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12 de dezembro de 2008

O Concílio de Laodicéia

A. B. Christianini

Tornou-se costume, a apresentação de falsos ensinos sobre o Concílio de Laodicéia, visando tirar-lhe toda autoridade legislativa para a igreja romana. O intuito é evidente: enfraquecer nossa argumentação baseada em um dos cânones votados por aquele sínodo da igreja apostatada. Veremos, no entanto, como também essa investida não atinge os objetivos, e falha completamente.

Quem lê nossa literatura percebe que, de fato, costumamos citar o Concílio de Laodicéia como outro forte sustentáculo da implantação da observância do falso dia de repouso. Essa assembléia eclesiástica, cuja data mais admissível é 364 d.C., depois de alguma discussão sobre a disparidade do dia de guarda, e motivada em parte pela vigência do edito constantiniano, estabeleceu no Cânon 29:
"Os cristãos não devem judaizar e descansar no sábado, mas sim trabalhar neste dia; devem honrar o dia do Senhor e descansar, se for possível, como cristãos. Se, entretanto, forem encontrados judaizando, sejam excomungados por Cristo." - Hefele, History of the Councils of the Church, vol. II, livro 6, sec. 93, pág. 318.
Aí está, com a maior fidelidade possível, a transcrição do Cânon 29, legislado sobre o dia de guarda. Os cristãos fiéis observavam o sábado. Contudo a apostasia gradual já se manifestava com certa ascendência nos meios eclesiásticos, tendo tomado vigoroso impulso com o célebre edito do imperador Constantino em 321, além de outras leis dominicais promulgadas por ele nos anos seguintes. Contudo, o sábado continuava sendo observado. Eis alguns depoimentos:

"O sábado foi religiosamente observado na Igreja do Oriente, durante mais de trezentos anos depois da paixão do Salvador." - E. Brerwood (professor do Gresham College de Londres), Learned Treatise of the Sabbath, pág. 77.

Outro historiador sincero, criterioso e imparcial, afirma: "Retrocedendo mesmo até o quinto século, foi contínua a observância do sábado judaico na igreja cristã, mas com rigor e solenidade gradualmente decrescentes, até ser de todo abolida." - Lyman Coleman, Ancient Christianity Exemplified, cap. 26, seção 2.

Mais forte se nos afigura ainda o depoimento do historiador Sócrates, que escreveu em meados do quinto século. Diz ele: "Quase todas as igrejas do mundo celebram os sagrados mistérios no sábado de cada semana; não obstante os cristãos de Alexandria e de Roma, em vista de alguma antiga tradição, recusarem-se a fazê-lo." - Eclesiastical History, livro V, cap. 22.

Sozomen, outro historiador do mesmo período, escreveu: "O povo de Constantinopla e de outras cidades, congregam-se tanto no sábado como no dia imediato; costume esse que nunca é observado em Roma." - Eclesiastical History, livro VII, cap. 19.

Estas citações provam que o sábado era observado pelos fiéis, naquele tempo, mas a igreja de Roma e as de sua órbita de influência já começaram a implantar o domingo. O "festival da ressurreição", sem nenhum caráter de dia de guarda, tivera grande incremento com a imposição oficial pelo edito de Constantino. O resultado foi a confusão, a guarda de ambos os dias por muito tempo. Pois bem, é um ambiente assim que o Concílio de Laodicéia vota o Cânon 29. Nesse contexto histórico é que se vê a apostasia ganhando terreno, e melhor se percebe o sentido desse voto.
Ninguém pode negar que esse cânon foi estabelecido, e salta à vista que se trata de uma lei eclesiástica impondo a guarda do domingo. Se a observância dominical era, na ocasião, ponto pacífico, fato estabelecido, coisa indiscutível - como querem alguns - então por que o Concílio de Laodicéia cogitou deste assunto em suas sessões? Por que legislou a respeito de um ponto líquido e certo?

O fato inegável é que o conclave traçou diretrizes a respeito do dia de guarda. É vão, inútil o esforço com o objetivo de minimizar a autoridade desse concílio, alegando que se realizara no Oriente e não em Roma, que a cidade de Laodicéia era grega e não romana, que a igreja de Roma não esteve presente nele, que era concílio local, sem amplitude, que só havia 33 bispos e outras arengas.

Tudo isso, no entanto, em nada, absolutamente em nada, enfraquece a tese adventista. Não destrói o fato de um concílio católico, ou melhor, um concílio da igreja chamada cristã mas praticamente em plena integração da apostasia, ter legislado solenemente a respeito do dia de guarda.

Mas perguntamos: Para que invocar o sábado, se ele fora cancelado na cruz e ninguém se lembrava mais dele?

Repetimos que essas alegações são de todo improcedentes. Analisemo-las. O local da instalação do concílio nada significa contra a autoridade, eis que os primeiros concílios, e concílios gerais, ecumênicos e importantes da igreja romana realizaram-se no Oriente. Por exemplo:

* O primeiro concílio geral realizou-se em Nicéia (Ásia Menor) no ano 325 d.C., e na mesma cidade o segundo em 787 d.C.
* Em Constantinopla (Turquia) houve nada menos que quatro concílios, sendo o primeiro em 381 d.C., o segundo em 553 d.C., o terceiro em 681d.C. e o quarto em 889 d.C.
* Em Calcedônia (Ásia Menor) reuniu-se o concílio de 551 d.C.
* Excetuando-se o Concílio de Éfeso em 431 d.C., só a partir de 1123 d.C. os concílios romanos tiveram lugar em cidades européias. E mais ainda: em Roma propriamente dita só se realizaram os cinco concílios de Trento, e o do Vaticano em 1870. O fato de a maioria desses sínodos se terem realizados fora de Roma não lhes enfraquece a autoridade, por isso que a tese é insustentável.

A afirmação de que era concílio local, sem amplitude, revela ignorância dos fatos, pois essa assembléia foi totalmente confirmada pelo concílio geral de Calcedônia, sendo aí aceitos, ratificados e oficializados todas as suas decisões e cânones, inclusive o Cânon 29, o cânon que ordena a guarda do domingo. À vista deste fato, o Concílio de Laodicéia pode ser considerado geral. Tem o mesmo peso de autoridade.

A História e os fatos desmentem as afirmações levianas, pois o que interessa saber é se as medidas ali tomadas ficaram circunscritas a Laodicéia apenas, ou tornaram-se diretrizes para toda a cristandade de então. Isto é fundamental. O Cânon 29 do Concílio de Laodicéia, que veda o trabalho no domingo, tornou-se diretriz para a igreja romana, e é neste ponto indesmentível que baseamos nossa tese.

Mais ainda. Este concílio teve autoridade de estabelecer o cânone dos livros sagrados da Escritura, excluindo, como excluiu, os livros apócrifos. Essa medida também foi de aplicação universal. Nessa ocasião o livro do Apocalipse não foi aceito, porém foi ele finalmente incluído no cânon no Novo Testamento por outro concílio local, realizado também fora dos domínios romanos: o Concílio de Cartago (África) no ano 397 d.C.

Notemos bem: graças a esses dois concílios locais, realizados fora de Roma, e mesmo com pequena representação da igreja romana, é que os nossos acusadores possuem hoje suas Bíblias como está, com o cânone em ordem, com todos os livros inspirados, e excluídos os deuterocanônicos. Por isso não se deve minimizar a autoridade do Concílio de Laodicéia, eis que suas decisões tornaram-se leis e regras da igreja. Verdade é que, na contra-reforma, a igreja romana voltou a incluir no cânon os apócrifos, com o fim evidente de combater o protestantismo.

Diz Eduardo Carlos Pereira: "O Concílio de Laodicéia (364), confirmado pelo Concílio de Tolo e pelo Concílio Geral de Calcedônia (451), excluiu do seu catálogo os livros apócrifos." - O Problema Religioso na América Latina, pág. 78.

Diz a abalizada Enciclopédia New Schaff-Herzog: "Também [nesse Concílio de Laodicéia] se estabeleceu o cânone dos livros sagrados, com exclusão do Apocalipse."

E a Enciclopédia Britânica acrescenta: "Todos os cânones [do Concílio de Laodicéia] foram confirmam pelo Concílio de Calcedônia em 451."

Tanto isto é verdade que o "Cânon n.º 1" do Concílio Geral de Calcedônia, assim começa: "Os cânones até esta data elaborados pelos santos pais em todos os concílios terão validade." - Hefele, obra citada, vol. 3, pág. 385.

E ainda mais: o imperador Justiniano tomou conhecimento desta ratificação de decisões sinodais, em sua Novella 131, quando se refere aos cânones adotados e confirmados pelos primeiros quatro concílios gerais. E esses cânones foram incorporados no código imperial, com força de lei civil, constituindo sua infração crime contra o Estado.
E a afirmação bastante conhecida de William Prynne, em seu livro Dissertation on The Lord's Day, págs. 33, 34 e 44: "O sábado do sétimo dia... solenizado por Cristo, pelos apóstolos, e pelos cristãos primitivos, até que o Concílio de Laodicéia, de certo modo, aboliu sua observância... O Concílio de Laodicéia (364 d.C.)... primeiro estabeleceu a observância do dia do Senhor."

o De tudo isto é fatal a conclusão de que a igreja apostatada, em conluio com o Estado, é responsável pela mudança do dia de repouso, fato que ocorreu gradualmente, a princípio com a celebração cerimonial do "festival da ressurreição" na parte matinal do primeiro dia da semana, depois foi se consolidando com leis civis e com decisões sinodais.

Jamais afirmamos, que um determinado papa aboliu o sábado como dia de guarda. Repetimos que a mudança foi um processo lento, porém sob a tutela do papado, como chefe visível, ostensivo e diretivo da igreja. É bom esclarecer que nos referimos ao papado como instituição, que existia embrionária e em potencial, mesmo nos primeiros séculos da nossa era. Essa instituição cuidou de "mudar os tempos e a lei". (Daniel 7:25). E o fez com maestria, embora a longo prazo.

Os catecismos romanos estão cheios de citações que reconhecem a autoridade da igreja romana como responsável pela mudança do dia de repouso. O fato essencial é que tal mudança não tem aprovação das Escrituras Sagradas, nem um preceito de Cristo, nem recomendação apostólica. Não é, portanto, bíblica. Ao contrário, tem fundamento unicamente na tradição. E tradição, para nós, não constitui regra de fé e prática. Deve, pois, ser rejeitada.

A. B. Christianini, Subtilezas do Erro, 2.ª ed., 1981, pág. 241.

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O Sábado na era cristã

A. B. Christianini

Alinhamos alguns depoimentos escritos em épocas variadas, ao longo dos séculos depois de Cristo.

* Século II

Justino Mártir (100-165): "Devemos unir-nos a eles [observadores do sábado], associando-nos com eles em tudo, como parentes e irmãos." - Dialogue With Trypho, em The Ante-Nicene Fathers, vol. I, pág. 218.

* Século III

Tertuliano (155-222): "Na questão de ajoelhar-se, também a oração pode ser feita de várias maneiras, embora haja alguns que se abstenham de se ajoelharem no sábado. Uma vez que esta divergência está sendo considerada pelas igrejas, o Senhor dará Sua graça para que os que não concordam com isto cedam ou sigam o exemplo dos outros, sem haver ofensa contra ninguém." - On Prayer, cap. 23. Em The Ante-Nicene Fathers, vol. III, pág. 689.
Orígenes (185-254): "Depois da celebração do sacrifício contínuo (a crucifixão), vem a segunda festividade, do sábado, e é apropriado para quem for direito entre os santos, celebrar também a festa do sábado. E qual é, de fato, a festa do sábado, senão a de que o apóstolo disse: 'Portanto resta ainda um sabatismo para o povo de Deus?' Hebreus 4:9. Deixando, pois, de lado a observância judaica do sábado, que espécie de observância se espera do cristão?
No sábado nenhum ato mundano deve ser realizado. Se, portanto, repousardes de todas as obras seculares, não deveis fazer coisa alguma mundana, mas estareis livres para as obras espirituais, indo à igreja, dedicando atenção à leitura sagrada e aos estudos de assuntos divinos, pensando nas coisas celestiais e na vida futura, bem como no julgamento vindouro, sem atentar para as coisas atuais e visíveis, mas para as invisíveis e futuras." - Homily on Numbers 23, par. 4, em Migne, Patrologia Graeca, vol. XII. cols. 749 e 750.

* Século IV

Hermas Sozomeno (399-443): "O povo de Constantinopla, e de quase todas as partes, reúne-se no sábado, bem como no primeiro dia da semana, costume que nunca se observa em Roma, nem em Alexandria." - Ecclesiastical History, livro 7, cap. 19, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.ª série, vol. II, pág. 390.

Johannes Cassianus, monge egípcio, (360-435), descrevendo a vida monástica: "Portanto, exceto os cultos vespertinos e noturnos, só há culto de dia no sábado e no primeiro dia da semana, quando os monges se reúnem à terceira hora [nove horas] para a santa comunhão." - De Institutione Coenobiorum, livro III, cap. 2, em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.ª série, vol. XI, pág. 213.

Constituições dos Santos Apóstolos (produto de escritores da Igreja Oriental). Embora também ordene a guarda do domingo, assim indica a guarda do sábado: "Observarás o sábado por causa dAquele que repousou da obra da criação, mas não cessou Sua obra de providência. É repouso para meditação sobre a lei, e não para ficar com as mãos ociosas." - Constitutions of the Holy Apostles, livro II, sec. 5, cap. 36. The Ante-Nicene Fathers, vol. VII, pág. 413.

Atanásio (298-373): "Reunimo-nos no dia de sábado não porque estejamos infectados de judaísmo... Achegamo-nos ao sábado para adorar a Cristo, o Senhor do sábado." - Pseudoathan, de semente, tomo I, pág. 885.

Agostinho (354-430): "Neste dia, que é sábado, costumam reunir-se, na maior parte, os desejosos da Palavra de Deus... Em alguns lugares, a comunhão ocorre diariamente; em outros, somente no sábado; e em outros, somente no domingo." - Sermão 128, tomo VII, pág. 629, Epistola ad Janerius, cap. 2.

Edward Brerewood, historiador (1565-1615), depois de exaustiva pesquisa do assunto: "O sábado foi religiosamente observado na Igreja do Oriente, durante mais de trezentos anos depois da paixão do Salvador." - A Learned Treatise of the Sabbath, pág. 77.

Concílio de Laodicéia (cerca de 365 d.C.): "No sábado, os Evangelhos e outras porções da Escritura devem ser lidos em voz alta." - Charles Joseph Hefele, A History of the Concils of the Church, vol. II, pág. 31. (Edinburg. 1876).

Bruce M. Metzger, orientalista contemporâneo, que estudou profundamente o Lecionário Grego do Evangelho: "Na Igreja Oriental o sábado, com exceção do grande sábado que fica entre a Sexta-Feira Santa e o dia da Páscoa, era observado como dia de festa." - The Saturday and Sanday Lessons From Luke in the Gospel Lectionary.

John C. L. Gieseler (historiador eclesiástico alemão do século do séc. XIX): "O domingo e o sábado eram observados como dias de festa na igreja cristã; o último, porém, sem a superstição judaica." - Compendium of Ecclesiastical History, período I, divisão 2, cap. 3, parágrafo 53.
Joseph Bingham (pesquisador de história da igreja cristã, que viveu na Inglaterra no século XVIII):
"Depois do dia do Senhor, os antigos cristãos eram cuidadosos na observância do sábado, ou sétimo dia, que era o primitivo sábado judaico. Alguns o observavam como dia de jejum, outros como dia festivo. Todos, porém, unanimente o guardavam como o mais solene dos dias religiosos de culto e adoração. Na Igreja Oriental era sempre observado como dia de festa." - Origines Eclesiasticae, ou Antiquities of the Christian Church, livro XX, cap. 3, par. 1.

* Século V

Sócrates, o Eclesiástico (historiador - 379-440): "Conquanto quase todas as igrejas do mundo celebrassem os sacramentos aos sábados, cada semana, os cristãos de Alexandria e de Roma, por causa de alguma tradição, deixaram de fazer isto." - Ecclesiastical History, livro V, cap. 22 (escrito em 439 d.C.), em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2.ª série, vol. II, pág. 132.

Agostinho (Aurelius Augustinus, 354-430): "Se dissermos que é errado jejuar no sétimo dia, condenaremos são somente a igreja de Roma, mas também muitas outras igrejas, tanto da atualidade como dos tempos mais remotos, nas quais o mesmo costume continua sendo praticado. Se, por outro lado, dissermos que não é errado jejuar no sétimo dia, quão grande será nossa presunção em censurar tantas igrejas do Oriente, e até a maior parte do mundo cristão!" - Carta 82, de Agostinho a Jerônimo, parágrafo 14 - Nicene and Post-Nicene Fathers, 1.ª série, vol. I, págs. 353 e 354.

Lyman Coleman (1796-1882), após minuciosa pesquisa: "Retrocedendo mesmo até ao quinto século, foi contínua a observância do sábado judaico na igreja cristã, mas com rigor e solenidade gradualmente decrescentes, até ser de todo abolida." - Ancient Christianity Exemplified (1852), cap. 26, seção 2.

* Século VI

Alexander Clarence Flick (doutor em Filosofia e Letras, catedrático de História Européia na Universidade Siracusa, 1869-1942): "Os celtas permitiam o casamento de seus sacerdotes, e a igreja romana proibia... Os celtas tinham seus próprios concílios e editavam suas próprias leis, independentes de Roma. Os celtas usavam uma Bíblia latina diferente da Vulgata, e guardavam o sábado como dia de repouso. Também realizavam cultos especiais no domingo." - The Rise of Medieval Church, pág. 237 (ed. 1909, New York).

Alphonso Bellesheim (1839-1912) falando da igreja celta da Irlanda, no sexto século: "No sábado seguinte, o santo, apoiado em seu fiel assistente Diormit, foi abençoar o celeiro. 'Este dia" - disse Columba - 'nas Escrituras Sagradas é chamado o sábado, que significa descanso'... A Igreja Celta, como já observamos, embora guardasse o domingo, parece ter seguido os judeus, por isso abstinha-se de todo trabalho no sábado." - History of the Catholic Church in Scotland, vol. I, pág. 86.

Gregório I (540-604) trovejou uma objurgatória contra os existentes observadores do sábado: "Gregório I, bispo pela graça de Deus, a seus amados filhos, os cidadãos de Roma: Chegou ao meu conhecimento que certos homens de índole perversa têm disseminado entre vós coisas depravadas e contrárias à santa fé, pois proíbem que se faça qualquer trabalho no sábado. Como os chamarei senão de pregadores do Anticristo?" - Epitles, b. 13:1, em Labbes and Cossart, Sacrosancta Concilia, vol. V., col. 1511.

* Século XI

Andrew Lang (1844-1912), erudito grego-escocês, historiador, referindo-se à igreja do norte da Escócia no décimo primeiro século, igreja fundada por Columba: "Eles trabalhavam no domingo, observavam o sábado." - History of Scotland, vol. I, pág. 96.
William Forbes Skene (1809-1892), historiógrafo real da Escócia em 1881. Referindo-se à Igreja Celta do século XI:
"Parecia seguirem um costume, conforme, vestígios na primeira igreja monástica da Irlanda, segundo o qual consideravam o sábado como dia de repouso, no qual descansavam de seu trabalho... Não deixavam de venerar o domingo, embora sustentassem que o sábado do sétimo dia era o legítimo sábado, no qual se abstinham do trabalho." - Celtic Scotland (Edinburgo, 1877), livro II, cap. 8, págs. 349 e 350.

Thomas Ratcliffe Barnett (1868-1941) erudito anglicano: "Neste assunto, os escoceses talvez mantivessem o costume tradicional da antiga Igreja da Irlanda que observava o sábado, em vez do domingo, como dia de repouso." - Margaret of Scotland, Queen and Saint (Londres, 1926), pág. 97.

* Um Ramo dos Valdenses

J. J. Ign. Dollinger (1799-1890), professor de História Eclesiástica e Direito Canônico na Universidade de Munich: "Os Picardos, ou Irmãos Valdenses, não celebravam festividades à Virgem e aos Apóstolos. Alguns guardavam o domingo. Outros, entretanto, só observavam o sábado, como os judeus." - Beiträge zur Sektengeschichte des Mittelalters (Munich, Beck 1890), vol. II, pág. 662.

* Época da reforma

Andreas Rudolf Karlstadt (1480-1541), reformador protestante alemão, que se juntou a Lutero em Witenberg, em 1517. Escreveu um tratado sobre o dia de guarda. "Quando os servos tenham trabalhado seis dias, devem ter o sétimo livre. Deus disse com toda a clareza: 'Lembrai-vos de observares o sétimo dia'... Com relação ao domingo, sabe-se que os homens o inventaram." - Von dem Sabbath und Gebotten Feyertagen (1524), cap. IV, pág. 23.

Martinho Lutero (1483-1546) o pai da reforma protestante: "Em verdade, se Karlstadt escrevesse mais acerca do sábado, o domingo teria que lhe ceder lugar, e o sábado ser santificado." - Wider die himmlischen Propheten, em Sämmtliche Schriften (ed. por John Georg Walch - St. Louis: Concordia, 1890), vol. XX, col. 148.

* Posteriormente

No século XVII, fundou-se em Newport, (Rhode Island, USA), precisamente em 1671, a Igreja Batista do Sétimo Dia. No século XVIII fundou-se a Comunidade Efrata, por John Conrad Beissel, em Lancaster, precisamente em 1732. Convenceu-se depois do dever de observar o sétimo dia como dia de repouso e publicou Das Büchlein vom Sabbath (Philadelphia, 1728). E no século XIX, em 1844 surgiu nos Estados Unidos o movimento que, anos depois, teria a denominação de Adventistas do Sétimo Dia, de âmbito mundial.

A. B. Christianini, Subtilezas do Erro, 2.ª ed., 1981, pág. 162.

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A celébre reunião de Trôade

A. B. Christianini

Atos 20:7 reza: "E no primeiro dia da semana, ajundando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, discursava com eles; e alargou a prática até a meia-noite." - E desse texto, que relata um fato eventual da vida paulina, alguns tomam a liberdade de tirar as seguintes conclusões:

1. Que os crentes em Trôade reuniam-se regularmente aos domingos para o culto, e que esta foi uma reunião de Santa Ceia;
2. Que a reunião em tela não ocorreu sábado à noite, como admitimos por motivos óbvios;
3. Que Lucas, sendo gentio e escrevendo a um "romano", deveria valer-se da contagem romana de tempo, e não da judaica;
4. Que os romanos desde o início de sua história (753 a.C.) contavam os dias de meia-noite à meia-noite;
5. Que provavelmente (não afirmam com convicção) Lucas seguira o método romano.

* Vamos pulverizar estas falsidades, seguindo, a ordem numérica acima estabelecida:

1. A afirmação de que os cristãos troadeanos se reuniam com absoluta regularidade aos domingos é temerária, destituída de fundamento, pois a Bíblia não se infere que havia, na época, tal costumes, e os documentos do primeiro século o desautorizam.

O Dr. Augusto Neander, abalizado escritor eclesiástico, insuspeito por ser observador do domingo, assim se refere à passagem de Atos 20:7: "A passagem não é absolutamente convincente [como prova da guarda do domingo], porque a partida iminente do apóstolo era motivo para reunir a pequenina igreja, em uma ceia fraternal, ocasião em que fez seu último discurso, embora não fosse culto especial de domingo nesse caso." 1

Também o autorizado Ellicott, observador do domingo, no seu comentário bíblico, assim considera esta passagem: "'Que havia de partir no dia seguinte.' - Pode parecer estranho que alguns sustentem a opinião exposta na nota anterior, de que o apóstolo e seus companheiros assim se propusessem a viajar no dia ao qual se transferissem todas as restrições do sábado judaico. No entanto, é de se lembrar: 1.º - que não há nenhuma prova de que S. Paulo pensasse em tais dias como assim mudados, mas bem ao contrário (Gálatas 4:10; Colossenses 2:16); e 2.º - que o navio, no qual seus amigos tomaram passagem, provavelmente não devia alterar seu dia de partida para satisfazer escrúpulos, mesmo que tais escrúpulos existissem." 2

Como se vê, foi um fato eventual, acidental, circunstancial que ocorreu. Citemos ainda o testemunho de Meyer: "Que nesse tempo o domingo já fosse regularmente observado por influentes corporações religiosas e os Agapae (plural do termo grego que significa amor, designando as refeições sociais, ou festas de amor, seguidas usualmente pela Ceia do Senhor, na primitiva igreja cristã), não pode, com efeito, ser provado como certeza histórica, visto que possivelmente a observância do Agapae nesta passagem, talvez ocorresse apenas acidentalmente no primeiro dia da semana, porque Paulo pretendia partir no dia seguinte e porque nem mesmo I Coríntios 16:2 e Apocalipse 1:10 distinguem necessariamente esse dia como separado para serviços religiosos." 3

Quanto ao "partir o pão" há divergência de interpretação, sendo temerária a afirmação de que se tratasse da Santa Ceia. Este "partir o pão" era um ato que os cristãos primitivos praticavam diariamente (Atos 2:46), e não apenas no primeiro dia da semana, como se pretende insinuar. A própria Bíblia se encarrega de desmentir conclusões levianas.

Walker, notável historiador eclesiástico, assim comenta o costume: "... partiam o pão diariamente em casas particulares. Este 'partir o pão' servia a um fim duplo: era um elo de fraternidade e um meio de sustento para os necessitados." 4

2. O sistema de contar os dias de pôr do Sol a pôr do Sol vem da Criação, e está em toda a Bíblia. E quanto ao tempo referido na passagem de Atos 20:7, podemos alinhar um rol de citações que confirmam nosso ensino.

Conybeare and Howson, têm esta convicção: "Era o anoitecer que sucedia o sábado judaico. No domingo de manhã o navio deveria partir... Ele [Paulo] continuou sua solitária viagem naquele domingo, depois do meio-dia, na primavera, entre os carvalhais e córregos de Ida." 5

Robertson, admite: "Com toda probabilidade se reuniram em nosso sábado à noite - início do primeiro dia ao pôr do Sol." 6

Calvino, assim comenta a passagem: "É ponto pacífico que Paulo esperara pelo sábado, por que no dia anterior à sua partida, podia muito facilmente encontrar reunidos todos os discípulos num mesmo lugar. Digno de nota é o favor de todos eles, não se sentindo incomodados em que Paulo lhes discursassem até à meia-noite, embora necessitasse ele seguir viagem; tampouco se tratava de uma ocasião especial para serem instruídos. Pois não tinha o apóstolo outro motivo para alongar o seu discurso a não ser unicamente o profundo desejo e atenção dos seus ouvintes." 7

* Convém alinhar mais comentários de eruditos evangélicos, observadores do domingo:

Hackett, professor de grego do Novo Testamento, no Seminário Teológico de Rochester, diz em seu comentário: "Os judeus contavam o dia da tarde para a manhã, e sobre esta base a noite do primeiro dia seria nosso sábado à noite. Se Lucas aqui contava assim, como supõem muitos comentaristas, o apóstolo então aguardava o término do sábado judaico, e realizara sua última reunião religiosa com os irmãos em Trôade... na noite de sábado, e em conseqüência, recomeçara a viagem na manhã de domingo." 8

O autorizado e sempre citado Moffat, consigna o seguinte comentário sobre a passagem em lide: "Paulo e seus amigos não podiam, como bons judeus, iniciar uma viagem no sábado; fizeram-na tão cedo quanto foi possível, a saber, na madrugada do 'primeiro dia' - tendo o sábado expirado ao pôr do Sol." 9

Outro estudioso do assunto foi McGarvey: "Chego, portanto, à conclusão de que os irmãos se reuniram na noite após o sábado judaico, que era ainda observado como dia de repouso por todos dentre eles que eram judeus ou prosélitos; e considerando este fato, tal foi o início do primeiro dia da semana, empregado na maneira acima descrita. Na manhã de domingo, Paulo e seus companheiros reencetaram a viagem." 10

Robertson Nicoll nos diz sobre o assunto: "Vieram a Trôade, e lá permaneceram por uma semana, forçados sem dúvida pelas exigências do navio e seu carregamento. No primeiro dia da semana, S. Paulo reuniu a igreja para culto. A reunião realizou-se no que poderíamos chamar de sábado à noite; pois nos devemos lembrar de que o primeiro dia judaico começa ao pôr de Sol do sábado." 11
Stockes, outro comentarista de valor nos diz: "A reunião foi realizada no que poderíamos chamar a noite de sábado; pois nos devemos lembrar de que o primeiro dia judeu tinha início ao pôr do Sol do sábado." 12
Stifler, também autor de um comentário do livro Atos dos Apóstolos, nos informa: "Sem dúvida reuniram-se na noite de nosso sábado, de modo que o pão da comunhão foi partido antes do romper do dia, na manhã do nosso domingo." 13
Conviria lembrar a maneira bíblica de delimitar o dia. Para isso devem-se reler Gênesis 1:5, 8, 19, 23 e 31; Levítico 23:32, Marcos 1:32, 15:42 e outras passagens. Assim fica pulverizada a segunda conclusão leviana.

3. Grande erro é afirmar que Lucas, sendo gentio e escrevendo a outro gentio, se tivesse valido do sistema romano de demarcar o tempo. Os evangelhos sinóticos referem-se ao sistema judaico, ainda vigorante em seus dias. E também Lucas. Primeiramente vejamos no seu Evangelho dirigido ao mesmo Teófilo:

* Lucas 2:8 - "vigílias da noite" (não havia tal entre os romanos).
* Lucas 4:40 - "pôr do Sol".
* Lucas 23:44 - "hora sexta" (½ dia entre os romanos) e também "hora nona" (3 horas entre os romanos).
* Lucas 24:29 - "é tarde e já declina o dia" (referência clara ao pôr de Sol).

Há também em Atos dos Apóstolos:

* Atos 2:15 - "hora terceira" (9 horas entre os romanos).
* Atos 3:1 - "hora nona" (15 horas).
* Atos 10:3 - "hora nona".
* Atos 10:9 - "hora sexta" (½ dia).
* Atos 23:23 - "hora terceira" (21 horas) da noite. Cláudio Lísias não mandaria escoltar Paulo às três da madrugada... Lucas não se valeu da contagem romana. E assim fica fulminada a terceira conclusão imprudente.

4. Que os romanos desde o início de sua história adotassem o chamado "dia civil", é afirmação que provoca repúdios entre pessoas de certa cultura. Recomendaríamos o livro "Sunday in Roman Paganism", de Leo Robert Odom, que traz exaustivas provas de que o "dia civil" se implantou no início da era cristã.

Citaremos aqui apenas o testemunho de um escrito W. E. Allen: "No fim do primeiro século o método judaico não estaria mais em uso." 14

Deve-se dizer, em alto e bom som, que a Bíblia não se subordina aos arbítrios humanos, pois Deus não altera Suas normas. O modo bíblico de contar o tempo é sempre o mesmo. E se os oponentes da verdade, contra todas as provas, teimarem em afirmar que a reunião de Trôade se deu num primeiro dia da semana, então foi numa noite que findava esse dia, e então a "Santa Ceia" ocorreu numa segunda-feira, pois se deu depois da meia-noite!!!

5. Aquele advérbio "provavelmente" destrói o próprio argumento. Nos não nos basearíamos em doutrina alguma sobre probabilidades. Tudo no que cremos se assenta na sólida base de um "Assim diz o Senhor..."

Depois de expor estes fatos incontraditáveis, afirmamos: ainda que a reunião de Trôade se desse, sem sombra de dúvida, num domingo, e ainda que nela se celebrasse a Santa Ceia, nada disso constituiria prova de que o dia de repouso houvera sido mudado, pois não há na Bíblia recomendação taxativa a respeito.

A verdade, porém, é que Paulo passou aquele domingo caminhando a pé, de Trôade a Assôs, uma distância de várias dezenas de quilômetros. Bem analisada, a passagem é contrária à tese dominguista.

A. B. Christianini, Subtilezas do Erro, 2.ª ed., 1981, pág. 205.

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A origem histórica da guarda do domingo

Entrevista com Samuell Bacchiocchi

Professor, entre outras matérias, de História Eclesiástica, de que é doutor, o italiano Samuel Bacchiocchi foi o primeiro não-católico a graduar-se na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma instituição jesuíta fundada há mais de quatro séculos por Inácio de Loyola pela qual passaram muitos eclesiásticos que chegaram a ser cardeais e papas.

Defendendo com brilhantismo tese doutoral que versava sobre as origens não-bíblicas da observância do domingo, o professor da Andrews University conseguiu posteriormente que sua alentada e bem documentada pesquisa fosse editada pela imprensa da própria universidade católica onde se formou, trazendo o imprimatur da Igreja e a aprovação do vicariato de Roma.

Foi assim que o livro From Sabbath to Sunday [Do Sábado Para Domingo], de 372 páginas, passou a ser amplamente difundido nos Estados Unidos e outros países, recebendo comentários elogiosos e reconhecimento de erudição de líderes eclesiásticos por toda parte.

Ao visitar a Universidade Andrews no mês de setembro passado (1979), Azenilto G. Brito, redator de Mocidade, aproveitou para realiza a entrevista que se segue com o pesquisador adventista das origens do domingo, sendo por ele recebido de muito bom grado.

O entrevistado valeu-se da oportunidade para expressar o desejo de ver From Sabbath to Sunday circulando também entre autoridades eclesiásticas e intelectuais brasileiros — católicos e protestantes — bem como para anunciar o preparo de outra obra a ser brevemente editada em português pela mesma gráfica do Vaticano que imprimiu sua tese doutoral.

Em carta dirigida a pastores adventistas promovendo seu livro, o autor declara rogar aos céus que seus "muitos anos de dedicada pesquisa possam ser usados por Deus para conduzir muitos a compreenderem e aceitarem o sábado como uma expressão tangível da dedicação de suas vidas ao Salvador."

Antes de integrar o corpo docente da Andrews University, o Prof. Samuel Bacchiocchi foi pastor distrital em seu país natal, a Itália, e atuou como missionário na Etiópia, África.



R.A.: Como se pode demonstrar que o mandamento bíblico do sábado, transmitido originalmente aos filhos de Israel, tem aplicação mundial, sobretudo para o tempo presente?



Samuell Bacchiocchi: Este é o tema que estou discutindo em meu novo livro. No primeiro capítulo estou levando em consideração as várias objeções que têm sido levantadas contra a universalidade e permanência do preceito do sábado.

Na instituição do sábado está implícito o próprio ato de bênção, santificação e separação de um dia para a humanidade e isso indica uma função permanente. A santificação do sábado nos fala que Deus estava desejoso de entrar no tempo humano. O que toma um período de tempo ou um lugar santo é a presença de Deus.

Ao santificar o sábado e entrar no tempo humano Deus demonstra Sua disposição em entrar na própria carne humana. Assim, o sábado é uma prefiguração da encarnação, um símbolo e anúncio da própria encarnação.

Na História da Salvação nós temos continuidade, não interrupções. As instituições estabelecidas na Criação, tal como o sábado, o trabalho, o repouso, o matrimônio, são instituições que na verdade prosseguem ao longo da História da Salvação. Contudo, há diferentes momentos na História da Salvação em que essas instituições adquirem novo significado. No relatório do Gênesis o sábado obtém um significado cosmológico, falando ao mundo que Deus é o perfeito Criador e que ficou perfeitamente satisfeito com a Criação que havia realizado. Assim, em Gênesis o sábado transmite essa mensagem da perfeição divina no que concerne à Criação.

Mas se seguirmos de Gênesis para Êxodo, aprendemos que Deus não só criou o mundo, mas as pessoas. E formou um novo povo, Israel, ao qual concedeu o sábado para simbolizar o desejo do Criador em restaurar o interrompido relacionamento que o pecado produziu, separando o Criador de Suas criaturas. Assim, em Êxodo encontramos o sábado associado com a Redenção.

Os Dez Mandamentos se iniciam dizendo — "Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da terra do Egito." Ele é o Libertador, e para que fosse mantida a lembrança desse Libertador, Deus ordenou: "Lembra-te de santificar o dia de sábado." Lembra-te por livrar o teu servo, tua serva, teu filho, tua filha, dando-lhes liberdade e, em certo sentido, redenção a todos os israelitas de modo a que o próprio Deus fosse lembrado como o Libertador. E essa mensagem é particularmente expressa em Deuteronômio 5:15 onde o motivo dado para a guarda do sábado não é a Criação, mas a Redenção. Nesse sentido é que a passagem declara: "Lembra-te de que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia do sábado."

Sendo, pois, que o sábado não é apenas símbolo da Criação, mas também da Redenção, tendo caráter cósmico, universal, sua obrigatoriedade é também universal.



R. A.: Muitas vezes é ensinado que a mudança do sábado para o domingo ocorreu basicamente por influência do paganismo, sobretudo do mitraísmo. Em seu livro From Sabbath to Sunday, porém, é expresso outro ponto de vista. Que comentários teria a fazer a respeito disso?



Samuell Bacchiocchi: Apreciei que tenha feito esta pergunta que ajudará a esclarecer importante questão. À luz de minha pesquisa gostaria de declarar que descobri ter havido dois fatores principais para a transição do sábado para o domingo. Por um lado temos o antijudaísmo, ou seja, a necessidade que surgiu [entre os cristãos dos primeiros séculos] de separarem-se, diferenciarem-se dos judeus. Foi este realmente um fator preponderante que induziu muitos cristãos a abandonarem todas as festividades associadas com os judeus.

À luz de minha investigação, isso teve lugar na primeira parte do século II, particularmente na regência do Imperador Adriano. Ele reinou de 117a 138 e foi quem proibiu categoricamente a observância do sábado e a pratica do judaísmo. Isso se deu porque os judeus estavam constantemente se rebelando contra o domínio dos romanos sobre sua terra.

Quando os romanos se viram ante tais difundidas idéias de independência entre os judeus, sentiram a necessidade de impor uma legislação bem restritiva e repressiva e uma das conseqüências foi a proibição rigorosa da observância de festividades judaicas como a páscoa e o sábado.

Descobri em minha pesquisa ainda que em vista dessas medidas restritivas contra os judeus, os cristãos de Roma julgaram necessário demonstrar perante as autoridades a separação e diferenciação dos cristãos em relação aos judeus pela mudança das festividades judaicas a dias diferentes. Por exemplo, a páscoa judaica, que até aquele tempo era celebrada pêlos cristãos em geral em 14 de nisã (uma data fixa que podia ocorrer em qualquer dia da semana) foi transferida para o domingo. Semelhantemente, o repouso foi transferido do sábado do sétimo dia para o primeiro dia da semana.

Sumariando, o abandono do sábado foi motivado primariamente pela necessidade sentida pêlos cristãos de se separarem dos judeus a fim de evitar as medidas repressivas e as penalidades impostas sobre a comunidade judaica.

Mas, pode surgir a pergunta — por que foi escolhido o domingo, quando outro dia qualquer poderia cumprir a mesma finalidade? Sexta-feira, por exemplo, poderia muito bem comemorar a Paixão de Cristo e contribuir para diferenciar cristãos e judeus! Mas constatei que a significação da escolha do domingo tem que ver com a prevalecente veneração do deus-Sol. Quando remontamos ao século II, descobrimos que o deus-Sol tornou-se a divindade predominante no Império Romano e isso contribuiu para o acontecimento que debatemos.

Num calendário descoberto pela Arqueologia, que tenho em mãos, do século I, podemos ver que Saturni, que significa "dia de Saturno", é o dia nº 1 e o “dia do sol” é o nº 2. Contudo, ao chegarmos ao século II, o “dia do Sol" avança à posição n° l e o "dia de Saturno" toma-se o sétimo dia.

Quando descobri essa “promoção” do “dia do Sol'' para o primeiro dia da semana no século n, perguntei-me: seria possível que essa circunstância no mundo pagão romano haja influenciado os cristãos a escolherem exatamente o mesmo dia que havia sido posto em preeminência naquele tempo? A fim de comprovar a validade de tal raciocínio, investiguei a influência do culto ao Sol sobre a comunidade cristã da época, e descobri alguns fatos muito interessantes como o de que o culto ao Sol influenciou os cristãos em muitas maneiras.

Por exemplo, a) os cristãos originalmente oravam voltados para Jerusalém, mas por influência do culto ao Sol passaram a orar voltados ao Oriente, na posição do nascer do Sol; b) o próprio dia do Sol, o "Sol-Invictus", foi escolhido para celebrar o aniversário de Cristo; c) a própria simbologia do Sol foi usada para representar a Cristo.

Este mosaico, que foi reproduzido na Biblical Archeology Review [Revista de Arqueologia Bíblica] de setembro de 1978 em conexão com um artigo de minha autoria sobre as pesquisas que realizei (o artigo, por sinal, causou grande repercussão e graças somente a ele vendi cerca de mil volumes de meu livro), apresenta Cristo como o deus-Sol subindo no carro do Sol, com uma aura de luz em tomo da cabeça. Isso é de cerca dos anos 200 a 240 AD e constitui a mais antiga representação pictórica de Cristo como o deus-Sol que veio até nossos dias, o que realmente demonstra que a simbologia do deus-Sol tinha grande influência sobre o pensamento cristão. Estas são evidências indiretas. A evidência mais direta pode ser encontrada nos documentos cristãos que usam o motivo do Sol para justificar a observância do domingo, sendo as duas razões predominantes para justificar a guarda do domingo: 1°— no primeiro dia Deus criou a luz; 2° — o primeiro dia foi também aquele em que o Sol da justiça ressurgiu. Assim, os motivos do Sol e da luz estão estreitamente relacionados, de modo que, a par do antijudaísmo, culto ao Sol contribuiu para levar os cristãos dessa época a abandonarem o sábado e adotarem o domingo como dia de culto.

O mitraísmo era, na verdade, apenas um pequeno fragmento no conjunto do culto ao Sol entre os pagãos do Império Romano. Era mais um culto individual, praticado em caráter particular, no contexto das muitas manifestações de culto à divindade solar, que predominava em escala nacional.



R. A.: Os autores do Novo Testamento não fazem referência direta, mas apenas indireta, ao mandamento do sábado. Como podemos comprovar que os cristãos primitivos observavam o sábado em vista da falta de declaração mais específica indicando que o fizessem?



Samuell Bacchiocchi: Primeiramente permita-me dizer que o Novo Testamento não é "novo" em termos de nova revelação, mas é, antes, uma continuação, cumprimento e esclarecimento do Velho Testamento. No Novo Testamento não encontramos realmente os outros nove mandamentos numa forma nova. O que o Novo Testamento provê via de regra é um esclarecimento do espírito da lei. E se reconhecemos isto, então veremos que o Novo Testamento concede mais esclarecimento para o sábado do que para qualquer outro mandamento.

Quem ler o Novo Testamento e tomar nota de todas as referências ao sábado ficará surpreso em verificar que uma boa porção do ministério de Jesus, tal como registrado no Novo Testamento (e eu dedico um capítulo discutindo a questão em From Sabbath to Sunday e o farei em amplitude ainda maior em meu novo livro) indica um envolvimento de Cristo numa observância sabática provocativa, causando muitos debates a respeito da guarda do sábado.

Agora, a indagação que temos a fazer é — por que esse material foi registrado? Por que os redatores dos evangelhos, trinta ou quarenta anos após a morte de Cristo, decidiram registrar e dar ampla cobertura ao ministério de Cristo no sábado? Ora, a resposta é óbvia — o material que temos nos evangelhos é o testemunho da igreja sobre o Salvador e Seu testemunho foi registrado a luz de problemas existentes. Em outras palavras — a igreja primitiva tinha o problema de clarificar o significado do sábado na dispensação cristã; e para fazê-lo eles registraram o ministério sabático de Cristo que proveu, ademais, a linha de conduta sobre o significado de amar meu próximo, honrar meus pais, não matar ou outros preceitos divinos.

Agora, o que precisamos saber é — qual o significado do sábado à luz do ministério de Cristo? Qual é a clarificação sobre o sábado que o Salvador faz? Para responder, teríamos que empreender uma vasta pesquisa, e é o que fazemos em meu novo livro onde há um capítulo no qual demonstro que Cristo começou Seu ministério num dia de sábado, anunciou Seu ministério como sendo o cumprimento das promessas sabáticas de liberdade em Lucas 4:18 e intensificou o ministério sabático levando redenção física e espiritual de modo que aqueles que foram curados por Jesus lembrar-se-iam do sábado como o dia de total redenção física e espiritual.

Também percebemos que Jesus encerrou Seu ministério numa tarde de sexta-feira. E quando Ele disse está consumado", descansou no sábado segundo o mandamento. Isso quer dizer que à luz do Calvário, o sábado é não apenas um memorial da Criação completada, mas também um memorial da completa a Redenção. Também significa que quando nos adentramos na experiência da salvação ao repousarmos fisicamente, Jesus nos concede Seu repouso espiritual, o repouso do perdão, o repouso da paz, o repouso da salvação.

Vemos assim que o Novo Testamento tem muito a dizer sobre o sábado. Isso constatamos no ministério de Cristo, no ministério de Paulo, na Epístola aos Hebreus que ressalta o sentido profundamente espiritual do sábado. Finalmente, o sábado é o dia em que celebramos a totalidade da bênção de Deus — bênção da Criação, bênção da Redenção, bênção da Restauração final. O sábado provê uma janela para olhar à eternidade, à obra original de Deus na Criação, à completa Redenção em Cristo e à final restauração.



R.A.: Como podemos apresentar o tema do sábado num contexto que evite parecermos legalistas?



Samuell Bacchiocchi.: Ótima pergunta. Uma das acusações lançadas contra os adventistas do sétimo dia é a de que somos legalistas porque realçamos o quarto mandamento. Podemos inicialmente assinalar que ninguém é rotulado ou designado como legalista por apenas pregar os outros nove mandamentos.

Assim, não é exatamente o pregar sobre o mandamento, ou enfatizá-lo, que resulta em legalismo. Legalismo é o sistema pelo qual a observância de qualquer regra é considerada a base da salvação. E realmente devemos evitar apresentar a guarda do sábado como a garantia da salvação, e eu creio que a razão de tal atribuição ser-nos feita é porque em nossa ênfase escatológica apresentamos às vezes o sábado como o selo de Deus, o que significa que se aceitamos o sábado nós somos selados, protegidos, e ficamos seguros para o tempo de angústia. Com isso, muitas pessoas tendem a pensar que por terem aceito o sábado, receberam a garantia da salvação. Julgam-se, então, salvas por guardarem o sábado.

Temos realmente que retificar esse raciocínio e ajudar nosso povo e os cristãos em geral a entenderem que no sábado somos ensinados, não que trabalhamos para nossa salvação, e sim que repousamos de nossos trabalhos. Durante a semana temos realmente que trabalhar e por fazê-lo podemos obter a sensação de que somos independentes, nós próprios, por assim dizer, sendo o criador e salvador. Mas a mensagem do sábado — do verbo hebraico shabbath — é cessar, descansar. Por que temos de descansar? Porque temos de permitir que Deus opere em nós.

Assim, o repouso sabático indica que aquele que o pratica percebendo seu real significado está dizendo de si para si — eu não sou auto-suficiente, mas insuficiente; não sou meu próprio criador, mas reconheço o Deus Criador; e estou repousando hoje porque ao fazê-lo desejo pôr-me à disposição de Deus para que Ele me possa dar por repouso — isto é, como um presente, e não por obras — a provisão da salvação. Com o repousar no sábado, proclamamos por nosso exemplo que aceitamos a salvação como um presente, e não como uma obra meritória.

Portanto, a verdadeira compreensão do descanso sabático é realmente salvação pela graça, e não por obras.

Nós trabalhamos durante a semana, mas repousamos no sábado para proclamar nossa fé no divino Criador que nos deu o dom da vida no princípio, vida que foi concedida por Jesus Cristo, vida que se toma uma realidade para nós no dia de sábado quando, à semelhança de Maria, irmã de Marta, tomamos tempo para estar com Jesus dedicando-Lhe nossa atenção integral.



R. A.: O fato de Cristo ter ressuscitado num domingo não torna esse dia o mais significativo da semana e não justificaria a mudança da observância do sábado para o domingo?



Samuell Bacchiocchi: O que posso responder nesta oportunidade constituirá apenas um brevíssimo resumo do que discuti longamente em meu livro sobre a hipótese de a Ressurreição ocorrer num domingo ter ou não sido fator determinante na transferência da guarda do sábado para o domingo. Um estudo honesto e imparcial de todos os documentos do Novo Testamento, bem como dos primeiros documentos cristãos fora do Novo Testamento, revelam conclusivamente que a Ressurreição de fato não exerceu papel destacado na escolha específica da observância do domingo. Pois, 1° — o dia da Ressurreição não é, como tal, jamais mencionado no Novo Testamento. A expressão "dia da Ressurreição" é encontrada apenas por volta do fim do século II. Antes disso, particularmente nos evangelhos e no Novo Testamento, a expressão é "primeiro dia da semana". Ora, se esse dia se houvesse tomado na época o memorial da Ressurreição, então a expressão “dia da Ressurreição" estaria em uso. O próprio fato de que tal expressão está ausente no Novo Testamento indica que o primeiro dia da semana não era considerado ainda o "dia da Ressurreição"; 2° — no Novo Testamento não encontramos uma ordem ou instrução para celebrar a Ressurreição de Cristo no exato dia semanal em que ocorreu. Temos ordens quanto ao batismo, temos ordens quanto à Ceia do Senhor ("fazei isto em memória de Mim"), temos ordens quanto ao lava-pés ("dei-vos o exemplo para que como Eu vos fiz, façais vos também"), mas nenhuma ordenança ocorre quanto à celebração do dia da Ressurreição.

Contudo, mesmo considerando o fato de que Jesus ressuscitou num domingo, a pergunta que temos a fazer é — acaso esse fato requer que o dia seja, então, posto à parte para

comemorar tal evento? Parece-me que o evento da Ressurreição pressupõe que o mundo não deve ainda repousar, por duas razões, pelo menos: 1a

— porque o dia da Ressurreição não assinala a complementação do ministério terrestre de Cristo, o que se deu na sexta-feira à tarde, quando declarou "está consumado", e então repousou segundo o mandamento. Antes, marca o início do novo ministério de Cristo. Semelhantemente ao princípio da Criação, o primeiro dia da semana pressupõe atividade, antes que repouso; 2º — as declarações de Jesus no dia da Ressurreição não eram convites para adoração. Jesus não disse, no dia da Ressurreição — ‘vinde à parte e adorai", mas ordenou às mulheres "Ide à Galiléia e dizei aos irmãos", e aos discípulos — “Ide, ensinai, fazei discípulos, batizai." Eram declarações que implicavam atividade, e não repouso. Então há o argumento baseado na Ceia do Senhor que muitos consideram o próprio âmago do culto dominical, em honra da Ressurreição. E outra vez podemos perguntar — foi a Ceia do Senhor celebrada pela igreja primitiva como memorial da Ressurreição? Tanto o Novo Testamento como os primitivos registros cristãos nos dizem que a Ceia do Senhor não estava associada à Ressurreição.

Podemos considerar o que disse Paulo, por exemplo, em I Coríntios 11, onde a Ceia do Senhor é apresentada sem ligação com um tempo específico (ver versos 17, 20, 33, 34). Isso implica qualquer dia da semana, porque as autoridades romanas proibiam reuniões noturnas, não só dos cristãos como mesmo dos pagãos. E para evitar suspeitas das autoridades, os cristãos reuniam-se em diferentes dias, em ocasiões diversas. Assim, não só o tempo era indefinido, mas o significado não era Ressurreição.

Paulo declarou ter recebido essa tradição dos próprios apóstolos. E qual era a tradição? A de que, partindo o pão e bebendo o vinho, "anunciais a morte de Jesus". Portanto, o sentido da Ceia do Senhor é morte, sacrifício. Nenhuma menção se faz à Ressurreição. Isto não quer dizer que a Ressurreição não fosse importante. Paulo dá crédito e valor à Ressurreição em I Coríntios 15, mas a Ressurreição deveria ser celebrada por uma forma de vida, por andar em novidade de vida. Após morrermos à semelhança de Cristo no batismo, somos ressuscitados com Ele e andamos em novidade de vida, mas não há associação disso com qualquer dia semanal em particular (ver Romanos cap. 6).

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O Sabatismo legado pelos puritanos

Quais são as raízes da moderna observância do sábado? Por que existem diferenças culturais nesse sentido? Porventura foram mudados os padrões sabáticos, com o passar do tempo?

O modelo de observância do sábado, verificado entre as famílias americanas adventistas do sétimo dia, tem sua origem no fim dos anos 1500, durante o movimento reformador puritano da Inglaterra. Pastores piedosos, buscando guiar seus paroquianos a uma experiência de religião interior, em lugar de mera formalidade, insistiam na importância da piedade pessoal. Os Dez Mandamentos tornaram-se a pedra de toque para a reforma da moralidade. Ao lado disso, floresceu um movimento para resgatar o respeito pelo domingo, como dia de descanso.

Nicholas Bownde, pastor de uma pequena igreja interiorana, pregou unia série de sermões a respeito do descanso sabático, e os membros de sua congregação incentivaram-no a publicá-la. O resultado foi o livro intitulado The Doctrine of the Sahbcth (A Doutrina do Sábado), que se tornou muito popular. Muitos leitores resolveram, pela primeira vez, separar um período de 24 horas para comungar com Detts.

Proibições sabáticas não foram a maior preocupação de Bownde. Pelo contr4rio, ele orientou no sentido de se preencher o dia com exercícios espirituais que acentuariam a santificação. As proibições eram apenas uma maneira de determinar tempo para as atividades espirituais. Bownde atacou as recreações públicas, e divertimentos, no domingo, em virtude de que tais práticas prejudicavam os serviços de culto lias igrejas. Em

lugar disso, ele insistiu para que homens e mulheres levantassem cedo no domingo, para que se dedicassem à oração e se preparassem para a proclamação da Palavra de Deus. Bownde ensinou que as horas do domingo, fora das reuniões, deveriam ser usadas em testemunho pessoal, estudo da Biblia, pessoalmente ou em grupos, e auxílio aos necessitados.

O livro de Bownde ficou famoso na Inglaterra. As leis do país já incluíam censuras contra muitas atividades realizadas no domingo, e a cruzada puritana inspirou as autoridades a tomarem-nas mais estritas ainda, A oposição surgiu forte em muitos lugares. O Rei Tiago, em 1617, publicara um panfleto de quatro páginas intitulado Tire Book of Sports (O Livro dos Esportes), no qual argumentava que a recreação era permitida nas tardes domingueiras. Quando o Rei Charles reimprimiu o folheto em 1637, o arcebispo ordenou que fosse lido em todas as igrejas. Muitos pastores puritanos recusaram-se a cumprir a ordem e perderam seus fiéis.

Pastor castigado

O Pastor Henry Burton não apenas deixou de ler o folheto, como também pregou dois sermões contra ele. Segundo o seu ponto de vista, o decreto do monarca contrariava o 4º mandamento, O arcebispo, com o apoio das autoridades, invadiu a sua casa, examinou seus apontamentos e o prendeu. Burton foi torturado e condenado. Depois de sofrer muitas humilhações, teve as orelhas cortadas e foi sentenciado à viver numa masmorra do Castelo de Lincoln.

Cem mil pessoas, no entanto, saíram em sua defesa.

Quando as forças puritanas conseguiram vantagem na Inglaterra, Burton foi libertado e o Parlamento tratou de reformar a lgreja.1 O descanso dominical ganhou um lugar especial na Confissão de Westminster, a qual declara que Deus separou um dia em sete para guardá-lo santo para Ele. As palavras da confissão estabelecem de maneira muito clara e inquestionável:

"Este sábado é então guardado santo para o Senhor, quando homens, depois de um devido preparo de seus corações, e ajuste antecipado de seus afazeres comuns, não apenas observam um santo repouso, durante todo o dia, de seus próprios trabalhos, suas palavras e pensamentos a respeito dos negócios terrenos e recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercício público e privado de louvor a Deus, e nos deveres da graça."2

Esse conceito de observância sabática na Confissão de Westminster tomou-se o ideal dos protestantes de fala inglesa e, posteriormente, dos adventistas do sétimo dia.

Descanso sabático americano

Os puritanos que ressuscitaram os padrões da observância sabática na Inglaterra, importaram ainda mais rigorosas práticas para a América. Todas as colônias eventualmente aprovaram a legislação de repouso no domingo, mesmo a religiosamente tolerante Rhode Island.

O caso da Pensilvânia é único. Os Quackers, que fundaram a colônia, teologicamente repudiaram a observância sabática. George Fox, o fundador da Sociedade de Amigos (Quackers), considerou iguais todos os dias. Não obstante, os próprios Quackers foram sabatistas, na prática. Eles sentiam a necessidade de reservar tempo para repouso e louvor, e escolheram o "primeiro dia" para essas atividades.

As leis em Massachusetts e em Connecticut eram especialmente inflexíveis. Em Massachusetts, era ilegal caminhar nas mas ou parques, exceto para ir à igreja. Havia uma penalidade para as crianças que brincassem no "dia do Senhor". Nas duas colônias o povo era incentivado ao louvor congregacional. O repouso dominical era executado com um considerável grau de rigor. Um homem, chamado Natanael Mather, chegou a confessar que, quando criança, cometera um grande pecado — assobiou no dia santo. Outros foram penalizados por arrumar o cabelo, carregar lenha, ou viajar "desnecessariamente".

A severidade das leis dominicais na Nova Inglaterra era tão intensa, que não faltaram histórias verdadeiramente folclóricas a seu respeito. Conta-se, por exemplo, que um marinheiro chamado Thomas Kemhle foi castigado num cepo, simplesmente por haver beijado sua esposa que foi recebê-lo, no dia do Senhor, quando voltava de uma viagem que durou três anos. E provável que essa história tenha sido inventada por um polemista anglicano o qual falsamente noticiara que tais atitudes eram contrárias à lei. Um outro conto ridiculariza as autoridades de Connecticut por prenderem John Lewis e Sarah Chapman. Eles teriam cometido o pecado de sentarem juntos sob uma macieira, no domingo. O que não é relatado é a preocupação geral dos pais de Sarah e das autoridades sob a inconveniência do relacionamento.3

Um exemplo do ensinamento puritano sobre o dia de repouso vem de Jonathan Edwards. Em seu sermão sobre "A Perpetuidade e Mudança do Sábado", Edwards não se contenta apenas em apresentar o assunto. Ele o conclui com uma prolixa exortação à uma adequada observância do dia sagrado. Não o vê como um ressequido e enfadonho dia. mas afirma ser ele "um dia de regozijo; Deus o fez para ser um dia alegre para a igreja... O sábado cristão é um dos mais preciosos deleites da igreja visível". Todavia, observá-lo como santo, é algo que Deus "certamente requererá... de nós, se não o fizermos estrita e conscienciosamente. Mas, se assim o reverenciarmos, teremos Seu conforto e estaremos no caminho de Sua aceitação e recompensa". Para Edwards, está claro que a observância sabática é um requerimento de Deus para o Seu povo. Edwards promete ainda a seus ouvintes, em termos reminiscentes dos rabis judeus, que se eles observarem o dia do Senhor mais estritamente, e cumprirem seus deveres de maneira mais solene, estarão manifestando grande respeito a Deus. Isso é quase uma prescrição detalhada de restrições; do tipo que até mesmo proíbe assobiar. (4)

Wesley e o sábado

John Wesley possuía uma visão igualmente ortodoxa sobre o sábado. Em um boletim de três páginas, intitulado Uma Palavra aos Transgressores do Sábado, Wesley enfatiza que este não é um dia do homem, mas de Deus. Deus o requer, não para Seu benefício próprio, mas para o benefício daqueles que O servem. Ele diz a seus leitores: "Para tua própria segurança, Deus, que te dá todas as coisas, requer uma parte do teu tempo." Se as pessoas não atendem a esse pedido divino, prejudicam-se a si mesmas; pois este é um dia de graça especial. ‘O Rei do Céu, agora sentado em Seu trono de misericórdia, de um modo mais gracioso que nos outros dias, outorga bênçãos a todos os que o observam... Levanta-te! Ergue-te! Permite que Deus te abençoe! Recebe o sinal do Seu amor!" As bênçãos que Ele oferece incluem paz, alegria, amor, e "refrigério para os temores, dúvidas e mágoas do coração". Atenção aos negócios terrenos e divertimentos fúteis desapontam o desígnio do amor de Deus. Assistir aos serviços de culto em Sua casa é comungar com Ele.

Wesley encorajou seus leitores a "aproveitar o máximo do repouso do dia, quer refletindo nas mensagens recebidas, lendo as Escrituras, orando, ou testemunhando. Ne alguém emprega o tempo que sobra, em passeios nos parques, ou diversões menores, desperdiça os talentos e deslavada desonra é manifestada contra Deus e Sua autoridade. Wesley lembra ainda os juízos de Deus sobre aqueles que profanam o Seu dia, ainda na Terra, e argumenta que eles são apenas gotas da tempestade de ardente indignação que finalmente consumirá Seus adversários. Wesley conclui com o pensamento mórbido de que "Seu dia de vida e graça esta quase esgotado. A noite de morte está às portas. Apressemos em usar o tempo de que dispomos; aproveitemos as últimas horas do dia de Deus’. (5)

A impressão deixada por esse trabalho é muito diferente daquela deixada pelos primeiros puritanos. Eles descobriram na observância sabática uma bênção especial que estavam ávidos para partilhar. Wesley revela a consciência dessa bênção, mas para ele o sábado não era algo para ser descoberto, mas para ser cumprido. E algo que Deus requer, e a resposta humana adequada é colocar-se sob a autoridade divina, livrando-se do julgamento e da perda da vida eterna.

Legalismo

Era Wesley um legalista? Sua experiência com Deus era muito profunda, todavia seu conceito do sábado, tal como Jonathan Edwards, pendia para o legalismo. Ambos o viam mais como um requerimento do que significando liberdade. Nesse ponto, eles parecem refletir a mentalidade cultural da época.

Uma das resoluções de Edwards era "jamais proferir qualquer coisa frívola ou assunto de riso, no dia do Senhor". Essa atitude fez com que alguns críticos se referissem zombeteiramente ao mandamento, dizendo:

"Lembra-te do dia do sábado para o santificar melancolicamente." Certo escritor chegou a afirmar que os puritanos haviam transformado o alegre dia sabático num triste dia de inanição, ao ensinarem que era pecado caminhar ou colher uma flor durante o mesmo.

Sabatismo moderno

No início do século XIX, junto com o segundo grande desapontamento na América, veio um reavivamento do interesse na observância o dia do Senhor. Surgiu então uma preocupação a respeito da frouxidão no trato "adequado" a esse dia, construída sobre dois fatores. Primeiro, a massiva imigração européia. Novos imigrantes observavam o "domingo continental", que era consideravelmente mais liberal que a estabelecida visão do descanso dominical. Os cristãos americanos tradicionais sentiram que essa observância frouxa se tomaria a norma nacional. O segundo fator diz respeito ao fato de que aconteceram notáveis avanços na indústria, na tecnologia e nos transportes. Tanto na Inglaterra como na América, a discussão principal era sobre as transportações públicas durante o domingo. Muitas vozes foram ouvidas advogando a sua interrupção. Líderes de igrejas conservadoras se opunham à abertura de museus no dia sagrado. Muitos condenavam também a publicação de jornais nesse dia.

No inicio de 1848, houve forte oposição contra o estabelecimento de uma legislação dominical. Um congresso no qual se discutiu a questão foi realizado naquele ano, em Boston. Os que estiveram presentes sentiram que não haviam sido ensinados a guardar o domingo livremente, mas como um dever imposto. Faziam-no por obrigação, não por amor. Acabaram rejeitando o dia, como sendo escuro, insípido e desagradável. William Lloyd Garrison afirmou que "não é a letra da observância que de nós é requerida, mas o espírito de um coração e vida que consagram todas as coisas à Deus e ao benefício da humanidade". Por sua vez, um homem chamado Browne procurava justificar sua infidelidade à observância do domingo, argumentando que o que importava era a religião interior. (6)

O individualismo religioso eventualmente levou não somente à rejeição da maioria das leis mas à negligência da própria instituição durante os próximos 106 anos.

Alegrias e tristezas

Muitas pessoas na igreja permaneciam muito severas quanto ao que era proibido fazer no dia do Senhor. Laura Ingalls Wilder, conta como sua bisavó retomava da igreja para casa e passava as tardes de domingo lendo o catecismo. Certo dia, quando ela e seus irmãos fugiram sorrateiramente para montar um novo trenó, foram descobertos quando atropelaram um porco que ia

passando. Seu pai não os castigou de imediato, porque o domingo ainda não havia terminado. Depois, no entanto, a punição foi rigorosa.7

A literatura protestante daquele tempo revela significativas discórdias sobre se as crianças deviam brincar ou não, durante as horas sagradas. Alguns achavam que jogos especialmente preparados para a ocasião eram aceitáveis. Outros proibiam qualquer tipo de brincadeira. Enquanto o descanso sabático puritano foi fortemente atacado, de um modo geral, permaneceu o respeito à maneira de os cristãos agirem. Muitos poemas exaltavam as glórias e as bênçãos sabáticas. Os hinos "Salvos através de outra semana" e "Ó dia de repouso e alegria" foram escritos sobre o domingo para celebrar as alegrias de sua observância.

Nesse ambiente foi que a observância do sábado, segundo os adventistas do sétimo dia, se desenvolveu. E está muito claro, na literatura dos primeiros adventistas, que eles transferiram do domingo para o sábado os padrões comuns ao mundo protestante conservador. Eles também herdaram as lutas para manter a santidade do dia, sem cair no legalismo. A principio, o legalismo era o principal perigo. Hoje, é possível que o descuido e a negligência roubem-nos a paz e o repouso que resultam do ato de empregar tempo no "lugar de encontro entre Deus e o homem".

Referências:

1. Kenneth Parker, The English Sabbath, Cambridge, 1988, págs. 178-2 19; Winton U. Solberg, Redeem the Time. Cambridge, 1977, págs. 77-80, e 157-159.

2. Confissão de Fé de Westminster, XXI, cap. 7 e 8.

3. Winton Solberg, Op. cit., págs. 193, 195, 229-232, 251 e 252, 263, 265-268, 169 e 170, 276-269.

4. Jonathan Edwards, The Works ofPresident Edwards, Nova Iorque, 1852, Vol 6, págs. 632-633.

5. The Works ofJohn Wesley, Grand Rapids, MI; Zondervan, 1958, vol. 11, págs. 164-166.

6. Proceedings of the Anti-Sabbath Convention, págs. 47, 29 e 33.

7. Laura Ingalls Wilder, Little House in the Big Words, Nova Iorque, 1932; reimpresso em 1971, págs. 83-96.

8. Wilbur Crafts, The Sabbath for Man, Nova Iorque, 1885, pág. 412.

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10 de dezembro de 2008

Uma Pequena História da Igreja Adventista do Sétimo Dia

Em apenas um século e meio a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem crescido de um punhado de pessoas, que diligentemente estudaram a Bíblia em procura da verdade, para uma comunidade mundial de mais de oito milhões de membros e, outros milhões, que consideram a Igreja Adventista seu lar espiritual. Doutrinariamente, os Adventistas do Sétimo Dia são herdeiros do supradenominacional movimento Milleriano da década de 1840. Embora o nome “Adventista do Sétimo Dia” tenha sido escolhido em 1860, a denominação não foi oficialmente organizada até 21 de maio de 1863, quando o movimento incluia cerca de 125 Igrejas e 3.500 membros.

Entre 1831 e 1844, William Miller - um pregador Batista e ex-capitão de exército da guerra de 1812 - lançou o “grande despertar do segundo advento” o qual eventualmente se espalhou através da maioria do mundo cristão. Baseado em seu estudo da profecia de Daniel 8:14, Miller calculou que Jesus poderia retornar a terra em 22 de outubro de 1844. Quando Jesus não apareceu os seguidores de Miller experimentaram o que veio a se chamar “O grande Desapontamento.”

A maioria dos milhares que haviam se juntado ao movimento, saiu em profunda desilusão. Uns poucos no entanto, voltaram para suas Bíblias para descobrirem porque eles tinham sido desapontados. Logo eles concluíram que a data de 22 de outubro tinha na verdade estado correta, mas que Miller tinha predito o evento errado para aquele dia. Eles se convenceram que a profecia bíblica previa não o retorno de Jesus à Terra em 1844, mas que Ele começaria naquela data um ministério especial no céu para Seus seguidores. Assim, eles continuaram a esperar pelo breve retorno de Jesus, como fazem os Adventistas do Sétimo Dia ainda hoje.

Deste pequeno grupo que se recusou a desistir depois do “grande desapontamento” surgiram vários líderes que construíram a base do que viria a ser a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Destacam-se dentre estes líderes um jovem casal - Tiago e Ellen White - e um capitão de navio aposentado, José Bates.

Este pequeno núcleo de “adventistas” começou a crescer - principalmente nos estados da Nova Inglaterra na América do Norte, aonde o movimento de Miller havia começado. Ellen White, apenas uma adolescente na época do “grande desapontamento”, desenvolveu-se em uma dotada escritora, oradora e administradora, se tornando, e permanecendo, a conselheira espiritual de confiança da família Adventista por mais de 70 anos até sua morte em 1915. Os primeiros Adventistas vieram a acreditar - como têm os Adventistas desde então - que ela desfrutou da direção especial de Deus enquanto ela escrevia seus conselhos para o crescente grupo de crentes.

Em 1860, em Battle Creek, Michigan, EUA, um punhado de congregações de Adventistas escolheram o nome Adventista do Sétimo Dia e em 1863 organizaram formalmente o corpo da Igreja com um número de 3.500 membros. No princípio, a atuação foi em grande parte limitada a América do Norte, até 1874 quando o primeiro missionário da Igreja, J.N. Andrews, foi enviado para Suíça. A obra na África foi iniciada timidamente em 1879 quando Dr. H.P. Ribton, um recente converso na Itália, se mudou para o Egito e abriu uma escola, mas o projeto terminou quando tumultos começaram a surgir nas vizinhanças. O primeiro país cristão não-protestante a receber a Igreja foi a Rússia, aonde um ministro Adventista foi enviado em 1886. Em 20 de outubro de 1890, a escuna Pitcairn foi lançada em São Francisco e logo designada para levar missionários para as ilhas do Pacífico. Missionários Adventistas do Sétimo Dia entraram pela primeira vez em países não-cristãos em 1894 - Costa Dourada (Gana), oeste da África, e Matalbeleland, África do Sul. No mesmo ano missionários vieram a América do Sul, e em 1896 havia representantes no Japão. A Igreja hoje tem atuação estabelecida em 209 países.

A publicação e distribuição de literaturas foram os principais fatores no crescimento do movimento do Advento. A Advent Review e o Sabbath Herald (hoje Adventist Review), órgão geral de comunicação da Igreja, foram lançados em Paris, Maine, em 1850; o Youth’s Instructor em Rochester, Nova Iorque, em 1852; e o Signs of the Times em Oakland, Califórnia, em 1874. A primeira casa publicadora denominacional em Battle Creek, Michigan, começou a operar em 1855 e foi devidamente incorporada em 1861 com o nome de Associação de Publicação Adventista do Sétimo Dia.

O Instituto de Reforma da Saúde, conhecido mais tarde como Sanatório Battle Creek, abriu suas portas em 1866, e a obra da sociedade missionária foi estabelecida a nível estadual em 1872, e 1877 viu a formação das Associações das Escolas Sabatinas em todo o estado. Em 1903, a sede da denominação se mudou de Battle Creek, Michigan, para Washington, D.C., e em 1989 para Silver Spring, Maryland, aonde ela continua a formar o nervo central do trabalho sempre em expansão.



História da Igreja Adventista no Brasil

“Houve por bem a especial providência divina que a mensagem adventista por meio da página impressa penetrasse no Brasil, em 1879. Embora disseminada no começo por mãos ímpias, a nossa literatura, a boa semente, encontrou corações receptivos e frutificou abundantemente em nosso país.

Em 1878, Burchard, jovem alemão residente em Brusque – SC, cometera um crime, e para escapar à justiça local, foi ao porto de Itajaí, onde entrou como clandestino a bordo de um navio. Distante já do Brasil, o comandante o descobriu, e ordenou-lhe trabalhar a bordo como tripulante. Foi assim que durante a viagem, o jovem veio a conhecer dois missionários adventistas em trânsito, os quais lhe perguntaram se havia evangélicos no Brasil, chegando mesmo a dar-lhe estudos bíblicos e literatura denominacional. Burchard lembrou-se então do seu padrasto, Carlos Dreefke, luterano, que apreciava literatura religiosa, e forneceu àqueles missionários o endereço dele em Brusque, para que lhe enviassem literatura gratuita.

Através do Porto de Itajaí, em 1879, deu entrada no Brasil o primeiro pacote de literatura do advento, destinado ao Sr. Dreefke, residente em Brusque. O pacote referido foi ter às suas mãos quando se encontrava no armazém do Sr. Davi Hort. Porém o Sr. Dreefke temendo uma cilada, recusou-se recebê-lo porquanto não fizera encomenda alguma semelhante. Por insistência do Sr. Hort, resolveu abrir a correspondência e encontrou exemplares do periódico adventista escrito em língua alemã “Stimme der Warheit” (Voz da Verdade), publicado pela imprensa denominacional de Battle Creek, nos Estados Unidos.

O Sr. Dreefke, após retirar uma revista, deu as revistas para diversas pessoas, inclusive ao Sr. Hort, o dono do armazém. O resultado foi imediato. Dez famílias residentes em Brusque se tornaram interessadas na mensagem do advento, passando a solicitar mais literatura através do Sr. Dreefke.

A demanda de publicações adventistas para o Brasil foi aumentando cada vez mais e isto causou apreensão ao Sr. Dreefke, pois temia a responsabilidade pelo pagamento e então decidiu suspender os pedidos futuros. O Sr. Chikrevitowski, pediu para continuar com a responsabilidade de realizar os pedidos, mesmo que tivesse que pagar algum valor pela literatura, mas seu entusiasmo não durou muito.

Já em 1884, surge outro personagem, por nome Dresler, que se ofereceu para pagar e distribuir toda a literatura adventista que lhe chegasse às mãos. Sua conduta pessoal era, porém, muito censurável. Banido da Alemanha, por seu próprio pai, um pastor luterano, e que desejava para o filho a missão de pastor, mas que tomou a decisão extrema de banir seu filho para evitar uma desonra maior para sua família, já que Dresler se tornara um ébrio, entristecendo profundamente o seu pai.

Para garantir sua subsistência, Dresler tornou-se professor elementar em Brusque, sem contudo abandonar o alcoolismo. Até mesmo das revistas de publicações adventistas por ele vendidas ele usava para sustentar o seu vício. Por vezes suas mãos ficavam tão trêmulas que as revistas lhe caíam em plena rua, ou nas casas em que penetrava. Assim, acidentalmente nossa literatura era encontrada por varias pessoas nos mais diversos lugares, inclusive chegou a servir para embrulhar mercadorias, porquanto Dresler chegava a trocá-la por bebidas alcoólicas com taverneiros, quando não tinha dinheiro.

Apesar de tudo, o interesse pelos periódicos foi sempre crescendo e para atender os pedidos, Dresler sempre pedia maior quantidade de publicações. Novas revistas lhe foram enviadas, como o Hausfreund (Amigo do Lar) e até livros pequenos e grandes. Porém toda a literatura recebida, e já avaliada em centenas de dólares, Dresler jamais pagou um centavo de dólar, e a maioria do dinheiro foi consumido em álcool.

Em 1887, Guilherme Belz, imigrante alemão que residia na colônia de Gaspar Alto – SC, veio visitar seu irmão em Brusque e deparou com o livro Gedanken uber das Buch Daniel (Comentário Sobre o Livro de Daniel) de Urias Smith, que seu irmão tinha adquirido das mãos de Dresler.

O livro chamou atenção de Guilherme Belz e pediu-o emprestado a seu irmão, levou-o para casa e leu todo o livro com meditação e reflexão, impressionando-se com o capítulo “O Papado Muda o Sábado”. Acompanhando a leitura do livro com a Bíblia, convenceu-se de que o sábado é o dia de repouso original, instituído e ordenado pelo próprio Criador, e jamais a palavra de Deus autorizara em parte alguma a mudança do repouso sabático para outro dia. Em 1890 decidiu guardar o sábado com sua família, no que foi seguido posteriormente por vários vizinhos, totalizando vinte e duas pessoas. Foram os primeiros observadores do sábado no Brasil, mesmo sem conhecer nenhum missionário adventista.

Em maio de 1893, por designação da Associação Geral, o colportor Albert B. Stauffer chegou ao Brasil, desembarcando em São Paulo, após trabalhar por dois anos no Uruguai e na Argentina, com os seus companheiros E.W. Snyder e C. Nowlin. Recém chegado, Stauffer conheceu o Sr. Alberto Bachmeier, de origem alemã, revelando-lhe a mensagem adventista e conseguindo a sua conversão. Logo Stauffer o treinou na colportagem, e ambos passaram a vender a literatura denominacional em língua alemã, pois não havia em língua portuguesa.Isto tornava o trabalho dificultoso, pois tornava-se nescessário procurar pessoas de origem alemã que pudessem adquirir as revistas e os livros.

Bachmeier vendeu nossa literatura em Indaiatuba, Rio Claro, Piracicaba e em outras cidades do interior paulista e os primeiros interessados de São Paulo foram aparecendo: em Indaiatuba, a família de Guilherme Stein (pai); em Rio Claro, Guilherme e Paulina Meyer; e ainda em Piracicaba, o professor Guilherme Stein Jr. e senhora. Guilherme Stein Jr. era metodista e se converteu após leitura do livro “O Conflito dos Séculos”, da Sra Ellen White.

No início de 1894, chegou ao Brasil o segundo missionário adventista, W. H. Thurston, acompanhado da esposa, oriundo dos Estados Unidos. Sua missão era estabelecer no Rio de Janeiro um depósito de livros denominacionais para atender às nescessidades da colportagem local.

O mesmo navio que trouxe o casal Thurton para o Brasil, trazia juntamente o pastor Francisco H. Westphal e família, que viajavam com destino à Argentina. O pastor Westphal foi chamado pela Associação Geral para dirigir a Obra Adventista na América do Sul, e para batizar os primeiros adventistas da Argentina. Em 1895 o pastor Westphal foi chamado ao Brasil com o objetivo de batizar os primeiros conversos ao advento.

No mês de fevereiro de 1895, o Pr. Westphal desembarcou no Rio de Janeiro e acompanhado por Stauffer, o pastor seguiu primeiro para o interior de São Paulo a fim de batizar os primeiros conversos neste estado. O primeiro batizado foi o professor Guilherme Stein Jr, em abril de 1895, na cidade de Piracicaba, e seu batismo foi realizado no Rio Piracicaba, que na língua indígena significa colheita dos peixes. Interessante o simbolismo, porque este primeiro batismo seria apenas o primeiro passo para uma grande colheita de almas.

O segundo batismo foi em Rio Claro, com dois conversos: Guilherme e Paulina Meyer e logo após mais seis conversos foram batizados em Indaiatuba; Guilherme Stein (pai) e senhora e mais quatro filhos.

A viagem seguinte do pastor Westphal foi para Santa Catarina, a fim de batizar os conversos descobertos por Bachmeier. Neste itinerário o pastor passou por várias localidades e pregou a mensagem nas cidades de Joinville, Blumenau e outras cidades do estado de Santa Catarina deixando interessados trinta observadores do sábado em Joinville, os quais foram preparados para um batismo futuro.

Em Brusque o pastor Westphal encontrou oito conversos, batizando-os no sábado 8 de junho de 1895. Três dias após, quinze pessoas foram batizadas em Gaspar Alto, inclusive Guilherme Belz e família, Augusto Olm e família, Anna Wagner e o colportor Alberto Bachmeier, que embora convertido ainda não tinha sido batizado. Após o batismo todos participaram da Santa Ceia.

Precisamente em Gaspar Alto foi organizada em fevereiro de 1896 a primeira Igreja Adventista no Brasil, sob a supervisão do pastor Huldreich Graf. Neste mesmo ano, porém, já existiam no Brasil cinco grupos de conversos adventistas que já realizavam a escola sabatina, nas seguintes cidades: Campo dos Quevedos e Taquari - RS; Joinville - SC; Curitiba – PR; e Rio Claro em São Paulo.

Na igreja de Gaspar Alto em 1898, foi estabelecida a primeira escola adventista no Brasil, iniciada por Guilherme Stein Jr. Por volta de 1900 mais de cem membros pertenciam a igreja de Gaspar Alto, de onde saíram colportores, professores e alguns pastores que, unidos no mesmo ideal, trabalharam em regiões diversas espalhando a mensagem adventista pelo Brasil.

O aumento crescente de novos conversos e de interessados, principalmente nos estados da região sul do Brasil, Espírito Santo e Rio de Janeiro levou a Associação Geral a providenciar um pastor efetivo para o Brasil, bem como um dirigente da obra local. O primeiro foi o Pr. H. Graft e o segundo o Pr. Frederico W. Spies. Viajaram e muito fizeram para o progresso da obra na qualidade de pioneiros, apesar dos muitos sacrifícios que tiveram de enfrentar no início de suas atividades, inclusive privações econômicas. Mas o que é essencial, é o fato de muitas almas serem ganhas pelos esforços de ambos os missionários, que lançaram bases firmes para o estabelecimento dos campos missionários que se seguiram.

A administração organizada do trabalho adventista no Brasil verificou-se, quase simultaneamente, no Rio de Janeiro em 1902, sob a supervisão do Pr. F. W. Spies, e em 1906, no Rio Grande o Sul (Taquari), a cargo do Pr. Huldreich Graf, os quais foram os primeiros dirigentes locais. Sendo que a região Sul do país ocorreu um maior progresso para a obra, naturalmente a primeira União estabelecida veio a ser a União Sul-Brasileira, em 1911.

Deus deu o crescimento em todas as áreas que abrangem a ação da Igreja, as publicações vieram primeiro.

No Brasil, a página impressa foi a cunha por excelência para a penetração da mensagem adventista; e o papel da colportagem a esse respeito ocupa um lugar destacado.

Além do desbravador A . B. Stauffer, dois irmãos colportores, Alberto e Frederico J. Berger, iniciaram no Rio Grande do Sul em 6 de agosto de 1895 o seu plano de vendas de literatura adventista nas colônias alemãs, porquanto só possuíam livros e periódicos em alemão, e ainda não existiam impressos em português com a nossa mensagem. Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo foram também trabalhados por estes valorosos colportores.

Estes pioneiros da colportagem eram verdadeiros heróis que rasgavam o sertão em sua montaria, levando seus livros, vivendo intrepidamente cada dia as suas surpresas e os percalços da jornada aventureira: calor, fome, chuva torrencial, frio, lama, ventania, muitas vezes dormindo ao relento e expostos a animais perigosos, mas não desanimavam em sua nobre missão.

A colportagem no Brasil começou a ter mais amplo campo de ação depois que a nossa literatura começou a sair em português.

A Casa Publicadora Brasileira é uma das 55 editoras pertencentes a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi fundada em julho de 1900, no Rio de Janeiro, mas em 1905 foi transferida para Taquari, Rio Grande do Sul.

Em 1907 estabeleceu-se em Santo André, São Paulo, e lá permaneceu por 78 anos. Mudou-se para Tatuí, interior de São Paulo, em 1985 e foi edificada em um terreno com mais de meio milhão de metros quadrados. Sua área construída hoje, mede 18.000 m2 e isso a torna a terceira maior Editora dos Adventistas no mundo. Louvamos a Deus por isso!

O primeiro periódico a ser publicado em português foi O Arauto da Verdade em janeiro de 1900. Na época ainda não estávamos totalmente estruturados e nem se quer tínhamos equipamentos para imprimirmos nossa própria literatura. Hoje, graças as bênçãos de Deus e a tecnologia criada pelo homem, nosso consumo mensal de papel é de 240 toneladas aproximadamente.

Nosso primeiro livro publicado foi A Vinda Gloriosa de Cristo, em 1907, e esse título traduz a razão de nossa existência: anunciar a segunda vinda de Jesus através da literatura.

Muitos de nossos livros estão editados em mais de 200 línguas e dialetos e, no Brasil, produzimos centenas de títulos dos quais você poderá agora conhecer e adquirir sem sair de casa. É a Casa abrindo as portas para estar mais perto de você!

“Nada é mais importante do que a Educação de nossos jovens e crianças” (E.G.White)

Onde penetra a mensagem adventista logo surgem escolas e colégios. Assim foi no Brasil, já no ano de 1896, em Curitiba – PR, numa casa à Rua Paula Gomes, 290, com o nome de Colégio Internacional passou a funcionar o primeiro educandário adventista, dirigido pelo professor Guilherme Stein Jr chegando a alcançar uma matrícula de 120 alunos no seu primeiro ano de existência. A Escola foi transferida para um prédio na avenida Cândido de Abreu, no qual resta atualmente apenas uma parte incorporada à fachada do Shopping Muller.

Em 1898 foi estabelecida a primeira escola missionária no Brasil, em Gaspar Alto, sob a direção do Prof. Guilherme Stein. Diversos missionários passaram por esta escola.

A segunda escola missionária foi fundada em Taquari – RS, em agosto de 1903, tendo como diretor o professor Emílio Schenk, mas em 1910 foi fechada pela obra, pois um plano melhor havia sido delineado: o estabelecimento de uma escola Missionária em São Paulo, para melhor servir aos vários campos, por motivo que a escola de Taquari no RS, não estava bem localizada.

Assim, em 1915 a obra adquiriu um terreno de cerca de 70 alqueires, a 23 Km da cidade de São Paulo, próximo a Santo Amaro, nesta nova propriedade foi estabelecida a terceira escola missionária no Brasil, o Seminário Adventista, conhecido depois por Colégio Adventista Brasileiro e atualmente por Instituto Adventista de Ensino. Foram seus fundadores J. Lipke e J. H. Boehm, e o primeiro professor foi o irmão Paulo Henning, que no dia 4 de julho de 1915 ministrou a primeira aula a 12 alunos.

Neste novo seminário, professores e alunos irmanados trabalharam com afinco, movidos pelo mesmo ideal. Desta maneira uma simples granja no meio do mato foi transformada num belo local apropriado para o preparo educacional dos futuros obreiros, no Brasil.

Em anos sucessivos outros educandários foram estabelecidos no Brasil: em 1937, o Ginásio Adventista de Taquara (Taquara – RS), atual Instituto Adventista Cruzeiro do Sul, em 1939 o Instituto Teológico Adventista, hoje atual Instituto Petropolitano Adventista de Ensino (Pretrópolis – RJ); em 1947 o Ginásio Adventista Paranaense, sediado em Curitiba; Em 1943 , o Educandário Nordestino Adventista; em 1950, próximo a Campinas (S.Paulo) começou a funcionar o Ginásio Adventista Campineiro, atual Instituto Adventista São Paulo (IASP); em 1961 o Instituto Grão-Pará, em Belém.

Deus deu o crescimento em educação. Da escola de Gaspar Alto multiplicaram-se: internatos, escolas de 1º e 2º Grau, faculdades e agora também temos uma universidade.

Atualmente existe mais de 520 escolas (dados de 1999) distribuídas por todo o Brasil onde já estudaram mais de cento e vinte mil alunos.

A Obra médica, braço direito da mensagem, conforme Ellen White.

A IASD, em todos os tempos de sua existência, sempre contribuiu com as três necessidades básicas (segundo a ONU – Organização das Nações Unidas): Saúde, Educação e Social. A igreja acrescenta a quarta necessidade – Espiritual. Estas quatro necessidades básicas formam uma perfeita simbiose, quando levadas a efeito, para o bem-estar e salvação do ser humano. E nisto consiste a missão da igreja.

A reforma pró-saúde, em harmonia com Educação, Social e Publicações, constituem o pano de fundo da bandeira Adventista para a pregação do evangelho, em todas as partes do mundo.

Em 1896, o Pastor Huldreich Graf (Missionário norte americano), começou a ministrar no Brasil, princípios de saúde em forma hidroterapia, outros tratamentos naturais, alimentação vegetariana e outros. Em 1900, o Dr. Abel Gregory, médico e dentista americano, veio por conta própria, para Rio do sul, ensinar princípios de saúde, segundo os Adventistas. Em 1907, também dos EEUU, chegaram ao Brasil como missionários a Dra. Luísa Wurtz e Corina Hoy, enfermeira, para o mesmo trabalho. Em 1914, na cidade de Santo Amaro, SP, em sua grande série de evangelismo público, o evangelista J. Lipke enfrentava uma grande oposição da igreja Católica. Quando a Dra. Wurtz e a enfermeira Hoy, começaram a ministrar palestras de reforma – pró-saúde, a oposição se acalmou, e o evangelismo seguiu em paz para fundar a atual igreja da cidade de Santo Amaro, a igreja pioneira da zona sul de São Paulo.

No Rio Grande do Sul, Ernesto Bergold, aceitou a verdade Adventista por meio da reforma pró-saúde. Em 1928, no norte do então do estado de Goiás (hoje Tocantins), Ilha do Bananal N. Allen, começou o trabalho médico assistencial missionário, entre a tribo indígena Carajá. Em 1953, foi lançada no Rio Araguaia a lancha “Pioneira”, pilotada por Lair Montebelo. Enquanto isso, desde 1931, Leo e Jessie Halliwell, singravam o “Rio-mar” Amazonas, curando e pregando aos milhares de ribeirinhos.

Em 1937, o presidente da União Sul Brasileira, pastor E. H. Wilcox (americano), chamou o Dr. Antônio Alves de Miranda, para ser o médico da União. Em 1939, foi fundada uma pequena clínica em São Paulo, chamada “Sanatório Boa Vista”. Em 1942, fundada a Casa de Saúde Liberdade, hoje, Hospital Adventista de São Paulo. Depois, vieram os demais hospitais e clínicas. Hoje temos no Brasil 4 clínicas e 7 hospitais.

A mensagem adventista no Brasil teve seu providencial e humilde começo ao seguinte tripé: Publicações, Educação e Saúde. Deste incipiente início, hoje, mais de 120 anos depois, podemos analisar os maravilhosos frutos que aí estão com 6 Missões, 23 Associações, 5 Uniões, muitas e prósperas instituições e até dezembro de 1999 mais de 930 mil membros batizados.

Deus tem abençoado ricamente Sua obra no Brasil, segundo podemos observar através deste rápido relatório histórico comparativo, passado e presente, que nos comprova que o trabalho e o sacrifício dos pioneiros que aqui vieram não foi em vão. Antes, porém, veio a frutificar com abundância, repetindo mais uma vez a maravilhosa parábola do semeador, e do sucesso da semente que caiu em boa terra. Louvado seja o nome do Senhor!

“Nada temos a recear quanto ao futuro, a menos que nos esqueçamos a maneira pela qual o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado” (E.G.White).







Desenvolvimento Cronológico Resumido da Igreja Adventista no Brasil:



1884 - O pacote contendo dez revistas Arauto da Verdade, em alemão, chega a Brusque, SC.

1890 - Surgem os primeiros seguidores da fé Adventista no Brasil.

1893 - Albert B. Stauffer, primeiro missionário enviado ao Brasil pela Liderança Mundial da Igreja Adventista, chega em São Paulo.

1894 - (1) Albert Bachmeier encontra Adventistas em Brusque e em Gaspar Alto;
(2) W. H. Thurston chega ao Rio de janeiro com dois caixotes de livros, estabelecendo naquela cidade um depósito de livros.

1895 - (1) Pastor Frank H. Westphal chega ao Rio de janeiro em fevereiro. Acompanhado por Albert Stauffer, inicia uma viagem realizando batismos em São Paulo e terminando com a cerimônia batismal de Gaspar Alto, em junho;

(2) Em oito de junho de 1895, a primeira igreja adventista do Brasil é estabelecida com a inauguração de seu templo na cidade de Gaspar Alto, Santa Catarina;

(3) No mês de julho, os irmãos Berger chegam ao Brasil para colportar;

(4) Pastor H. F. Graf chega ao Brasil em agosto e, em dezembro, realiza o batismo em Santa Maria do Jetibá, no Espírito Santo;

(5) É criada a Missão Brasileira da Igreja Adventista.

1896 - (1) Pastor Spies chega ao Brasil e batiza 19 pessoas em Teófilo Otoni, Minas Gerais; (2) Em julho começa a funcionar o Colégio Internacional de Curitiba, PR, a primeira escola particular adventista.

No ano 2000, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma comunidade mundial. Ela reúne mais 11 milhões de membros e, outros milhões, que a consideram seu lar espiritual.

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