas em esperança e alegria.14

Seus estudos dos ensinamentos bíblicos no tocante ao santuário revelaram que em 1844 Cristo veio ao Ancião de Dias e começou a fase final de sumo-sacerdócio no santuário celestial. Esse ministério representava o antítipo do Dia da Expiação com sua purificação do santuário, que Daniel 7 retrata como juízo investigativo do período pré-advento.

Essa nova visão do ministério celestial de Cristo "não representava um afastamento da fé cristã histórica. Ela é, na verdade, o complemento lógico e a consumação inevitável dessa fé. É simplesmente o aparecimento e o cumprimento, nos últimos dias, da ênfase profetizada que caracterizaria o evangelho eterno... no segmento final de seu testemunho ao mundo." 15

A relação com o Grande Conflito

As profecias de Daniel 7 e 8 expõem as perspectivas mais amplas do resultado final da grande controvérsia entre Cristo e Satanás.

A Vindicação do Caráter de Deus.

Através das atividades do chifre pequeno, Satanás tem tentado desafiar a autoridade de Deus. Os atos desse poder têm lançado opróbrio e pisoteado o santuário celestial, o centro do governo de Deus. As visões de Daniel indicam um julgamento pré-advento no qual Deus emitirá o veredicto de condenação sobre o chifre pequeno, e dessa forma sobre o próprio Satanás. À luz do Calvário, todos os desafios de Satanás serão refutados. Todos chegarão a entender e a concordar que Deus é justo; que Ele não tem responsabilidade pelo problema do pecado. Seu caráter emergirá inatacável e Seu governo de amor será reafirmado.

A Vindicação do Povo de Deus.
Ao mesmo tempo que o julgamento trará condenação ao poder apóstata do chifre pequeno, ele também é empreendido para fazer "justiça aos santos do Altíssimo" (Daniel 7:22). Efetivamente, esse julgamento não apenas vindicará a Deus perante o Universo, mas também o Seu povo. Embora os santos possam ter sido desprezados e perseguidos em virtude da fé em Cristo, conforme o foram ao longo dos séculos, o julgamento recoloca as coisas nos devidos lugares.
O povo de Deus concretizará a promessa de Cristo: "Portanto, todo aquele que Me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de Meu Pai que está nos Céus." (Mateus 10:32; Lucas 12:8 e 9; Apocalipse 3:5).

Julgamento e Salvação.

* Porventura o juízo investigativo ameaça a salvação daqueles que crêem em Cristo Jesus?

De modo nenhum. Crentes genuínos vivem em união com Cristo, confiando nEle como intercessor (Romanos 8:34). Sua segurança é a promessa de que "temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo" (I João 2:1).

* Por que, então, o julgamento investigativo antes do Advento?

Ele não ocorre para benefício da divindade. Destina-se, antes, primeiramente ao benefício do Universo, servindo para responder às acusações de Satanás e para garantir aos seres não caídos que Deus permitirá a entrada em Seu reino tão-somente daqueles que verdadeiramente se converteram. Dessa forma Deus abre os livros de registro a fim de permitir uma inspeção imparcial (Daniel 7:9 e 10).

Os seres humanos pertencem a uma das três classes: (1) os ímpios, que rejeitam a autoridade de Deus; (2) crentes genuínos que, mediante a confiança nos méritos de Cristo pela fé, vivem em obediência à Lei de Deus; e (3) aqueles que parecem ser cristãos genuínos mas não o são. Os seres caídos conseguem discernir facilmente a primeira categoria. Mas... quem é crente genuíno e quem não é? Ambos os grupos têm seus nomes escritos no Livro da Vida, o qual contém os nomes de todos os que alguma vez entraram no serviço de Deus (Lucas 10:20; Filipenses 4:3; Daniel 12:2; Apocalipse 21:27). A própria Igreja tem em suas fileiras crentes genuínos e crentes falsos, o trigo junto com o joio (Mateus 13:28 a 30).

As criaturas não caídas de Deus não são seres oniscientes; não conseguem ler os corações. "Assim se faz necessário um julgamento - antes da segunda vinda de Cristo - a fim de separar o verdadeiro do falso e para demonstrar ao Universo expectante a justiça de Deus em salvar o crente sincero. A questão tem a ver com Deus e o Universo, não com Deus e o Seu filho verdadeiro. É necessária a abertura dos livros de registro, a exposição daqueles que professam fé e cujos nomes foram anotados no Livro da Vida.16

Cristo retratou esse julgamento através da parábola dos convidados à ceia de casamento que respondem ao generoso convite do evangelho. Pelo fato de nem todos que decidem ser cristão serem efetivamente genuínos discípulos, o Rei reconhece a necessidade de inspecionar os convidados e ver quem possui os trajes nupciais. "Pela veste nupcial da parábola é representado o caráter puro e imaculado, que os verdadeiros seguidores de Cristo possuirão. Foi dado à Igreja 'que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante' (Apocalipse 19:8; Efésios 5:27). O linho fino, diz a Escritura, 'é a justiça dos santos' (Apocalipse 19:8). A justiça de Cristo, Seu próprio caráter imaculado, é, pela fé, comunicada a todos os que O aceitam como Salvador pessoal." 17

Quando o Rei inspecionar os convidados, somente aqueles que estiverem vestidos das vestimentas da justiça de Cristo, tão graciosamente oferecidas no convite evangélico, serão aceitos como genuínos crentes. Aqueles que professam ser seguidores de Deus mas vivem em desobediência e não estão cobertos pela justiça de Cristo, serão apagados do Livro da Vida (Êxodo 32:33).

O conceito de um juízo investigativo de todos aqueles que professam fé em Cristo não contradiz o ensino bíblico da Salvação unicamente pela fé através da graça. Paulo sabia que um dia ele próprio enfrentaria o juízo. Diante desse fato, expressou o desejo de "ser achado nEle, não tendo justiça própria, que procede da lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé" (Filipenses 3:9). Todos os que estão unidos a Cristo possuem a certeza da salvação. Na fase pré-advento do último julgamento, os crentes genuínos, aqueles que possuem uma relação salvadora com Cristo, recebem afirmação perante o universo não caído.

Contudo, Cristo não pode assegurar a salvação àqueles que apenas professam ser cristãos com base nas boas obras que praticam (Mateus 7:21 a 23). Os registros celestiais, portanto, são mais do que apenas um ferramenta que serve para separara os genuínos dos falsos. Também representam o alicerce para confirmação dos crentes genuínos diante dos anjos.
"Longe de roubar ao crente de sua certeza em Cristo, a doutrina do santuário a sustenta. Ela ilustra e esclarece à mente do seguidor de Cristo, sobre o plano da salvação. Seu coração penitente regozija-se ao perceber a realidade da morte substitutiva de Cristo em favor de seus pecados, conforme prefigurada nos sacrifícios. Adicionalmente, sua fé alcança as alturas a fim de encontrar significado num Cristo vivo, que é o seu Advogado sacerdotal na própria presença santa de Deus." 18

Tempo de Estarmos Prontos

Deus deseja que as boas novas desse último ministério salvador de Cristo seja levada a todo o mundo antes do retorno de Jesus. Nessa mensagem, o ponto central é o evangelho eterno, o qual deve ser pregado num sentido de urgência, pois "É CHEGADA A HORA DO SEU JUÍZO" (Apocalipse 14:7). Esse chamado adverte o mundo de que o julgamento de Deus está ocorrendo exatamente agora.

Estamos vivendo hoje no grande dia antitípico da expiação. Tal como os israelitas eram convocados para afligir a alma naquele dia (Levítico 23:27), assim Deus chama a todo o Seu povo para experimentar arrependimento de todo o coração. Todos os que desejarem conservar seu nome no Livro da Vida devem ajustar suas contas com Deus e com seus semelhantes durante este tempo do julgamento de Deus (Apocalipse 14:7).

O trabalho de Cristo como sumo sacerdote aproxima-se do fim. Os anos da provação humana estão se escoando.19 Ninguém sabe em que momento a voz de Deus proclamará: "Está Feito!" "Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo." (Marcos 13:33).
Embora vivamos no soleníssimo tempo do dia antitípico da expiação, não necessitamos temer. Jesus Cristo, em Sua dupla capacitação de sacrifício e sacerdote, ministra em nosso favor no santuário celestial. Uma vez que temos "a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os Céus, conservemos firmes a nossa confissão.
Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-Se das nossa fraquezas, antes foi Ele tentando em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemos-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, afim de recebemos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna." (Hebreus 4:14 a 16).

Nisto Cremos, CPB, 4.ª ed.,1997, pág.408.

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